O mundo é irônico, em vários níveis. O mundo da telefonia móvel não poderia ser diferente. E a maior ironia é ver os fabricantes suprimindo recursos úteis de smartphones top de linha, mas mantendo os mesmos recursos em dispositivos de entrada e/ou linha média.

Ainda é inexplicável o fato do conector para fones de ouvido de 3.5 mm ficar de fora dos smartphones top de linha. Bom, para ser justo, estão de fora de alguns modelos. Samsung, ASUS e mais alguns ainda mantém essa característica nos seus telefones mais completos.

Eu até entendo que a eliminação do conector de 3.5 mm está, de alguma forma, associada à melhor qualidade de áudio através de fones de ouvido ou de fones com conector USB Type-C. Mesmo assim, e para aqueles que gastaram um bom dinheiro em fones tradicionais de alta qualidade?

Sem falar que este pode muito bem ser um movimento dos fabricantes para forçar a inclusão de produtos com novas características técnicas, apenas para estimular vendas dentro de um segmento.

O mesmo podemos dizer da remoção do slot microSD nos modelos top de linha. 64 GB de armazenamento já são insuficientes para muita gente, e considero uma piada de péssimo gosto, se considerarmos o preço final desses modelos.

Aí, os slots microSD ficam relegados aos modelos intermediários e de entrada, e isso é meio sem sentido para mim, uma vez que todos os dispositivos poderiam receber o recurso sem maiores problemas.

Mas as baterias menores nos modelos top de linha é o que mais chama a atenção de muita gente.

Enquanto alguns smartphones top de linha recebem baterias de 3.000 mAh a 3.300 mAh (em nome do design e da baixa espessura), modelos de entrada e de linha média de vários fabricantes recebem baterias de 4.000 mAh ou até 5.000 mAh. E nem são tão espessos assim.

Tudo bem, muitos fabricantes adotam soluções de inteligência artificial para um consumo de bateria mais inteligente e modos de recarga rápida. Mas… por que não colocar logo 4.000 mAh ou 5.000 mAh no dispositivo, quando é possível não sacrificar tanto o design?

É… o mundo é irônico. O mundo da telefonia também. Mas a ironia da supressão de recursos úteis nos smartphones top de linha beira ao modo de piada sem graça.