
Antigamente, pessoas que demonstravam paixão por quadrinhos, livros de fantasia, videogames, ciência e tecnologia enfrentavam uma enorme discriminação social. Na verdade, eram segregadas mesmo, como se fossem alienígenas ou seres infectocontagiosos.
Os rótulos pejorativos como “nerd“, “geek” e “CDF” causavam sofrimento e isolamento durante o período escolar, especialmente para aqueles que se dedicavam intensamente a esses interesses considerados “esquisitos” pela maioria.
A mudança de percepção social representou um alívio para gerações que sofreram perseguição por seus gostos específicos. Essa transformação cultural permitiu que indivíduos pudessem expressar suas paixões sem enfrentar julgamentos negativos constantes.
Ser nerd hoje é sinônimo de ser popular. E a cultura pop nunca jogou tão a favor de quem era considerado o excluído no passado.
O surgimento das comunidades de interesse
Atualmente, existe um ambiente favorável para celebrar coleções e interesses diversos, incluindo games, histórias em quadrinhos, action figures, literatura de ficção científica e fantasia, tecnologia, ciência e RPGs.
A formação de comunidades permitiu o compartilhamento de experiências entre pessoas com gostos similares, eliminando o isolamento do passado.
A possibilidade de discutir paixões sem receio de zombaria criou espaços seguros para expressão de interesses antes marginalizados. Muitos descobriram que sua resistência às provocações demonstrava uma força interior considerável.
E a parte mais legal de tudo isso, é que as redes sociais, fóruns e plataformas online aproximaram os nerds a ponto deles se encontrarem fisicamente para discutir, comentar e fortalecer os grupos que gostam desse conteúdo.
Quando todo mundo imaginava que essas pessoas ficariam nos seus redutos online (muitos ainda estão, é verdade), os nerds começaram a se reunir em pequenos e grandes eventos, mostrando que são grupos ativos e altamente engajados.
Ou você acha que a Comic-Con nasceu de que forma?
Para que esse coletivo convencesse uma Warner Bros. para levar os astros de seus filmes para o evento de San Diego, foi uma luta.
Mas os nerds, treinados por mestres jedi, venceram bravamente.
Marcos culturais e senso de pertencimento
Um ótimo exemplo sobre essa mudança cultural promovida pelos nerds e geeks é o evento inédito para a história do cinema chamado “Vingadores: Ultimato”.
Sério… nunca testemunhamos tamanho movimento de catarse coletiva. Ou melhor, a última vez que nos lembramos que isso aconteceu de forma parecida foi durante as estreias dos blockbusters nas décadas de 1970 e 1980.
E, mesmo assim, sem a magnitude alcançada pela Marvel Studios.
As salas de cinema se transformaram em ambientes de celebração coletiva, comparáveis a estádios de futebol durante finais de campeonato, demonstrando a massificação da cultura nerd junto ao coletivo.
E não havia distinção entre os nerds e os considerados “civis” (ou a pessoa que não é nerd – e que não sabe o que é bom na vida).
Momentos compartilhados, como estreias de grandes filmes, as enormes convenções e feiras temáticas entregam um poderoso sentimento de pertencimento para pessoas que, antes, eram alvos de chacota.
A experiência de vibrar coletivamente com personagens e universos amados representa uma conquista imensurável para quem vivenciou períodos de solidão e incompreensão social.
Sem falar que a frase “o nerd de hoje é o cara rico de amanhã”, cunhada nos anos 2000 através de uma música bem-humorada, se provou uma verdade absoluta.
Ser nerd é ótimo nos dias de hoje.
Só não seja um nerdola irritante. Pois ninguém gosta de nerdola red pill.
