Compartilhe

Eu gostaria de estar lá. E, se eu não poderia estar lá, gostaria que os meus pais estivessem. Assim, eles seriam pessoas com mentes mais livres. Não que eu não ame os meus pais do jeito que eles são. Mas que eu ia achar o máximo que eles fossem filhos de Woodstock… ah, com certeza!

Depois de 50 anos do festival de música mais revolucionário da história, nós, meros mortais que nem éramos projetados para viver no planeta Terra ainda sentimos os seus efeitos. E quando olhamos para trás, percebemos claramente que Woodstock foi construído alguns anos antes. A década de 1960 é considerada até hoje como a mais rica da história da música. A quantidade de bandas e artistas de alta qualidade e influência que surgiram naquela janela de tempo, e as composições que o mundo recebeu resultaram na influência dos movimentos musicais que vieram nas décadas seguintes, fazendo eco em um 2019 que não é tão diferente de 1969.

E isso porque eu não vou falar nesse texto sobre as diferentes transformações que a sociedade passou durante o período, tanto no Brasil (Jovem Guarda e Tropicalismo) como no mundo (a revolução sexual feminina).

Em um tempo onde a sociedade norte-americana vivia uma clara divisão por causa de conflitos como a Guerra do Vietnã e a segregação racial, mais de 500 mil jovens se reuniram em uma pequena cidade no meio do nada para ouvir música. Tá, não sou eu aqui que vou ser inocente a ponto de acreditar que foi só isso: eu sei que rolou muita droga, sexo desenfreado e pessoas completamente enlouquecidas chafurdando na lama. Por outro lado, isso ainda era muito melhor do que mandar pessoas para uma guerra onde os governantes sabiam que não iam vencer, ou odiar a outra pessoa apenas por causa da cor da pele.

O tempo mostrou que o consumo de drogas não garante a felicidade de ninguém, e que o amor livre acabou rapidamente quando o hippie quis pegar a amiga riponga sem avisar a coleguinha disso. Mas ao menos era um começo. Era um discurso que levou as pessoas a acreditarem que era sim possível conviver com o próximo de forma mais compreensiva, fraterna e amorosa. E teve como trilha sonora canções de Jimi Hendrix, Joe Cocker, The Who e Janis Joplin.

Quem não queria isso?

Por que não queremos isso hoje?

Em pleno 2019, onde muitas pessoas segregam aqueles que pensam diferente, abraçam ideias de xenofobia, racismo e homofobia como se fossem “direitos conquistados”, onde atiradores disparam contra hispânicos… será que não precisamos voltar a dizer “faça amor, não faça guerra” ou “paz e amor, bicho” com mais frequência?

Eu queria ser filho de Woodstock. Eu queria que meus pais tivessem quebrado as regras de uma sociedade que não pregava mensagens de união e compreensão. Queria mesmo que o meu pai tivesse fumado maconha, que minha mãe tivesse queimado um sutiã em praça pública, ou que meus pais tivessem feito sexo na frente de desconhecidos ao som de All You Need Is Love.

Eu sei. Eu estou querendo demais. E você pode até achar que as minhas ideias do parágrafo anterior são absurdas. Até eu acho, mas eu preciso ser sincero com você.

Mas eu também sei que, em 2019, as pessoas mais interessantes que eu conheço foram aquelas que, mesmo sem pisar em Woodstock (ou jamais chegarem perto disso), apreciaram todo aquele evento musical como algo revolucionário. Que não se encheram de pré-conceitos e receberam de verdade a ideia de olhar para um mundo com mais amor como algo possível.

Se você nasceu em 1950 ou depois disso, você é um privilegiado. Mesmo de longe, testemunhou um momento histórico. Woodstock foi o que permitiu que as vovós de hoje se tornassem malucas mas, ao mesmo tempo, mulheres cheias de vida. Foi o que permitiu que os vovôs de hoje andem de moto e se sintam garotões para transmitir aos seus netos o que a vida tem de melhor.

E pensar que as próximas gerações serão ainda mais revolucionárias.

Aos filhos de Woodstock, parabéns pelos 50 anos. Eu quero ser como vocês no futuro.


Compartilhe