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O primeiro reator nuclear de fusão apareceu na década de 1950, e o mundo ainda sentia os tremores das bombas atômicas lançadas na Segunda Guerra Mundial. E o que a Ford pensou na época foi: “por que não fazer um carro atômico?”.

A energia atômica prometia ser uma energia limpa e segura. E, de certo modo, é. Porém, entrega riscos muito maiores que não eram muito considerados na década de 1950. Muitas empresas buscavam um uso para essa tecnologia, e a Ford apresentou ao mundo um dos seus projetos mais ambiciosos: o Ford Nucleon.

 

 

 

Um reator nucelar embaixo do capô

 

 

O Ford Nucleon foi (felizmente ou infelizmente) apenas um conceito que nunca se materializou (no máximo teve maquetes em escala). Ele iria receber em seu interior um reator nuclear, em um carro com design futurista e a frente do seu tempo.

O Ford Nucleon já pensava em ser um carro com energia limpa e “segura”, com baixo ruído e com alimentação por núcleo de urânio, que era trocado de tempos em tempos. Sua autonomia prometida era de 8.000 quilômetros.

Sua configuração do reator interno era similar ao que foi implementado em submarinos nucleares, mas em escala menor. Através da fissão do urânio, ele aquecia um gerador de vapor que impulsionava à pressão um conjunto de turbinas, que moveriam o carro e gerariam eletricidade para o veículo. No final da viagem, o vapor seria esfriado e condensado novamente em água para repetir o processo quando necessário.

Desse carro com design futurista, quatro características de se destacam:

 

1) Cabine de assentos adiantada: inclusive à frente do eixo dianteiro do carro, para deixar espaço para o enorme reator nuclear na parte traseira, além de compensar (em partes) o peso do reator e deixar uma distância dos passageiros para o núcleo de urânio.

2) O enorme para-brisas: combinado com as luas dianteiras do carro (onde estão as portas desse carro?).

3) As entradas de ar: várias na parte frontal e nas laterais, talvez para resfirar melhor o interior do carro.

4) As aletas traseiras: aqui, é mais pela estética do que pela aerodinâmica, garantindo o ar futurista do carro.

 

 

 

Otimismo e ingenuidade deram as mãos

 

 

Talvez o melhor do Ford Nucleon é permitir ver em perspectiva o otimismo da sociedade da época sobre a energia nuclear. Otimismo e ingenuidade, pois esse carro tinha chances enormes de ser um desastre radioativo ambulante, e ninguém se deu conta disso na época.

Agora… por que o Ford Nucelon nunca chegou ao mundo?

A Ford dependia dos avanços no desenvolvimento de reatores nucleares menores (algo que só vemos acontecer agora e, mesmo assim, em partes), e precisava também de materiais para blindar o núcleo, algo que também não aconteceu. Colocar um reator nuclear em um carro era algo impossível naquela época, sem falar nas preocupações sobre o uso dessa energia, seu impacto no meio ambiente e os perigos da radioatividade para as pessoas.

 

 

Logo, só resta hoje para nós o exercício de imaginação: já pensou nas cidades cheias de carros com pequenos reatores nucleares se deslocando pelas ruas?

Provavelmente você vai parar de pensar nesse cenário quando ouvir as palavras Chernobyl e Fukushima.

 

Via Archive TodayInternet Archive


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