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Grey’s Anatomy joga contra a doação de órgãos?

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Quem diria que Grey’s Anatomy, uma série médica que fala em boa parte do tempo na luta dos médicos em salvar vidas todos os dias, fosse acabar como uma ferramenta negativa… para salvar vidas.

E, diferente do que você pode imaginar, eu não estou falando dos plot twists absurdos ou mortes de personagens queridos cruelmente planejados por Shonda Rhimes desde 2005 (coitada… nem é ela mais a showrunner principal da série, e ainda leva a culpa pelas desgraças que acontecem na trama…).

Pois é… Grey’s Anatomy, uma das séries mais assistidas nos Estados Unidos, é também um desserviço para a doação de órgãos.

 

 

 

Uma visão negativa sobre a prática de doação de órgãos

Quem afirma isso é Susan Morgan (da Universidade de Purdue) e Brian Quick (da Universidade de Illinois), que analisaram durante anos o impacto das ficções médicas na sociedade. Ou seja, se serve de consolo, a culpa não é exatamente de Grey’s Anatomy, mas sim do dramatismo inerente ao formato televisivo.

Em 2014, a dupla publicou um estudo chamado “A visão de Grey’s Anatomy e a formação da atitude para a doação de órgãos”, que analisou a atitude que a audiência da série tinha em relação à doação de órgãos. Para isso, foram analisados episódios da série que contam como plano principal a prática de doação e outros que não estão relacionados com o assunto.

No final das contas, a narrativa do episódio demonstra um conhecimento menos preciso e uma visão mais negativa sobre a prática de transplante de órgãos, descrevendo os médicos como verdadeiros “abutres” e ansiosos em transplantar órgãos de vítimas para os seus pacientes.

Além disso, Grey’s Anatomy dá destaque para médicos que normalmente cruzam as linhas éticas ao privilegiar pacientes que são seus amigos ou que contam com vínculos mais próximos, ou com pacientes mais influentes do que indivíduos desconhecidos e mais pobres.

Depois dessa análise técnica, mais de 600 espectadores de Grey’s Anatomy foram entrevistados para entender como uma série de TV pode influenciar uma decisão tão importante na vida das pessoas como a doação de órgãos, e a conclusão foi bem interessante.

Tal e como se pode imaginar, muitas pessoas assistem a Grey’s Anatomy acreditando que a representação da prática da medicina na série é, de um modo geral, realista. Por outro lado, isso reduzo o conhecimento das pessoas sobre a mecânica de doação de órgãos em si e, por tabela, em relação às instituições médicas.

 

 

 

Vou deixa de doar órgãos por causa de Grey’s Anatomy?

Eu nunca pensei nisso, de verdade. Até porque eu assisto Grey’s Anatomy tal e como ela é: uma série de ficção.

O fato de imergir naquele universo não significa que aqueles eventos retratam necessariamente a realidade dos fatos. Entendo que cabe a mim estabelecer um filtro sobre o que é real e o que é ficcional na televisão. Mas também compreendo que nem todos contam com esses filtros.

Dito isso, se me for permitido, vou doar meus órgãos quando minha vida terminar. E compreendo perfeitamente que muitos dos eventos apresentados em Grey’s Anatomy sobre o assunto beiram ao ridículo e ao espetaculoso em vários momentos.

Mas isso é muito mais culpa da Shonda Rhimes do que do telespectador. Cobrem à ela pelas bobagens que ela conta em suas séries de tempos em tempos.


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