Compartilhe

Estou tentando ao máximo evitar ser o velho nostálgico e rancoroso que eu sempre critiquei (e que luto todos os dias para não ser). Não quero viver agarrado ao passado, revirando bons momentos do baú de memórias, ao mesmo tempo em que me decepciono ao encontrar as melhores roupas que eu usava (e que não me servem mais, porque eu cresci e engordei) cheias de traças.

Por isso, eu ia fazer um texto baseado na nefasta frase do “no passado é que era bom”, mesmo com a maturidade me indicando claramente que existe um certo fundo de verdade nessa afirmação. Vou tentar olhar para frente e viver o presente.

Hoje tem mais uma edição do VMA na MTV, e para aqueles que não estão por dentro dos “paranauês dos bagulho tudo”, VMA é a sigla para Video Music Awards, premiação da atual Millennal Television. Eu ainda insisto com o VMA porque este é o único dia do ano onde, por pelo menos três horas, a MTV volta a ser Music Televison, tocando música (de alguma forma).

Hoje, eu sinto os cruéis efeitos de envelhecer, ao mesmo tempo que eu resisto a tentação em me tornar um rabugento de marca maior. E eu bem sei que tais sintomas nocivos nada mais são do que a ação do tempo na minha personalidade. No passado, foi a mesma coisa: eu fui estigmatizado por achar Madonna e Michael Jackson o máximo; meus pais foram massacrados por gostar de Beatles e Elvis Presley; e meus avós, com sorte, foram recriminados pelos meus bisavós por quererem repetir os comportamentos revolucionários de Chiquinha Gonzaga e Carlos Gomes.

Nessa última parte não foi bem assim, mas eu gostaria que fosse, sinceramente.

Olhando para frente, eu sei que o VMA da MTV não é mais para mim. Mas… eu gosto de música. Felizmente ou infelizmente. E mesmo sendo obrigado a fazer um curso intensivo para ficar por dentro de quem são os indicados (assim eu aproveito também para atualizar a minha biblioteca musical), eu ainda tenho em mim que esse é o tipo de evento que ainda apresenta boas surpresas para quem está disposto a ouvir os discursos ali apresentados.

Não estou falando dos discursos dos vencedores dos prêmios. Mas sim daqueles discursos que se apresentam através da voz das novas gerações, pelas causas que eles decidiram comprar.

Por exemplo, foi em um VMA que eu entendi que a luta de Demi Lovato para se manter estável vai além das suas próprias condições de saúde e bem estar mental, pois ao menos ela tem a consciência que existem outros jovens na mesma situação, mas que não encontram a voz e a vez para falar sobre isso.

Mesmo entendendo que Taylor Swift se vitimiza até a enésima potência, eu respeito o simples fato que ela, como artista, decidiu falar de seus dramas e conflitos pessoas, se comunicando com jovens que também se identificaram com as histórias de sua vida.

Ariana Grande decidiu recentemente agradecer aos seus últimos relacionamentos afetivos através de uma canção, por entender que cada um deles a ajudou no caminho de uma evolução como pessoa. Camilla Cabello merece todo o meu respeito por ser uma jovem que defende o discurso dos “dreamers”, porque ela mesma, como filha de imigrantes, tenta vencer na terra das oportunidades.

Ano passado, foi em um VMA que conheci a excelente canção “One Day”, onde Logic (com Ryan Teddler) expressa o desejo de um mundo sem fronteiras, onde pontes são mais valorizadas que muros. E foi em um VMA que Macklemore e Ryan Lewis fizeram a trilha sonora para o maior casamento coletivo de casais pertencentes ao grupo homoafetivo do mundo (ou pelo menos o maior que foi televisionado), oferecendo a belíssima “Same Love” para pessoas que só queriam celebrar o amor.

Eu reconheço. O VMA da MTV não é mais para mim. De novo: preciso fazer um intensivão para conhecer os indicados.

Mas ter uma mente aberta e um olhar para o futuro resultam em encontrar coisas boas em um evento que, para muitos, já deu o que tinha que dar. De fato, as pessoas não ligam mais para as premiações, e hoje a noite eu vou parecer um idiota na frente da televisão comemorando e criticando os vencedores.

Fazer o quê? Eu sou um idiota que adora música.

E felizmente mantenho os olhos e ouvidos abertos para o que eu posso absorver de bom no conteúdo oferecido pelas novas gerações.


Compartilhe