Eu deveria ter ouvido mais os meus professores.

Hoje, eu vejo os meus professores como os meus mestres. É com felicidade que eu digo que a maioria dos professores que tive na vida foram mestres, pois não se limitavam às lições oferecidas nos livros. Eles me ensinaram muito sobre a vida, antes mesmo da vida aplicas as suas duras lições.

Meus professores eram corajosos. Decidiram falar a verdade e mostrar claramente para a minha geração que tudo o que eles ensinavam nada mais é do que a base de tantas outras coisas que testemunharíamos mais adiante. Aliás, eles reforçavam o tempo todo que “a verdade está lá fora”. Estimularam uma geração inteira a buscar esse conhecimento fora das paredes das salas de aula. Nas bibliotecas, nas ruas, com as demais pessoas. Com o mundo.

Os meus mestres se preocupavam tanto comigo e com os meus colegas de escola, que incentivaram a todos nós a “pensar fora da caixa”. Olhar de forma periférica para todas as questões que nos cercavam, mesmo nos primeiros anos de pensamento crítico do indivíduo. Desejavam, quase que desesperadamente, que seus alunos desenvolvessem uma opinião baseada na informação e na verdade dos fatos, e não pelas distorções oferecidas por ferramentas institucionalizadas ou financiadas por grandes corporações.

Aproveito para homenagear também os meus regentes nos corais que participei.

Muitos dos meus regentes foram além do ensinar as notas e as dinâmicas das partituras. Desenvolveram nos coralistas a sensibilidade de interpretar uma letra de uma música com um olhar pessoal, na tentativa de entregar uma interpretação mais humana e emocional.

Em mim, os regentes conseguiram algo ainda maior. Permitiram que eu olhasse para cada canção como uma lição a ser aprendida, a ponto de tomar para mim aquelas palavras. Hoje, a trilha sonora da minha vida é composta de melodias e poesias que falam muito mais sobre a minha pessoa do que qualquer palavra que eu poderia escrever em um texto.

Meus mestres sonhavam em oferecer ao mundo cidadãos com pensamento crítico e ideias próprias, e acreditavam que a somatória dessas ideias e pensamentos poderiam resultar em um futuro melhor para todos. Talvez o sonho deles era meio utópico. Ou em algum momento nós, os alunos, simplesmente paramos de ouvir nossos mestres. E estragamos tudo.

Hoje, ao testemunhar um país onde as pessoas gritam primeiro para atirar pedras depois, me reconheço como alguém que valorizou muito o que os meus professores apresentaram como lições de matéria e lições de vida. Porém… sinto que faltou alguma coisa. Eu sinto que poderia ter ouvido mais com o coração, e não apenas escutado, na pressa para que aquela aula chata de filosofia acabasse logo.

Eu deveria ter a paciência necessária para ouvir a filosofia da vida. Elaborar a matemática do somar mais e melhor. Compreender a química da combinação dos pensamentos diferentes. Observar a história com um cuidado maior, olhando para o passado com atenção para melhor compreender o presente. Perceber em como a geografia afetava as diferentes visões de mundo. Aceitar a física dos corpos que se recebem de forma fraternal em um abraço.

Compreender melhor a língua portuguesa, para que eu expressasse melhor o que o meu coração queria dizer em vários momentos da minha vida.

Hoje, eu me lembro dos meus professores com um profundo sentimento de gratidão. Porque a dedicação, atenção, carinho e amizade desses mestres contribuíram decisivamente na formação desse cara que hoje dialoga com você através das plataformas virtuais.

E eu já escrevi por diversas vezes que… eu tenho muito orgulho da pessoa que eu me tornei. Hoje, eu sou o cara que eu sempre quis ser.

Aos meus professores, aos meus regentes, aos meus mestres.

Muito obrigado!