
Foi mais animado do que o esperado.
As mudanças realizadas anos atrás na pista de Yas Marina resultaram em boas edições do GP de Abu Dhabi, principalmente quando ainda existe algum tipo de disputa em jogo. Em 2024, não foi diferente.
No meio de tantas despedidas de equipes e da categoria, o campeonato de construtores e o vice-campeonato mundial ainda estavam em disputa. Em função disso, um animado GP de Abu Dhabi se construiu, deixando um gosto de “quero mais” na boca do torcedor de Fórmula 1.
E isso, porque 2024 entregou a maior temporada da história da categoria (em número de corridas).
Onde você estava em 1998?

Em 1998, eu nem sonhava em me casar ou em morar em Florianópolis. Estava na faculdade de Análise de Sistemas, que iria desistir para escrever sobre tecnologia na internet.
Nesse mesmo ano de 1998, a Fórmula 1 viu o último título da lendária equipe McLaren, também equipada com um motor Mercedes. Hoje, 26 anos depois, essa mesma equipe volta a conquistar um título de construtores, de forma mais que merecida.
Lando Norris liderou de ponta a ponta uma corrida que começou com o toque de Max Verstappen em Oscar Piastri, o que, em teoria, colocaria o título da equipe Papaya em relativo risco.
A Ferrari fez uma ótima prova, principalmente Charles Leclerc (daqui a pouco falo dele), e esse desempenho poderia significar o fim dos sonhos de Zak Brown, Andrea Stella e sua turma.
Porém, Norris vencendo de forma tranquila foi mais do que o suficiente para coroar o trabalho de uma equipe que foi do desastre ao triunfo em 20 anos.
Todos nós, que testemunhamos tudo o que aconteceu na Fórmula 1 entre 1998 e 2024 viu como uma das mais poderosas equipes da categoria esfarelou. E como se reconstruiu.
Era o plano original. Era o objetivo principal. Conseguiram. De forma emblemática.
Só espero que o foco em 2025 seja conquistar o título de pilotos.
Uma exibição de gala de Leclerc

Considerando que Verstappen foi coadjuvante batendo nos outros, que Norris desapareceu na frente e que Russell fez o que pode para não chegar no Top 3, Charles Leclerc foi sim o piloto do dia.
O monegasco é, agora, protagonista de uma das melhores largadas da história da Fórmula 1. Largando de 19º, terminou a primeira volta em 11º. E na oitava volta, já estava entre os 10 primeiros.
Leclerc poderia muito bem ser vice-campeão mundial no lugar de Norris. Fez uma segunda metade de temporada impressionante, e ganhou moral com a tão desejada vitória em casa (Mônaco).
Não foi vice porque a McLaren foi melhor ao longo do ano. Era para ser assim.
Quem sabe em 2025…
…se o novo companheiro de equipe deixar.
E sobre o Lewis Hamilton?

Então…
Para quem fala que Lewis Hamilton é um fracassado, acabado ou derrotado, precisa marcar consulta no oftalmo com urgência, pois não vê as corridas de recuperação que ele fez ao longo do ano.
Hamilton venceu duas corridas (OK, herdou uma do Russell, que foi desclassificado… mesmo assim…), fez várias provas com performance para vencer, e deu aula em Las Vegas e Abu Dhabi.
Ele termina a série de três temporadas contra George Russell com mais pontos acumulados, em uma disputa acirrada nesse período. E, de forma indiscutível, encerra a mais bem sucedida parceria da história da Fórmula 1 envolvendo piloto e equipe.

Fico feliz porque Hamilton terminou o seu ciclo na Mercedes com dignidade, entregando uma performance de alto nível e terminando a corrida para receber homenagens oficiais da FIA.
Que o novo ciclo seja próspero para o heptacampeão mundial. Bom, ao menos ele sabe que, se depender de Leclerc, ele não terá vida fácil.
Não me esqueci dos demais…

Foram várias despedidas nessa prova de Abu Dhabi, e quero dedicar um tempo para escrever especificamente sobre Carlos Sainz.
Mas gostaria de dizer que o piloto espanhol sai da Ferrari de cabeça erguida. O segundo lugar em Abu Dhabi reforça que ele teve que ser sacrificado para que Hamilton chegasse na equipe. Se existisse a regra do terceiro carro, a vaga era dele na equipe.
Sainz teve uma de suas melhores temporadas, com performances incríveis, com resiliência e autoafirmação que ele carrega como sua marca registrada.
E o fim da temporada 2024 da Fórmula 1 foi sim melhor que a encomenda. Uma corrida que encerra um ciclo da categoria para preparar para outra grande mudança técnica.
2025 será o ano de transição mais diferente da história da categoria. As equipes abandonam as escolhas conservadoras e de manutenção técnica para receber novos pilotos, em busca de algo diferente do que temos neste momento.
A grande revolução dos carros acontece em 2026.
Mas 2024 foi tão inesperadamente bom…
…que mal posso esperar para 2025 começar.

