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Hamilton vira “consultor da diversidade” em “F1: O Filme”

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“F1: O Filme” é um sucesso comercial. O filme tomou de assalto os cinemas do mundo todo, e chama a atenção pelo seu elevadíssimo nível de imersão.

É um filme considerado ultrarrealista por causa de suas cenas de disputas em pista, onde Brad Pitt e Damson Idris pilotaram um carro da Fórmula 2 modificado para parecer um carro da Fórmula 1 de verdade.

Os resultados são excelentes. Porém, o filme quase esbarrou na ausência de diversidade, o que obrigou que um dos seus produtores intervisse em nome dessa narrativa.

E não poderia ser outro: Lewis Hamilton.

 

Quase 100% realista

O diretor Joseph Kosinski resolveu fazer um filme sobre Fórmula 1 que fosse “o mais realista possível” – exceto quando se tratava de diversidade.

Enquanto ‘F1’ com Brad Pitt se esforça para reproduzir fielmente cada detalhe técnico do esporte, desde as cenas de corrida até o ecossistema que envolve as pistas, há um aspecto em que a produção teve que dar uma “ajudinha” na realidade: a representatividade.

E… pelo amor de Deus… entenda uma ironia quando se deparar com uma…

O filme apresenta a equipe fictícia APXGP com um elenco notavelmente mais diverso do que qualquer grid real da F1.

Temos um jovem piloto negro ambicioso e tramas que abordam os desafios de ser mulher em posições de poder no esporte.

Spoiler: isso não é exatamente um retrato fiel da F1 atual, que continua sendo um clube predominantemente branco e masculino.

Porém, como temos entre os seus produtores executivos um heptacampeão mundial negro, fica um pouco mais fácil incluir as narrativas que (infelizmente) não se alinham com a nossa realidade prática.

 

Hamilton: o responsável pela inclusão

A explicação para essa “licença poética” tem nome e sobrenome: Lewis Hamilton.

O heptacampeão mundial não apenas consultou o projeto, mas também atuou como produtor, garantindo que o filme representasse não o presente da F1, mas o futuro que ele gostaria de ver.

Hamilton vem sendo transparente sobre essa agenda desde 2023, quando alertou que o filme seria mais uma vitrine para suas ideias sobre diversidade no esporte.

E convenhamos, o homem tem moral para falar sobre o assunto – afinal, ele foi o primeiro piloto negro na F1 em 2007, impressionantes 57 anos após a criação da categoria.

Até hoje, ele permanece como o único.

Aliás, um adendo antes de continuar na narrativa central.

Hamilton teve tanta influência no projeto, que (muito provavelmente) interferiu na sequência de acontecimentos na trama.

Digo isso porque a sequência que acontece em Abu Dhabi no filme é quase um recado:

“Olha, era isso aqui que o Michael Masi deveria ter feito em 2021, mas não o fez – por falta de coragem ou por equívoco de julgamento (entendam como quiser).”

 

A cruzada social de Hamilton

“F1: O Filme” é apenas mais um capítulo na campanha pessoal de Hamilton pela diversidade.

Sua Comissão Hamilton trabalha para melhorar a representação de pilotos negros na Grã-Bretanha, e ele anunciou um projeto plurianual para atrair mais mulheres à F1.

Além de emprestar sua experiência técnica para ajudar Brad Pitt e Kosinski a entenderem a mentalidade dos pilotos, Hamilton aproveitou sua posição de produtor para garantir que Hollywood fizesse o trabalho que a própria F1 ainda não conseguiu: criar um ambiente verdadeiramente diverso, mesmo que apenas na tela.

O que o filme entrega é uma espécie de ironia, que pode ser considerada por muitos deliciosa.

Um filme que se orgulha de ser tecnicamente impecável em todos os aspectos decide tomar liberdades criativas justamente na representação humana.

É como se dissessem para todo mundo, de forma indireta e silenciosa:

“Vamos recriar cada vibração do motor, cada curva da pista, cada detalhe dos capacetes… mas vamos fingir que a F1 já resolveu seus problemas de diversidade”.

Será que o público vai comprar essa versão “corrigida” da realidade?

Ou vai notar que Hollywood decidiu dar uma mãozinha na inclusão que a F1 real ainda está engatinhando para alcançar.

Sinceramente? Duvido que os mais acéfalos percebam alguma coisa.

O “macho alfa convicto” vai se preocupar muito mais com os carros correndo do que com uma mulher como o mesmo posto de Adrian Newey na categoria.

Se bem que… Hannah Schmitz está lá, como estrategista do Verstappen na Red Bull. E esse é um sutil sinal de que as coisas estão mudando na Fórmula 1.

Lentamente.


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@oEduardoMoreira