A Huawei está ousada!

O objetivo final da marca asiática é alcançar a liderança do mercado de smartphones. Quando? Nem ela sabe.

A Huawei mudou algumas vezes o ano de meta para alcançar a liderança. Começou em 2020, mudou para 2021, voltou para 2020 e, agora, antecipou para 2019. Se animou com o fato que já ultrapassou a Apple em vendas globais, e decidiu arriscar que pode superar a Samsung até o final do ano que vem.

E motivos para a Huawei pensar assim não faltam.

Primeiro, superar a Apple em vendas globais é um passo importante. Levando em consideração a marca que estamos falando e o seu tamanho (a primeira empresa a alcançar US$ 1 trilhão em valor de mercado, e que bate recordes consecutivos em vendas de iPhones), que a Huawei alcançou não foi pouco. Pelo contrário: foi um passo enorme e extraordinário.

Mas os asiáticos querem mais. E podem sonhar com mais.

O mercado de smartphones encontrou o seu ponto de saturação (finalmente). Temos três trimestres consecutivos de quedas nas vendas globais de smartphones, e as principais afetadas nesse momento são Apple e Samsung. Mais a Samsung diretamente, porque é sempre quem vende mais quem sofre mais em um momento de crise ou estagnação.

O consumidor já entendeu que não vai trocar de smartphone todos os anos. Muita gente que comprou um top de linha em 2016 vai ficar com ele por mais de dois anos, por mais que o mercado queira enfiar goela abaixo uma janela de atualização menor. Por isso, as vendas de modelos top de linha tendem a ser mais fracas. O exemplo claro disso é no caso do Galaxy S9, que foi o menos vendido entre os tops da Samsung desde o Galaxy S3.

Outro fator determinante é a busca da melhor relação custo-benefício. O consumidor também entendeu que não precisa mais pagar rios de dinheiro para ter um bom smartphone nas mãos. E aqui, Huawei e Xiaomi ganham muito terreno, com ótimos smartphones com preços muito competitivos. Algo que a Samsung não consegue (ou não quer) entregar no mercado.

 

 

Diante de tudo isso, não é descabido pensar que a Huawei vai seguir investindo em modelos de linha média premium que convencem a todos, mas sem abrir mão dos smartphones top de linha com preços mais competitivos que Apple e Samsung. A estratégia para o crescimento da marca é acertada, e gera resultados expressivos.

Sem falar que a marca procura expandir suas operações em mercados onde ela não estava (diferente da HTC, que arregou para meio mundo). A chegada da Huawei no Brasil (via Positivo Tecnologia) é uma prova do que eu estou falando. Os asiáticos já entenderam que, para chegar ao topo, qualquer 0.1% conta, especialmente em países onde ela não se fazia presente, e em mercados relevantes, como é o caso do mercado brasileiro.

Se eu acho que a Huawei vai alcançar a liderança do mercado de smartphones até o final de 2019? Sinceramente, eu acho bem difícil. Mas não acho mais impossível. Todo o cenário atual aponta para essa possibilidade. E alcançar a segunda posição já abriu uma porta clara para alcançar essa meta.

A ousadia da Huawei está rendendo lucros. Quem diria…