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Liberdade.

A palavra que mudou minha vida.

Escolhi ser livre. Defendo minha liberdade com unhas e dentes. Quero, desejo e tenho o direito de ser livre de forma ampla e irrestrita. Lutei por ela. Conquistei ela. Dediquei minha vida por ela. E me certifico, a cada dia, que não vou perder a minha liberdade. Custe o que custar.

Os motivos para que eu me dedique ao máximo à minha liberdade são os mais diversos.

Eu passei parte da minha vida sem essa liberdade. Não falo do tempo de casado. Falo de antes disso. Eu era limitado por mim mesmo, criava minha prisão em um ambiente de isolamento emocional que não permitia que eu expandisse as minhas possibilidades. Eu estava me prendendo para o mundo, deixando de aprender com as pedradas e feridas. Tinha medo de me ferir. Por isso, não queria me expor. E liberdade é, automaticamente, exposição.

Quando você entende isso, você começa a perder o medo das coisas, o medo do mundo, e o medo das pessoas. Mas o mais importante medo que você perde é o de machucar as pessoas com as decisões que priorizam a sua liberdade. Você entende que não agrada as pessoas o tempo todo, porque quando você faz isso, você se limita e se prende novamente. E não… não são as pessoas que você tenta agradar que prendem você. É você mesmo.

Aliás, liberdade é não ter medo de se machucar, muito menos medo de causar mal estar nas pessoas com as suas decisões.

A minha liberdade de expressão… é algo sagrado.

Quando me dei conta que havia perdido esse direito dentro da minha própria família, eu me tornei livre. Quebrei as correntes e as travas que me prendiam, e decidi inclusive fazer esse projeto. Eu jamais aceitava o fato de não ter os mesmos direitos de expressão dos demais, ou por ser mais novo, ou por ser aquele que tomou as decisões mais surpreendentes. Ou por não querer viver preso na hipocrisia dos fatos.

Eu busquei a minha liberdade de pensamento, palavras e atitudes. Optei por buscar em outros lugares as pessoas para me ouvir. Optei pela internet como o meu megafone para contar a minha versão dos fatos.

Me tornei livre quando deixei para trás qualquer tipo de remorso e culpa. Quando decidi efetivamente me perdoar de todos os posicionamentos que tomei e que não agradaram a todos. Afinal de contas, se a minha forma de pensar não estivesse em contradição com os meus conceitos morais e éticos, eu não precisava mais me preocupar com a opinião dos outros. Era simplesmente uma discordância baseada em convicções.

A minha liberdade… não pode ficar na mão de ninguém.

Quando me dei conta que estavam querendo controlar o meu futuro através de uma decisão insensata, que nem eu mesmo sabia que estava acontecendo, eu decidi ser livre. Decidi acabar com algo que era muito importante para mim, com um sentimento que dediquei mais da metade da minha vida. Apenas e tão somente porque eu não aceitava ter o meu futuro controlado por pessoas que não tinham o direito de fazer isso.

Me acusaram de não ter sentimentos. Me acusaram de não saber perdoar. Me acusaram de não saber amar.

Sentimentos eu tenho. Um monte. Mas mas tenho vários sentimentos por mim que chegam na frente.

Saber perdoar, eu sei. Só que perdão não significa ter amnésia, mas sim não desejar o mal a quem te feriu.

Saber amar? Eu sei. Pra caramba. Mas aprendi a me amar antes de qualquer outra coisa.

Aprender a se amar… é liberdade.

Quando você se ama, você se respeita. Você se prioriza. E começa a amar os outros de forma melhor e mais livre. Você passa a enxergar os outros com olhos de alegria e prosperidade. As pessoas notam isso no seu olhar. Liberdade gera felicidade. E felicidade é sinônimo de liberdade.

Porém…

Aprendi a ser livre quando parei de mentir para mim mesmo.

Quando parei de me iludir com as pessoas, quando parei de enganar meu coração.

Quando me dei conta que eu precisava de uma faxina interna, de uma reforma íntima, de uma reciclagem nos meus conceitos sobre como seguir vivendo, eu me libertei daquilo que estava morto dentro de mim, e nem eu sabia. Destruí a imagem de querer ser alguém perfeito, de exigir que tudo o que eu faço saia perfeito, e exigir a perfeição dos outros. Passei a aceitar que eu erro, que todos erram… e que estamos em constante processo de aprendizado.

Eu ainda estou aprendendo essa última parte. Às vezes me vejo sendo exigente demais comigo mesmo, e entendo que essa é uma armadilha que meu emocional ainda prega comigo, para que eu volte a sentir medo… de mim mesmo. E hoje, eu não preciso mais ter medo de nada disso.

Quando você retira a máscara e a fantasia que você cria para o mundo, você se liberta. Você tem a chance de mostrar para todos quem você é, e ser aceito pelo o que você é. Descobrir as pessoas que te amam de verdade, que reconhecem em você alguém digno de confiança e amizade. Passa a ser livre para receber em seu coração as pessoas que abraçam você, com qualidades e defeitos.

Você se torna livre quando se torna mais humano. Quando passa a ser você mesmo, e nada mais.

George Michael compôs “Freedom! ’90” em um momento muito importante de sua vida. A música mais importante de sua carreira é também a mais conhecida. Ao mesmo tempo, essa é a sua mais corajosa canção, pois foi através dela que ele contou ao mundo que, por anos, vendeu um rótulo. Nessa música, ele retirou sua máscara, destruiu a imagem que ele mesmo criou. Se despiu emocionalmente ao mundo.

Se tornou livre ao se declarar homossexual.

Não… eu não sou homossexual. Mas o desejo de liberdade pessoal é o mesmo.

Eu entendo exatamente o que George Michael quis dizer nessa canção. Cada palavra.

Eu vivi isso. E vivo até hoje.

A liberdade não me decepcionou.

Bastou eu ter um pouco de fé, e transformar as minhas mentiras em minhas verdades.

E seguir em frente na minha jornada. Passo a passo. Dia após dia.

Defendendo a minha sagrada liberdade.



“Freedom! ’90”
(George Michael)
George Michael, 1990


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