Compartilhe

A Apple aprontou das suas. De novo.

Apresentou o iPhone SE (2020) “do nada”, sem aviso prévio e quando ninguém esperava. Mesmo porque só se fala da pandemia nesse momento. E eu agradeço à Apple por ter mudado o foco de muita gente (inclusive o meu), pois agora podemos escrever sobre um assunto um pouco mais leve.

E em um momento onde vemos vários fabricantes chineses lançando smartphones com preços que flertam com a barreira dos 1.000 euros, vem a Apple e coloca o iPhone SE (2020) na mesa, com um preço que custa a metade do valor de muitos telefones Android do mercado.

Não é o top de linha da empresa, mas é um modelo bem mais acessível e crível para muita gente.

E entre ter um iPhone e ter um OPPO, muita gente vai preferir o telefone da Apple. Porque todo mundo conhece a Apple.

 

 

 

Uma jogada interessante

 

 

Faz tempo que a Apple quer ter um espaço no mercado de linha média. Falhou miseravelmente com o iPhone 5c, e o iPhone SE de 2016 foi o que mais perto esteve desse objetivo.

A faixa de preço dominada pelo Android tem como protagonistas os dispositivos de marcas chinesas (Xiaomi, OPPO, OnePlus, Pocophone, Realme, etc), que são referência e sinônimo de BBB (bons, bonitos e baratos, e não Big Brother Brasil).

Porém, as coisas mudaram um pouco nos últimos meses, onde até a sagrada Xiaomi foi massacrada pelos fãs por lançar um Mi 10 que beira os 1.000 euros. A OnePlus também segue os passos da ostentação com os nada acessíveis OnePlus 8 e OnePlus 8 Pro.

Tá, a Xiaomi fez da Realme a sua marca sinônimo de melhor relação custo-benefício. Mesmo assim, fez isso para colocar em seus modelos mais completos recursos que são muito mais pirotecnias do que funcionalidades que justificam os valores mais elevados.

5G, telas curvas, altas taxas de atualização e várias câmeras traseiras são as armas que os chineses usam para competir com Apple, Samsung, Google ou Huawei. E a Apple entendeu que, para competir com isso, pode simplesmente apostar no simples.

 

 

 

Apple mostrando que menos é mais

 

 

O iPhone SE de 2016 era promissor. Um telefone com tela de apenas 4 polegadas e preço mais contido para ser um smartphone da Apple menos caro, para os bolsos menos abonados.

O novo iPhone SE (2020) consegue ser ainda mais válido considerando o cenário atual. Manteve o preço do modelo de três anos e meio atrás, mas melhorando de forma considerável as suas especificações.

O novo modelo se paga por contar com o ótimo processador Apple A13 Bionic, a volta do sensor TouchID (tá, temos bordas enormes, mas tudo bem…) e um desempenho fotográfico que promete ser notável com esse sensor principal, que é o mesmo do iPhone 11.

E o mais importante: é um iPhone, e isso basta para muita gente. A Apple ainda é uma marca de fascínio para uma galera que quer ter boa parte das virtudes de um iPhone por um preço muito menor do que o preço cobrado pela atual geração do telefone. E isso com certeza vai chamar a atenção de muita gente.

O iPhone SE (2020) tem tudo para ser um grande problema para os fabricantes Android, inclusive aqueles que apresentam produtos com preços sugeridos entre 400 e 500 euros, especialmente com dispositivos que chegam ao mundo com o processador Snapdragon 730G que, apesar de ser um ótimo chip, está muito atrás no poder de fogo em relação ao Apple A13 Bionic.

 

 

Para muita gente, as especificações técnicas ainda pesam. Mas para outro grupo enorme, o que realmente importa é a experiência de uso e a sensação indescritível que um smartphone da Apple transmite. Sem falar nos outros fatores que podem influenciar no sucesso do iPhone SE (2020), como o suporte ao dual SIM (por exemplo).

Esperamos que as concessões feitas resultem em uma maior autonomia de bateria no novo modelo. Porém, a estabilidade, confiabilidade, fluidez e potência que o dispositivo deve oferecer devem ser preponderantes na escolha de muitos usuários.

O futuro do mercado mobile é bem incerto (ainda mais com a pandemia em pleno curso), mas vai ser interessante ver como o iPhone SE (2020) vai desempenhar na prática, tanto na experiência geral de uso como no mercado como um todo. Será uma batalha interessante, e o novo iPhone “menos caro” da Apple é um poderoso competidor em uma faixa de preço que ainda tem um bom volume de vendas.

Agora, só nos resta esperar pacientemente pela resposta da indústria e, é claro, dos usuários.


Compartilhe