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Tudo o que eu esperava para o GP da Malásia 2015 NÃO aconteceu. Felizmente. Eu esperava chuva, uma prova chata, um domínio da Mercedes, mais uma vitória do Hamilton… e aconteceu TUDO diferente. E que bom que foi assim. Talvez o GP da Malásia seja o início de um novo cenário para a F1, que pode sim ser diferente do monólogo que foi em 2014.

Para começar, a chuva só veio no sábado. No domingo, a prova toda em “condições normais de temperatura e pressão”. Isso fez muita diferença na estratégia de pit stops para todas as equipes, e esse fator decidiu a corrida. A Ferrari acertou ao manter Vettel na pista quando os ponteiros (incluindo Hamilton e Rosberg) pararam durante a janela de Safety Car. E só fez isso porque sabia que tinha um carro equilibrado e potente para obter uma boa performance e com um menor consumo de pneus.

Isso não quer dizer que a Mercedes não está com o melhor carro do grid. Ainda está. Mas diferente de 2014, onde a equipe prateada deslanchou na frente dos demais em qualquer tipo de pista, em 2015, existe pelo menos uma equipe que pode bater de frente em pistas com característica de autódromo permanente, com um asfalto mais abrasivo, onde o consumo de pneus é um fator mais determinante. Tal como aconteceu hoje na Malásia.

A evolução da Ferrari não é só de motor. O projeto do carro nasceu muito bem. E hoje isso ficou provado. Vettel manteve um desempenho impecável o tempo todo, e em nenhum momento foi ameaçado pelas Mercedes no quesito performance. Talvez a maior ameaça estava na estratégia de pit stops, que teoricamente favoreceria ao Hamilton, que poderia fazer as 17 voltas finais com os pneus médios, e superar Vettel na pista.

Mas como o engenheiro da Mercedes decidiu usar de “salto alto” no final da prova…

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O erro da Mercedes não tira os méritos da Ferrari nesse final de semana na Malásia. Faz muito tempo que a equipe vermelha não tem um final de semana tão bom. Não falo só pelo resultado, mas por mostrar na pista que tem sim um carro que pode bater de frente com a equipe dominante da categoria. Sem falar que a equipe mostra dessa vez uma sólida evolução, o que aumentam as chances de um campeonato equilibrado para 2015.

Para a Mercedes, não é o fim do mundo. O pódio ainda é um excelente resultado, e a equipe não retrocedeu. O que acontece é que a Ferrari está se aproximando, e eles terão que trabalhar de forma mais atenta nesse ano. Não só pensar na velocidade final, mas também em como o carro pode entregar um desempenho melhor em circuitos permanentes. Talvez o problema de desgaste de freios revelado na segunda metade do ano passado ainda se faça presente (eu disse TALVEZ), mas acredito que a Mercedes também tem margem de melhora para 2015.

E tudo isso pode fazer com que o campeonato seja mais emocionante. Para a nossa alegria.

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Talvez a decepção da prova da Malásia está na equipe Williams, e ainda assim, com algumas ressalvas. Digo ‘decepção’ porque muitos esperavam um desempenho melhor da equipe com a ausência da chuva e em uma pista com características que favoreciam aos carros de Bottas e Massa. No final das contas, a quinta e a sexta posição (nessa ordem) fica um pouco abaixo do esperado.

Aliás, alguns pontos de interrogação começam a ser levantados em relação à Williams. Muitos imaginavam que esta seria a equipe que bateria de frente com a Mercedes, por conta de ser a equipe que mais se aproximou dos prateados na segunda metade do campeonato de 2014, e pela presença do motor Mercedes. Porém, as duas primeiras provas deixam claro que, pelo menos nesse começo, a Ferrari está na frente nesse papel de principal ameaça ao duopólio Hamilton/Rosberg.

Vamos ficar de olho no desempenho da equipe na China. Se o cenário se repetir, o sinal amarelo para a equipe será ligado.

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E a McLaren? Que lixo, hein?

Para mim, a Manor não existe. Logo, Alonso e Button largaram na última fila. Ponto final. E durante a corrida, por mais que os dois se esforçassem, ficar brigando por posições no final do pelotão não é, nem de longe, o melhor cenário para a equipe inglesa, levando em conta a sua estrutura e todo o investimento que é feito por eles na categoria.

Ok, eu compreendo que a Honda está apanhando para compreender como é a nova F1, e que esse motor ainda tem que evoluir. Aliás, eu acho que a McLaren vai mesmo evoluir ao longo de 2015. Afinal de contas, eles não são a equipe mais vencedora da história da F1 à toa. O time de Ron Dennis sempre foi muito competente para desenvolver projetos, e não foram poucas as vezes que a equipe enfrentou altos e baixos, saindo do buraco para depois oferecer carros vencedores.

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Porém, já faz algum tempo que a McLaren não tem um carro realmente em condições de brigar por um campeonato. A impressão que dá é que a equipe perdeu o rumo, e não tem perspectivas de achar uma solução a curto prazo. Trazer Alonso para o time pode ser uma das soluções (afinal, ele é o melhor piloto da categoria), mas… até que ponto?

Historicamente, Alonso é centralizador ao extremo. Curiosamente, na primeira vez que o espanhol passou pela McLaren, isso não funcionou. E na Ferrari, também não. Será que Alonso vai mais ajudar ou atrapalhar o time inglês? Até que ponto Alonso é bom o suficiente para ajudar no desenvolvimento de um carro? Que ele é bom piloto, eu não tenho dúvidas. Mas começo a questionar a sua capacidade de passar um feedback produtivo para os engenheiros, visando a evolução de um carro.

Sabe aquela coisa do “eu faço o que posso, e é obrigação de vocês me darem um carro melhor – pois eu não vou ajudar vocês nisso”? Enfim, é só uma impressão. O tempo vai dizer se essa impressão se confirma ou não.

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Por fim, um registro final.

Essa é a 40ª vitória de Sebastian Vettel na F1. E poucas vezes eu vi um piloto com esse número de vitórias comemorar tanto uma vitória.

Foi comovente ver a alegria do alemão no final da corrida. Igualmente comovente a alegria da equipe Ferrari ao comemorar essa primeira vitória de Vettel no time vermelho. A impressão que dá é que Vettel está na Ferrari há dez anos, e que todo mundo está pensando e trabalhando em um objetivo comum. E eu não via isso na “era Alonso” na Ferrari.

E isso faz toda a diferença.

Muita coisa mudou na Ferrai. Não foi apenas o Vettel. O ‘sistema nervoso’ da direção técnica do time foi reformulada, e tudo indica que a filosofia do time mudou sensivelmente. Isso se reflete no astral do time. E, acreditem: não é uma coincidência esse carro ser tão competitivo quanto a Mercedes. E isso, na segunda corrida do campeonato.

Hamilton e Vettel estão separados por apenas três pontos. Quem diria que a F1 2015 começaria assim?

Daqui a duas semanas, GP da China.