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Em um dia com notícias pitorescas e peculiares, onde a Playboy vai parar de mostrar mulher pelada nas revistas, e a Apple despirocou de vez com os preços dos seus computadores, a CCE conseguiu cavar um espaço, em um movimento inusitado. Em 2012, a Lenovo comprou a CCE, pagando R$ 300 milhões na operação. Hoje, três anos depois, a mesma Lenovo “devolve” a CCE para os seus antigos donos.

É algo, no mínimo, inusitado. Que a Lenovo queria uma fabricante brasileira na área de informática para chamar de sua, todo mundo sabia. Tanto, que antes de fechar com a CCE, ficou de olho na Positivo Informática. Como não ficou com a empresa de Curitiba, investiu na popularmente conhecida “Comecei Comprando Errado”. Até acho um bordão divertido, mas um tanto quanto preconceituoso diante do cenário atual da CCE Info, que melhorou bastante na qualidade final dos seus produtos. Até porque não era produtos deles. Era da Lenovo.

Agora, três anos depois, a Lenovo chega a conclusão que pode seguir em frente no mercado brasileiro com o que tem de melhor nas mãos: a Motorola.

Ter uma das principais vendedoras de smartphones no mercado brasileiro não é pouca coisa. E, apesar da crise e do ponto de saturação se aproximar mês a mês, as pessoas ainda estão comprando dispositivos móveis, e o segmento se mostra minimamente rentável para justificar os investimentos já feitos pela Lenovo.

Por outro lado, o segmento de computadores já dava prejuízos para a empresa, que apesar de ser líder mundial do setor, sofre como todas as outras com as quedas nas vendas de unidades. Inclusive no Brasil, onde o mercado de PC, notebooks e ultrabooks caiu dois dígitos por dois trimestres.

E entre seguir demitindo funcionários e abrir mão de uma empresa inteira, a Lenovo escolheu a segunda opção. Que considero acertada, por sinal.

Veja bem. Não estou dizendo que a CCE era “uma porcaria”. Não é. Comparado com outros fabricantes nacionais, não é mesmo. Talvez carregue a rejeição de muita gente por ter um histórico negativo que passou por gerações de consumidores que ficaram insatisfeitos com produtos de baixa qualidade. Eu mesmo sou um deles que apoiei por anos o bordão do “Comecei Comprando Errado”.

Mas vou repetir: também reconheço que a CCE Info mostrou evoluções substanciais nas mãos da Lenovo. Um marketing eficiente, produtos de boa qualidade, com preços competitivos. Nem tudo foi um erro.

Talvez o erro da Lenovo foi ter apostado na CCE em um momento onde o mercado global de computadores já dava sinais de desaceleração nas vendas. Em 2012, o mercado brasileiro era promissor, com uma moeda mais forte e um bom volume de vendas. Mas em mercados selecionados e estratégicos, os computadores tradicionais já começavam a perder espaço para os tablets (que dois anos depois, perderam espaço para os smartphones com telas de 5 polegadas ou mais).

Sem falar que ninguém contou para a Lenovo que o Brasil iria encarar uma crise econômica das proporções que estamos enfrentando (na verdade, muita gente avisou). Tudo isso influenciou na decisão anunciada hoje pela Lenovo.

Mas acho que o mais inusitado de tudo foi a CCE voltar para as mãos dos antigos donos. Não é todo dia que vemos isso. Eu já devolvi produtos e serviços que não gostei, mas dentro do que a lei manda (sete dias corridos após a compra, e ainda assim sob certas condições). Mas… três anos depois?

Que PROCON foi esse que a Lenovo procurou?