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É o que parece.

Nos últimos dias, tanto nós, que trabalhamos na mídia em formato digital, como os próprios internautas, observam um esforço dos jornalísticos em mídias tradicionais em esclarecer alguns pontos sobre o plano da Anatel e das operadoras em limitar a internet banda larga fixa. Algumas dessas explicações simplesmente não colam, e quem está bem por dentro do assunto sabe disso. Porém, é possível ver duas coisas bem claras.

A primeira é que esse desejo da mídia tradicional em esclarecer a questão para a grande massa apareceu do nada. De repente. Ou melhor, logo depois que todos se revoltaram contra a Anatel e sua decisão de “dar a benção” para as operadoras nos seus planos de impor limites no consumo de internet. Vale lembrar que é justamente a mídia tradicional uma das beneficiadas em caso de limitação do consumo de banda larga, uma vez que (na teoria) muitos voltarão a consumir o seu conteúdo.

A segunda coisa que podemos observar é que a mídia tradicional tenta explicar o inexplicável, ou dar argumentos para validar um bloqueio de consumo. A Rede Globo, por exemplo, chegou a informar que o país com maior velocidade média de conexão no ranking mundial é a Coreia do Sul, que curiosamente tem limites de tráfego de internet. Mas… a mesma Rede Globo se deu ao trabalho de informar quais eram esses limites?

Não. Por que? Porque é conveniente.

Na Coreia do Sul, são apenas três operadoras que fornecem internet para o país todo, e tem o fator censura, que não existe no Brasil. Ah, sem falar que, segundo o Olhar Digital, não existe o tal limite de dados. E nos Estados Unidos, as franquias contam com tolerância de dados muito maior que as impostas pelas operadoras brasileiras (250 GB de dados para um dos planos mais básicos da AT&T, contra 130 GB da Vivo no plano de 25 Mbps).

Sabe, em alguns casos, informar pode significar distorcer. Ethevaldo Siqueira, jornalista das antigas e especializado em tecnologia/telecomunicações, já cantou essa bola: a culpa disso tudo é da própria Anatel e do governo federal, que não destinou os investimentos necessários para a expansão das redes no Brasil.

O governo recolhe anualmente bilhões de reais em impostos, e como acontece nos demais departamentos, nem todos os impostos recolhidos são destinados para pesquisa, desenvolvimento e infraestrutura das redes conectadas. O pior é ver o governo afirmar que não pode destinar todos esses recursos para não violar as leis orçamentárias. Engraçado… para desviar dinheiro da pasta da saúde para pagar deputado para votar a favor de certos projetos pode?

Estamos de olho no que a mídia tradicional está fazendo. Se bem que ultimamente eu prefiro nem ver TV aberta. Afinal de contas, tem programa homenageando cidadão que agride mulher em restaurante… daí a gente vê o nível da coisa.