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Liberdade.

A tão sonhada liberdade.

Aos poucos eu estou fortalecendo as asas que foram quebradas pelas ações do tempo, desafiando o vento e as tempestades. Voar contra o vento é buscar o desafio. É me desafiar. É valorizar a minha liberdade da forma mais preciosa. É exercitar a minha capacidade de perder o medo para aumentar a minha força e conquistar novas habilidades.

A liberdade me deu pés para caminhar em terrenos escorregadios e lamacentos, sem medo de afundar ou deixar os calçados atolados. Hoje eu sei que, se eu ficar descalço, posso caminhar no asfalto em dia de sol quente, ou no gramado na tarde chuvosa. E, mesmo assim, vou caminhar de forma livre e com passos firmes, sempre em direção ao progresso, o destino inevitável daqueles que anseiam por dias melhores.

Meus olhos não estão mais fechados. A liberdade me deu visão plena para obter uma visão periférica dos acontecimentos diante de mim. Aliás, “ver” é diferente de “enxergar”: no primeiro, temos acesso à informação; já o segundo permite obter detalhes sobre tudo o que vejo. Mas ao mesmo tempo em que eu posso enxergar o caminho, eu posso ver as paisagens e cenários maravilhosos ao meu redor, compreendendo como a minha jornada pode ser gratificante por constatar visões tão plenas.

Hoje, eu também tenho um olhar mais voltado para o frente, mas sem tentar projetar tanto o futuro. O passado já foi, e esse futuro não me pertence. Não tentar adivinhar ou prever como será o amanhã está me dando a liberdade em aproveitar o hoje de forma mais intensa, reconhecendo que parte da minha felicidade está aqui, hoje e agora.

O tempo me presenteou com a liberdade em ter as mãos livres de amarras psicológicas e correntes sociais para poder expressar respeito através do aperto de mão, gentileza pelo braço dado para uma amiga caminhar e amor pelo abraço apertado que dou e recebo. Minhas mãos se transformaram em ferramentas para compartilhar a informação e conhecimento, contribuindo assim com o progresso do coletivo. Mas as minhas mãos também podem produzir palavras de conforto e esperança para quem não encontra mais palavras para expressar as dores da alma.

A tão sonhada liberdade me deu uma mente alerta, uma espinha ereta e um coração tranquilo.

Hoje, eu raciocino mais e melhor. Me tornei mais sábio, mas sem perder o desejo em absorver conhecimento técnico e aprender com o próximo as lições que me faltam para ser ainda melhor.

Meu corpo está mais saudável, e ser um homem livre removeu o peso metafórico dos erros do passado. Hoje, eu não me curvo mais para os meus defeitos, encarando os problemas de frente, com coragem.

A liberdade do auto perdão acalmou meu coração. Cada vez menos ele sofre pelas decepções, já que cada vez mais eu procuro compreender o próximo para não sofrer pelas falhas alheias. Ao mesmo tempo, passei a ouvir mais a voz do meu coração para seguir por um caminho que me entregasse lugares fantásticos e dias felizes.

A liberdade.

A tão sonhada liberdade me deu voz para que você me ouvisse cantar, falar e transformar a minha fala em palavras, que são frias aos olhos, mas calorosas para quem tem um coração aberto. Hoje, eu sou livre para expressar pensamentos e sentimentos, compartilhar ideias e fazer declarações de amor. A liberdade de me expressar de forma passional e transparente é o que faz com que a minha voz seja ouvida por outros que enxergam e ouvem a vida como eu.

Ser livre como um pássaro é um desafio constante. É um exercício de paciência e resiliência. Pessoas livres são corajosas e revolucionárias. E apenas os livres podem mudar o mundo.

Hoje, eu me vejo como um revolucionário da minha própria história. Porque, um belo dia, eu decidi me libertar de mim mesmo, destruindo cordas e correntes que me aprisionavam.

E eu não poderia me sentir mais feliz por ser um ser humano livre.

 


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