
É relevante comentar a estreia do filme “Homem com H” na Netflix enquanto o filme ainda está em exibição nos cinemas. Não é uma prática comum que filmes tenham lançamento simultâneo em streaming e salas de cinema, e o movimento naturalmente levantou estranheza e indignação no grande coletivo.
Não estou defendendo o movimento da Netflix. Nem de longe. Eu ficaria indignado se soubesse que o filme que eu fui ao cinema assistir (queimando uma grana violenta por isso) iria estrear no streaming ao mesmo tempo que está nas salas.
Mas é importante que você entenda qual foi o movimento, também para não ser enganado da próxima vez.
O cenário de momento
Normalmente, existe um intervalo de tempo antes do lançamento no mercado doméstico, embora alguns filmes possam estrear diretamente no streaming.
Esse intervalo era ainda maior quando existia o home cinema, onde havia a possibilidade de alugar ou comprar filmes em locadoras ou lojas. Hoje, esse mercado está diminuindo, e as opções de adquirir DVDs ou Blu-rays são escassas, deixando o streaming como principal meio de acesso aos filmes.
A polêmica surgiu porque muitas pessoas se sentiram prejudicadas pelo fato de o filme estar disponível na Netflix por um custo relativamente baixo, enquanto outras tiveram gastos adicionais para assistir ao filme no cinema.
Esses gastos incluem estacionamento, transporte público, lanches no cinema e o ingresso, resultando em um custo significativamente maior do que assistir ao mesmo conteúdo por uma plataforma digital.
Muitas pessoas acreditam que os produtores e idealizadores do filme, bem como a própria Netflix, deveriam ser questionados por essa decisão. Quem esperou pelo lançamento na plataforma digital obteve uma vantagem financeira considerável em relação ao público que foi aos cinemas.
Alguns consumidores, que têm necessidade profissional de assistir e comentar sobre filmes, preferem ir ao cinema para obter as informações o quanto antes. Contudo, outros preferem esperar o lançamento no digital.
As salas de cinema também não ajudam
Eu assisti ao “Homem com H” nos cinemas e não tive problemas em pagar pelo ingresso. No entanto, compreendo o descontentamento de quem sente que pagou muito mais que o necessário.
Sob a perspectiva comercial, os idealizadores e investidores do filme estão obtendo lucro significativo, e existem acordos comerciais que envolvem a decisão de manter ou retirar filmes das salas de cinema.
As redes de cinema possuem autonomia para determinar o tempo de exibição dos filmes. Por exemplo, o Beiramar Shopping em Florianópolis exibiu “Missão Impossível: Acerto Final” por apenas três semanas, estrategicamente motivando o público a assistir ao filme rapidamente. Outros shoppings na cidade adotam estratégias diferentes, mantendo filmes como “Homem com H” em cartaz por mais tempo devido à alta demanda.
Essa responsabilidade é compartilhada entre as redes de cinema e a Netflix. Os produtores do filme e os investidores se beneficiaram da visibilidade gerada pela polêmica do lançamento antecipado. O filme tem recebido mais atenção agora do que durante sua estreia nos cinemas.
Temos aqui uma clara mudança de comportamento dos consumidores, que estão cada vez mais dispostos a esperar pelo lançamento digital. A experiência de assistir a filmes em salas de cinema enfrenta desafios como preços elevados de ingressos e lanches, além do comportamento inadequado de alguns espectadores.
Essas questões contribuem para que mais pessoas prefiram aguardar pelo lançamento no streaming, onde o acesso é mais conveniente e econômico.
Para aqueles que não têm urgência em assistir aos lançamentos, esperar pelo streaming pode ser a melhor solução.
