Compartilhe

Se tem uma coisa que a pandemia do coronavírus está produzindo na minha vida é a seletividade. Estou eliminando uma série de coisas inúteis da minha vida, desde pessoas com QI de ameba até empresas que pensam mais no dinheiro que nas vidas que são perdidas em uma crise epidemiológica.

Até ontem (23), eu não fazia a menor ideia sobre quem era Junior Durski. Seria minha culpa por não me informar direito? Talvez não, porque até então ele era um ser insignificante para a maioria dos brasileiros. Porém, o jogo virou quando fico sabendo que ele é o dono do Madero, rede de hamburguerias gourmet chique que alega ter “o melhor hambúrguer do mundo”.

De fato, os pratos do Madero são muito bons. Caros, mas bons.

É… vou sentir falta do Madero… pois Junior Durski é babaca o suficiente para entender que “o Brasil não pode parar por causa de 5 mil ou 7 mil mortos” em uma pandemia, e desconfio que o seu caráter é baixo o suficiente para instruir os seus funcionários a escarrar em cima do hambúrguer de 180 gramas com queijo brie e geleia de pimenta que os restaurantes da franquia servem.

 

 

As falas de Durski seriam suficientes para julgar o seu caráter. Mas vou contrariar o que o bom senso diz, e julgar o livro pela capa.

Ele tem a cara do típico grande empresário brasileiro: rosto de almofadinha, jeito de playboyzinho que come pera com granola misturado com iogurte desnatado zero sabor ameixa (uma das maiores porcarias que a gastronomia já inventou em todos os tempos), e pensando apenas no dinheiro e nos lucros, os temas que realmente importam para uma classe de pessoas que já contam com muito dinheiro na vida, mas nem todo o dinheiro do mundo dá para o indivíduo a satisfação em fazer a esposa, companheira ou amante atingir orgasmos enlouquecedores por uma hora ou mais.

Gente como Junior Durski só pode ter dinheiro na cabeça e uma bela disfunção erétil. Só pode!

Quando o mundo está testemunhando diversos exemplos de solidariedade, empatia e amor ao próximo (elementos que serão fundamentais para superar a pandemia do COVID-19 com o mínimo de perdas possível), vem um imbecil qualquer para dizer bobagens como essa.

Para você, que caiu nesse post doido para me xingar porque sou a favor que tudo pare para que as pessoas não morram em série pelas ruas e nas casas dos brasileiros, eu lembro que as grandes empresas brasileiras NÃO VÃO QUEBRAR POR CAUSA DA PANDEMIA DO COVID-19! Basta você entender um pouco de mercado e usar uma calculadora simples para compreender que os grandes não vão quebrar. E não são as grandes empresas quebrando que fará o Brasil entrar em uma profunda recessão.

A maioria das empresas brasileiras são de pequeno e médio porte. Restaurantes, lanchonetes e supermercados locais. Aquele seu boteco favorito onde você vai beber com os amigos e comer aquela pururuca sagrada? Pois é… esse corre o sério risco de fechar as portas.

Logo, no lugar de ir para o Madero, cujo dono prefere ver gente morrendo do que perder os seus lucros, vá naquela lanchonete bacana que vende hambúrguer artesanal por R$ 25, mas que teve que fechar as portas e deixar de pagar salário para os seus funcionários. Se essa lanchonete estiver funcionando em delivery, peça os lanches dele para entregar na sua casa.

Faça o que for possível para que os pequenos e médios empresários não sejam obrigados a fechar as portas por causa da pandemia. As grandes redes de fast food estão garantidas. Essas não quebram nunca.

E sobre o Madero? NUNCA MAIS!

Me recuso a me contaminar com a podridão moral presente na alma de Junior Durski. Sei que ele faz um bom trabalho ao incluir menores de comunidades carentes para trabalhar como treineiros e aprendizes nas unidades de produção e restaurantes do Madero. Porém, qualquer pessoa que coloca o lucro na frente das vidas humanas merece todo o meu desprezo.

Ah, um último detalhe, amigo leitor: um dos sócios do Junior Durski no Madero é ninguém menos que Luciano Huck.

E acho importante você guardar a informação do parágrafo anterior. Ela pode ser útil no futuro.


Compartilhe