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Uma F1 2015 que começa com cara de “F1 2014 2.0”. O GP da Austrália de 2015 foi uma prova interessante… da terceira posição para trás. O monopólio da Mercedes continua, com Hamilton ditando as regras, e Rosberg praticamente ‘escoltando’ o britânico. Logo, nem vale muito a pena se preocupar muito com eles. Vamos falar dos demais.

Em uma prova onde muita gente se preocupou com a durabilidade dos motores e com a resistência dos pneus, ver apenas 15 carros largando é algo que chama a atenção (negativamente falando). Tudo bem, diversos motivos contribuíram para isso: a Manor não conseguiu colocar os seus carros na pista (falta de grana, talvez), a McLaren estava tão mal, que Kevin Magnussen não largou, Valteri Bottas não alinhou por uma contusão na lombar… ou seja, uma combinação de acontecimentos diferentes. Mesmo assim, é o menor grid alinhado desde a década de 1980. É preciso ligar o sinal amarelo para esse complicado momento de crise econômica na categoria.

Lembrando: antes que você acredite em uma certa senhora que fala um monte de mentiras em rede nacional, a crise que hoje atinge a F1 está relacionada com a grande crise financeira de 2008. Os contratos de longa duração acabaram, e há quem diga que a era do ‘patrocinador master’ na categoria simplesmente chegou ao fim. Só o tempo vai dizer se essa profecia se confirma ou não.

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O ‘melhor do resto’ foi Vettel, que chegou em terceiro. O resultado mostra que a Ferrari tem sim um carro melhor em 2015 do que aquele apresentado no ano passado. Porém, é preciso observar que o alemão só alcançou o pódio porque a Williams (mais uma vez, de novo, como sempre) errou na estratégia de pit stops de Felipe Massa, que ficou encaixotado no Ricciardo na volta da troca de pneus, e perdeu tempo precioso. Com isso, Massa ficou em quarto, o que não deixa de ser um bom começo.

Entendo que Ferrari e Williams são as equipes que podem, com o passar do tempo, tentar se aproximar da Mercedes. Pelo menos para dar um pouco de trabalho para Hamilton e Rosberg. Por outro lado, a diferença técnica é tão grande, que não imagino esse quadro mudando tão cedo.

Um destaque especial – e óbvio – para Felipe Nasr, que apesar de um final de semana tumultuado, conseguiu conduzir a Sauber para uma quinta posição. É a melhor estréia de um brasileiro na categoria, e um resultado surpreendente para a equipe da Monisha Kaltenborn, que não fez um dos treinos de sexta-feira, e teve que lidar com as questões jurídicas envolvendo o Guido Van Der Garde (quem mandou vender duas vagas para três pilotos, não é?).

Será que a Sauber pode mesmo oferecer um carro competitivo para a temporada? Acho cedo para dizer que ‘sim’, mas para uma primeira prova, é um resultado que dá uma certa esperança para uma resposta positiva.

O destaque surpreendentemente negativo foi o da McLaren. Entendo que esse foi um dos piores finais de semana da história da equipe, e com certeza o seu pior início de temporada se levarmos em consideração que estamos falando de uma equipe com estrutura gigante. Já era de conhecimento público que a equipe treinou muito pouco durante a pré-temporada desse ano, e o misterioso acidente com Alonso serviu para tornar esse período ainda mais complicado para eles.

O que torna tudo surreal é ver os dois carros da equipe no final do grid de largada. É claro que eu compreendo que, para a Honda – que retorna à categoria esse ano -, a F1 é algo completamente novo, onde eles precisam reaprender algumas coisas. Porém, a impressão que deu nesse final de semana na Austrália é que tudo vai começar do zero, e que o trabalho será muito árduo para colocar a equipe nos eixos. Button e Alonso terão um ano realmente muito difícil, e os dois terão que influenciar positivamente no desenvolvimento do carro e até do motor. O expertise dos dois será colocado à prova para que a equipe apresente resultados melhores.

Até porque, nesse momento, eles estão no fundo do poço.

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Sobre a Mercedes? Vão bem… igualzinho como era em 2014.

Hamilton e Rosberg dominaram completamente, não tiveram dificuldades, e o que é pior: Rosberg não ameaçou a vitória de Hamilton em nenhum momento.

Em 2014, eu fui um pouco criticado quando disse que Hamilton era mais piloto que Rosberg, e que seria campeão do mundo quando a temporada não estava nem na metade, onde ele estava atrás de Rosberg na pontuação geral. E todo mundo viu o que aconteceu. E não falo isso só porque o inglês chega na frente: ele colocou 0.6s de vantagem em relação ao alemão, o que mostra que não só a Mercedes está ainda melhor que as demais, mas que Hamilton começa tirando vantagem dessa melhora, dominando o companheiro de equipe com relativa facilidade.

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O pódio de hoje pode ser um esboço da relação de forças do início da temporada, onde Vettel aparece como ‘o melhor entre os mortais’ (não descarto Alonso como melhor da turma, mas com a McLaren do jeito que está, não imagino ele fazendo algo de muito útil). O que nos resta é torcer para que Ferrari e Williams mostrem alguma evolução, e rápido. Caso contrário, será de novo o duopólio Hamilton/Rosberg, onde o inglês vai dominar o alemão na maioria das pistas.

Ah, e torço por mais Arnold nas entrevistas após a corrida! :)

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