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É sempre um mês intenso. Que mais uma vez chega ao fim.

Eu poderia escrever várias vezes nesse projeto sobre o mês de maio, mas pelas suas próprias características, eu tenho apenas uma chance. Logo, é melhor que eu a aproveite muito bem.

Olhando em retrospectiva, o mês de maio é sempre muito importante para mim. Não apenas por ser o mês das mães ou o mês das noivas. Mas principalmente por ser o mês onde coisas muito importantes acontecem para mim. Em diferentes momentos, esse mês sempre foi um dos mais ativos, com o maior volume de compromissos, ou onde eu tomei algumas as decisões mais importantes da minha jornada.

Logo, quando o mês de maio chega ao fim, eu sinto que sempre há um encerramento de um ciclo, como uma preparação para a nova fase que vem adiante, com desafios que estão por vir para os próximos meses.

Pelo menos nos últimos dois anos isso aconteceu. Foi em maio que eu comecei a decidir a minha mudança para o Paraná. Foi em maio que, de alguma forma, comecei a decidir a minha mudança para Santos (de forma indireta, mas aconteceu). E é em maio que mais uma vez mudo em minha vida. Mais mudanças internas, mas que podem se refletir no externo.

Todo final do mês de maio, eu faço uma autocrítica sobre alguma coisa importante que fiz na vida. Por exemplo, os meus últimos projetos musicais. Eu confesso que a última semana foi muito intensa, com grandes desafios e alguns obstáculos nas relações interpessoais. Nem sempre somos compreendidos nas declarações feitas ou nas posturas tomadas diante do desenvolvimento de um projeto, mas ao menos temos a consciência tranquila de que tudo foi feito para o bem comum, ou para o progresso de um grupo.

Em 2017, no final do mês de maio, eu cheguei a me perguntar: “quem sou eu, e o que eu estou fazendo aqui?”. Não por eu me sentir perdido ou desorientado. Nada disso. Mas para que eu tenha exata certeza do que quero fazer e para onde ir. Minhas escolhas eu fiz, meu caminho está traçado e planejado. Só queria me certificar se era isso mesmo.

Infelizmente, as pessoas acabam não entendendo isso.

Aliás, em maio de 2017 algumas pessoas decidiram que não queriam me ver mais. Ou pelo menos não queriam me ver mais com os mesmos olhos que viam antes. Talvez eu estivesse também vendo as pessoas com um olhar distorcido. Com uma percepção que não é aquela que realmente me vendiam. Quem sabe eu deveria ter percebido bem antes que as coisas mudaram para não mais voltar a ser como eram.

É a filosofia que eu mesmo acredito: o vaso quebrado não tem como ser o mesmo vaso que era, mesmo depois de todas as suas peças coladas.

Deixar o passado para trás parece ser um recado claro do mês de maio para com a minha pessoa. Um recado que, de tempos em tempos, eu insisto em não ouvir. Porém, esse mesmo mês me lembra da importância do presente, e é nesse momento que recobro minha concentração para o que está na minha frente. Lembrar que é o tempo presente o que realmente importa. Se perdoar é um exercício contante, que precisamos fazer de tempos em tempos.

O mês de maio é sempre um mês de mudanças. De movimentos. De vida.

Se mover, fazer alguma coisa de útil na sua vida, se deslocar para outros locais, respirar novos ares e sair do senso comum é o sinal claro que sua existência não é apenas um processo mecanizado de respirar e levar a vida, empurrando com a barriga. Se mover é também oxigenar o cérebro, mover os músculos, criar novas possibilidades para você mesmo.

Eu sempre viajo no mês de maio. No mínimo por conta do dia das mães. É uma viagem de nove horas que faço com muita alegria. Para dar amor para a mulher que mais me ama nesse mundo, mas também para receber boas energias vindas daquela mulher. É uma troca muito boa, mas é o meu momento de renovação dos meus propósitos mais profundos e sinceros.

Mas também viajei muito nesse mês de maio de 2017. Fiquei mais tempo fora de casa do que em casa, para fazer laboratórios de canto coral ou coberturas de imprensa dos eventos de tecnologia. E vou terminar o mês de maio fora de casa de novo. Fazendo música, algo que eu adoro.

E tudo isso se alinha com o que eu escrevi antes: as mudanças. O movimento constante de girar das coisas. Viajar e conhecer novos ares e novas propostas. Acho que isso é o que mais o mês de maio me oferece ultimamente.

Isso… e a certeza que sou a melhor companhia para mim mesmo na maior parte do tempo.

O “eu preciso de alguém” e algo que está se tornando cada vez mais subjetivo na minha vida. Ou melhor, acho que a palavra correta é “pontual”. Não está sendo uma constante a necessidade de ter alguém fisicamente comigo. Porém, a permanência emocional de ter alguém com quem eu me sinta bem a qualquer momento, em qualquer lugar, é mais forte nesse momento.

Os tais laços indissolúveis, os vínculos indestrutíveis que criamos ao longo da vida se tornam mais consistentes quando estamos longe. Aquela presença boa de pensar naquela pessoa e sentir que ela está ali, do nosso lado, mesmo quando não está presente fisicamente. A confirmação da máxima do “quem está longe dos seus olhos está cada vez mais perto do coração”.

Enfim… o mês de maio é revelador, transformador… é um mês muito importante. Emblemático, eu diria.

De fato, todos os meses do ano são importantes. A nossa vida como um todo é uma roda gigante constante de dias e meses subsequentes que são importantes, de acordo com o momento de vida que vivemos. Mas maio é especial.

Maio deixa marcas que, quando chegamos em dezembro, pensamos em como esse mês foi importante. Em como tanta coisa aconteceu em uma janela de apenas 31 dias. Como esse mês foi determinante para chegar onde chegamos.

Não ignore a vida em nenhum mês. Mas no caso do mês de maio, a atenção é redobrada. Apesar de não ficar exatamente no meio do ano, ele pode ser o determinante para ser o fiel da balança de sua vida, em vários aspectos. Você descobre que esse mês pode ser também a mola de propulsão para você chegar ao final do ano relativamente bem, saudável e feliz.

Em maio, você encerra fases da sua vida. E em dezembro, você se esquece desses finais. Porque o mês de maio te pede isso.

É claro que algumas coisas desse texto que está chegando ao fim parte muito do princípio que você precisa acreditar em algumas coisas que muitos consideram como superstições. Eu mesmo não sou uma pessoa supersticiosa, mas não descarto as coincidências da vida. Não ignoro o fato de tanta coisa relevante na minha vida acontecer em um único mês.

Enfim, maio esta chegando ao fim.

Um mês que, mais uma vez, mostrou a que veio.

Cheio de momentos intensos, emoções a flor da pele, muitos deslocamentos e várias mudanças.

Quem sabe em dezembro eu volte aqui para escrever sobre tudo o que esse mês me entregou em um futuro não muito distante.

De agora em diante, o relógio curiosamente corre mais rápido em direção ao final de mais uma ano da minha vida. Ou para o início de mais um ciclo na minha existência.

Até lá… começo a colocar em prática as lições deixadas pelo mês de maio de 2017.

“Maio”
(Paula Toller, George Israel)
Kid Abelha, 1998


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