Press "Enter" to skip to content

Macacos ladrões lucram muito em Bali

E eu aqui perdendo o meu tempo, escrevendo artigos estúpidos para um blog que praticamente ninguém lê, já que boa parte da humanidade virou um bando de analfabetos funcionais…

Nossa… pensei alto dessa vez…

No Templo de Uluwatu, no sul de Bali, cerca de 600 macacos de cauda longa considerados guardiões sagrados pelos locais desenvolveram um sofisticado sistema de roubo direcionado a turistas, pegando objetos de valor como telefones, óculos e carteiras para depois negociar sua devolução em troca de comida.

Se é no Rio de Janeiro, chamam a prática de “crime”. Mas em Bali, são “guardiões sagrados”…

Vai entender…

 

Crime inteligente

Os macacos demonstram uma inteligência econômica surpreendente ao selecionar especificamente os itens mais valiosos para os humanos, sabendo que esses objetos geram maiores recompensas durante o processo de “resgate”, que pode durar até 25 minutos de negociação intensa.

Agora… como um macaco consegue diferenciar um sorvete de pistache de um iPhone? Não pode ser pelo fato de um ir até a orelha e outro, não.

Estudos científicos liderados pelo professor Jean-Baptiste Leca da Universidade de Lethbridge documentaram durante 273 dias este fenômeno raro conhecido como “economia simbólica”, onde os primatas aprendem socialmente e transmitem essas técnicas de geração em geração.

O pawang Ketut Ariana, mediador especializado em negociar com os macacos há duas décadas, revela que recupera entre 30 e 50 objetos por semana, chegando a dez telefones por dia na alta temporada, utilizando diferentes “moedas” alimentares conforme o valor do item roubado.

Tudo bem, até um primata sabe que quando um ser humano fica olhando por muito tempo para um único objeto (que nem um abestalhado), esse item tem algum valor considerável para ele.

Mesmo assim: como ele sabe que o iPhone vale mais?

 

Uma hierarquia de valores

A hierarquia de valores estabelecida pelos macacos é clara: objetos baratos como pentes são trocados por uma simples banana, enquanto iPhones exigem sacos inteiros de mangas, rambutan ou até ovos crus, sendo estes últimos considerados a “moeda premium” do sistema.

A boa notícia é que o resgate pode ser algo relativamente barato para os humanos. Afinal de contas, quanto custa um ovo cru em Bali? (bem menos que no Brasil, espero).

Este comportamento não é recente, existindo há mais de 30 anos na colônia de Uluwatu, inicialmente direcionado a objetos religiosos dos fiéis e posteriormente adaptado aos itens tecnológicos trazidos pelos turistas, com diferentes subgrupos se especializando em tipos específicos de objetos.

É o típico caso dos animais se adaptando ao meio e, por tabela, aos visitantes do seu ecossistema. O que não deixa de ser triste de alguma forma.

Afinal de contas, foi o mundo capitalista que transformou os macacos em criminosos em potencial.

Exatamente da mesma forma que fez com os humanos.

Embora comportamentos similares sejam observados em outras regiões da Ásia, como na Tailândia e Índia, o caso de Uluwatu é único por seu sistema estruturado de “roubo por resgate”, onde os macacos não buscam comida diretamente, mas mercadorias para negociar.

O contexto turístico intensifica o fenômeno, com Bali recebendo mais de 2,6 milhões de visitantes estrangeiros até 2025, fornecendo um fluxo constante de novos alvos desavisados para os experientes macacos negociadores.

A situação cria um dilema complexo entre a preservação do valor espiritual dos macacos como guardiões sagrados do templo e os problemas práticos causados aos turistas, gerando uma economia paralela de trocas, perdas e recuperações.

A convivência entre humanos e animais em espaços turísticos se torna dessa forma um problema sem soluções mágicas, onde as autoridades recomendam precauções básicas enquanto os macacos continuam seu “negócio” e os cientistas estudam este caso extraordinário de economia simbólica animal.

Exatamente da mesma forma que acontece com os humanos, já que as autoridades negligenciam as medidas de segurança para coibir crimes.

Mas ao menos o macaco não quer tirar a sua vida por causa de um iPhone.

Ele só quer um ovo cru, na pior das hipóteses.

 

Via Wall Street Journal