Eu não deveria mais me surpreender com esse tipo de coisa. Aliás, nem vou perder mais o meu tempo explicando como as coisas funcionam por aqui. Vocês já sabem que existe a fórmula mágica do ‘fator Brasil’, mais os impostos elevados, mais a ganância do fabricante e outros itens que se somam à lista de desculpas.

Mas parece que é inevitável. De tempos em tempos eu sou obrigado a vir até aqui para rir da fórmula mágica que transforma US$ 329 em, por exemplo, R$ 2.499. O escolhido da vez é o novo iPad anunciado pela Apple em o seu último evento educacional.

O que esse novo tablet recebeu de tão diferente para custar quase US$ 700 no Brasil (levando em conta que estou jogando a cotação do dólar lá para o alto, na casa dos R$ 3.60)?

Uma caneta. Ah, sim, e uma tela que suporte essa caneta. E nada mais.

O hardware é o mesmo que o da geração anterior. Sem tirar, nem por. O mesmo processador, tipo de armazenamento, componentes internos (exceto aqueles que eu já citei)… tudo igualzinho.

Logo, não vou tentar me preocupar em responder por que você paga mais de dois iPads pelo preço de um. Também não vou ficar recomendando que, se você realmente quer comprar esse ‘novo’ iPad (que, insisto, de realmente novo só tem o suporte para o lápis ótico), que vá comprar o produto lá fora, ou que peça para aquela sua tia rica que vai passear em Miami trazer um para você.

Essa cartilha de conduta do Apple way of life você já conhece.

Eu vou simplesmente rir. Porque é risível.

A Apple sabe que esse produto não vai vender aqui. Não é com o iPad que a empresa lucra no Brasil. É com outros produtos. É com o iPhone, principalmente. Ou seja, bem sabemos que esse tablet existe por aqui apenas para posicionamento de marca. Só para indicar que a opção existe. E ponto.

Mas isso não me impede de rir desse preço. E muito.

Gargalhar, para dizer a verdade.

E vida que segue. Próximo produto.