Um dos grandes problemas da personalização do Android é a infestação de bloatwares que cada instalação traz. E, para muita gente, rootear o smartphone não é uma solução viável.

O mais grave de tudo isso é o preço que a personalização cobra dos próprios fabricantes, ainda mais com o fato deles serem obrigados a adicionar os serviços da Google para contar com suporte oficial à Google Play Store.

Isso fez com que a Google fosse multada pela União Europeia, sob a acusação de obstruir o desenvolvimento do sistema operacional, sem falar nos dados que coleta dos usuários por contar com todos esses apps no dispositivo de forma forçosa.

E isso, porque nem estou mencionando a quebra da privacidade dos usuários, que é quase nula, o que justifica a existência de leis relacionadas à GDPR.

Com tal cenário, Sundar Pichai (CEO da Google), chegou a ventilar que o Android poderia deixar de ser gratuito. Esse custo seria cobrado dos fabricantes que, muito provavelmente, cobrarão a diferença do consumidor. Não é algo factível, especialmente pelo momento que o Android vive hoje.

O mais provável é fazer o mesmo que a Microsoft fez com o Windows: oferecer opções de escolha ao usuário na primeira ativação.

Porém, se forçar a pré-instalação de determinados aplicativos é ilegal (pois é concorrência desleal), e não permitir a desinstalação de tais apps é imoral, é importante lembrar que o seu uso não é obrigatório, e há várias alternativas tão boas no mercado.

Mas a realidade é outra: os apps da Google são tão bons e de graça, que ninguém vai nem ligar para a questão da privacidade para abraçar a praticidade.

Muita gente aceita as regras do jogo sem saber, pela pura conveniência. Ninguém quer pagar por nada nesse mundo, e o que a Google oferece hoje nos smartphones é o suficiente para a maioria.

Vale lembrar que, hoje, se quisermos, podemos cobrir todas as alternativas do Google com versões gratuitas de softwares de terceiros. Mas… quem quer ter o trabalho de correr atrás disso? Sem falar que, de novo, as pessoas amam coisas de graça. Porém, elas se esquecem que tem sempre alguém pagando a conta.

E, quando o produto pede os seus dados e a aprovação de termos de serviço, bem sabemos que o produto é o usuário. Simples assim.

Ou seja, chegou a hora da Google não estender mais uma situação insustentável. Deixe o Android limpo e universal para todos os fabricantes, e dê alternativas para os usuários escolherem os serviços e apps que quer usar.

Um cenário universal e mais justo pode garantir uma quantidade menor de problemas. O Windows é a prova do que eu estou falando.