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Forza Horizon 5 é a prova que o gamer do PlayStation sempre quis os exclusivos do Xbox

O tempo é sempre o senhor da razão.

Ao longo de praticamente duas décadas, ouvimos os fãs do PlayStation afirmando de forma categórica, quase que em tom religioso (em alguns casos, era uma autêntica pregação) o seguinte:

“Não precisamos dos jogos do Xbox no nosso console da Sony, pois nossos jogos são melhores”.

Aí, quando olhamos para aquele que é, talvez, o melhor exemplo de como esse falatório era um papinho furado de recalcado, sentimos aquele alívio em saber que a gente sempre estava certo quando afirmava que “a fala só era essa porque os jogos eram exclusivos”.

Todo mundo gosta de jogo bom, e isso é fato.

E todo mundo sabe que Forza Horizon 5 é um jogo simplesmente sensacional.

 

Saindo do lugar comum

Foi incrível a forma em como a franquia Forza Horizon se reinventou e, ao mesmo tempo, manteve a sua essência.

Jogos de carros existem aos montes. E colocar carros em um circuito fechado para disputar corridas para descobrir qual é o veículo mais potente, ou o piloto mais habilidoso era “o lugar comum” do segmento.

O PlayStation já tinha um jogo de carros para chamar de seu, e não era um jogo qualquer: Gran Turismo foi o game de referência para os gamers da Sony, e motivo de orgulho dessas pessoas, e com razão. Afinal de contas, era mais imersivo e divertido que o Forza Horizon tradicional.

Então, a dupla Turn 10 Studios e Playground Games olhou para o lado, viu o sucesso estrondoso que jogos como Fortnite e PUBG estavam fazendo, e pensou: “por que não fazer o mesmo?”.

Jogos de mundo aberto não são uma novidade no mundo dos videogames, mas jogos de carros em mundo aberto é um passo adiante muito interessante. É diferente de desenvolver um campeonato mundial de Fórmula 1, ou um Top Gear da vida, que passa por vários países em circuitos fechados.

A ideia aqui era criar um mundo gigantesco e extremamente complexo, onde você pode ir para praticamente qualquer lugar, permitindo a interação com outros jogadores ao redor do planeta, e entregando uma narrativa imersiva e diretamente conectada com a cultura pop.

A fórmula de Forza Horizon deu certo desde o primeiro jogo, que tomou de assalto os consoles Xbox. É uma das minhas franquias preferidas, me entregando uma diversão quase singular.

E cinco jogos depois, o game está no seu auge.

 

Um dos melhores jogos da história

Não é exagero dizer que Forza Horizon 5 é um dos melhores jogos de videogames da história, pois consolidou todo esse movimento de mudança e inovação construídos ao longo de quase duas décadas.

O game entrega, em uma escala muito maior que o game original, uma jogabilidade acessível para o grande público, mas que ainda mantém o interesse dos mais experientes. E faz isso, em uma atmosfera envolvente e divertida.

Mas quando olhamos para os números de vendas e potencial receita para a Microsoft pelo simples fato de ter o jogo disponível para a plataforma PlayStation, compreendemos claramente que não só estamos diante de um sucesso absoluto, como também de uma quebra de narrativa sobre o “não precisamos dos exclusivos do Xbox no console da Sony”.

O @oleoizzo fez uma “conta de padaria” com base nos dados mais recentes que foram compartilhados pela própria Sony sobre o volume de vendas de Forza Horizon 5 no ecossistema PlayStation.

Eu já escrevi sobre o assunto no blog, mostrando como isso aqui é “parcialmente humilhante” para a própria Sony que, neste momento, tem que engolir que os jogos mais vendidos de sua plataforma são títulos bancados pela Microsoft.

Aos números:

Forza Horizon 5, já vendeu mais de 2 milhões de unidades no PlayStation. A versão base foi lançada a $59/R$249 enquanto a versão premium a $99/R$399. Atualmente são vendidas com 20% de desconto.

Não sabemos quantas unidades de cada foram comercializadas, então vamos usar uma média de $40.

– 2.000.000 de unidades x $40 = US$ 80 Milhões.

  • 70% para a Microsoft: = $56.000.000
  • 30% para a Sony = $24.000.000

A Microsoft levantou mais de US$50 milhões com um jogo de 3 anos e meio de vida. Agora imagina a receita total com todos os jogos já disponíveis, e a quantidade de conteúdos que serão investidos para chegarem Day One no Game Pass.

Nada mal para quem está em constante falência.

 

O que podemos aprender com os números?

Para quem vai apelar para “os números são frios, e você não pode determinar a popularidade de um jogo com base apenas nos dados”, além de achar o seu argumento tão sólido quanto água, eu digo que tudo nessa indústria se trata de números.

Em teoria, a Microsoft está ganhando uma grana violenta com um jogo que vai para o seu quarto ano de vida, com a façanha de ser líder de vendas na plataforma rival. Em um passado não muito distante, isso era algo inimaginável.

E como não temos jogos relevantes exclusivos para a atual geração de consoles da Sony (que vendeu falsas promessas para os jogadores esse tempo todo), a tendência de aumento no volume das vendas dos jogos da Microsoft (e não só de Forza Horizon 5) é crível.

Logo, afirmar que o jogador de PlayStation nunca quis os jogos exclusivos do Xbox rodando no console se confirma como uma mentira, ou discurso de recalcado. E dizer que não quer hoje é não olhar para os números de forma objetiva.

Podemos até discutir a qualidade dos jogos de cada plataforma. Insisto que o PlayStation possui exclusivos de altíssima qualidade, principalmente nos aspectos narrativos.

Porém, o tempo mostrou que, na primeira oportunidade, os gamers do PlayStation foram atrás dos exclusivos do Xbox como pessoas sedentas por água no meio do deserto.

Até porque, além da qualidade inquestionável de Forza Horizon 5, entra na equação o fato de o PlayStation 5 ser uma geração do “grande vale do nada” de jogos exclusivos e novidades.

E Forza Horizon 5 no PlayStation ganhou esse protagonismo. É uma novidade que atende aos anseios dos jogadores do console da Sony.

Sim. Os números são frios.

Mas neste caso, aquecem a conta bancária da Microsoft.