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Aguente firme. Você não está sozinho.

Dias e noites solitárias. Madrugadas solitárias. Jornadas de vidas solitárias, mesmo em um planeta com 7 bilhões de pessoas. A solidão. A depressão.

Não ter com quem conversar. Não ter quem te ouvir. Não ter quem você possa ouvir. Viver doente em uma sociedade doente. Procurar a cura em pessoas que não podem ou não querem te curar. Tentar a cura para todo o mal. E perceber que o maior mal é viver só, no meio de tanta gente que busca a mesma cura que você.

Eu entendo tudo isso que você sente. Já me senti assim tantas vezes, que não consigo mais contar. Nesse momento, enquanto escrevo esse texto, eu me sinto assim. Mas… eu repito e insisto: aguente firme, pois você não está sozinho.

Eu sei que está doendo. Sei que está doendo muito para você, e sei também que ninguém quer sentir dor. Porém, somos humanos. Frágeis. Sentimentais. Todo o nosso organismo é composto de terminações nervosas, que são irremediavelmente sensíveis a muitas coisas. Aliás, só somos diferente de todos os demais animais porque sentimos. Porque podemos racionalizar o que sentimos.

Se sentir mal assim é até uma defesa do seu corpo. É uma forma do seu corpo tentar curara a sua mente e o seu coração do que te faz sofrer. Logo, se você tiver vontade de chorar… chore. Porque todo mundo chora. Nesse exato momento, com certeza tem alguém que você conhece chorando, por algum motivo. Quem sabe você pode ajudar essa pessoa, chorando com ela?

Mas… chore. Porque todos choram.

Chorar ajuda a aliviar o peso nos seus ombros. Ajuda na sequência dessa caminhada. Eu digo isso porque, invariavelmente, esse peso que você hoje carrega vai continuar por algum tempo. É um peso que não desaparece de repente, e que você terá que lidar com isso de alguma forma, em algum momento.

Chorar vai te ajudar a respirar. Respirar vai oxigenar seu cérebro, que vai trabalhar melhor, enviando comandos para o seu coração bater mais forte, de modo que a corrente sanguínea vai correr mais rápido pelas suas veias… e aí sim você poderá carregar seu peso de forma mais efetiva. Vai poder suportar o sofrimento com coragem.

Porque… uma coisa é certa: todo mundo sofre nessa vida. Não é só você.

Eu sei… ninguém gosta de sofrer. Nós, seres humanos, não estamos aqui para sofrer. Não sabemos lidar com as mazelas emocionais. Não fomos criados para isso.

É surreal perceber que o ser humano sofre por ser solitário em um mundo cheio de gente. Ao mesmo tempo, é mais surreal ainda ver pessoas que sofrem pelas mãos de outras pessoas que, por não entenderem o interior do ser humano, acaba ferindo os sentimentos alheios.

Vivemos hoje em um tempo onde as redes sociais, que deveriam aproximar, só distanciam. Vivemos o tempo onde amizades acabam por causa de likes em uma postagem, ou por conta de uma humilhação que alguém em busca da popularidade virtual promove em relação ao próximo.

Nos tornamos insensíveis e egoístas digitas.

Na verdade, tais práticas sempre existiram. Só escolhemos agora a tecnologia para propagá-las.

Mas… a mesma tecnologia usada para ferir pode sim ser usada para curar. É o que tento fazer com você nesse exato momento.

Para você, que está lendo esse texto… se você está pensando em colocar um fim em tudo por conta do seu sofrimento, eu peço… eu imploro…

Aguente firme. Pois você não está sozinho.

Procure conforto em alguém que você possa confiar. Não tenha receio de incomodar as pessoas, e tente tantas e quantas vezes forem necessárias. Alguém, em algum lugar, está esperando você para te ouvir e te abraçar. Alguém anseia em enxugar suas lágrimas. Alguém que te ama muito quer te ajudar a acabar com o seu sofrimento.

Quando encontrar com essa pessoa, você terá mudado a sua vida para sempre. Pois nunca mais estará sozinho na caminhada. Terá a certeza que tem alguém como companhia em seu coração.

E, se eu pude te ajudar com esse texto, humildemente eu peço: passe essa ideia adiante. Ajude outras pessoas.

Porque todos nós choramos. Todos nós estamos machucados.

Todos nós sofremos. Em algum momento.

Quem sabe… agora.

 

 

“Everybody Hurts”
(Bill Berry, Michael Stipe, Mike Mills, Peter Buck)
R.E.M., 1993


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