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Microsoft é processada por causa do fim do Windows 10

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O fim do suporte ao Windows 10 por parte da Microsoft se encerra em pouco mais de dois meses, e milhões de usuários ao redor do mundo serão afetados de alguma forma. Ou de várias, dependendo da quantidade de computadores e a dependência do usuário em relação ao software.

Muitos vão precisar investir dinheiro em novos dispositivos com Windows 11, pois a Microsoft entendeu que vários computadores que, hoje, rodam bem o Windows 10 não podem executar a nova versão do sistema operacional.

E nem todos os usuários concordam com isso. Alguns se recusam a aceitar esse destino sem lutar pelos seus direitos. E estão processando a Microsoft por este cenário de obsolescência programa.

 

O processo contra a Microsoft

No sul da Califórnia, Lawrence Klein decidiu recorrer à Justiça. Ele quer impedir a obsolescência de seus equipamentos e desafiar a estratégia da Microsoft, pois entende que simplesmente não é justo deixar o Windows 10 morrer dessa forma.

Klein entrou com ação no Tribunal Superior de San Diego (Estados Unidos). Sua queixa se baseia na obsolescência forçada que, segundo ele, visa monopolizar o mercado de IA generativa.

Ele possui dois laptops, um Samsung e um Asus, ambos rodando Windows 10. Klein afirma que, com o fim do suporte, esses dispositivos ficarão vulneráveis e potencialmente inutilizáveis, e tudo isso em nome de enfiar o Copilot goela abaixo nos computadores que não podem ser atualizados para o Windows 11.

A primeira causa citada no processo é a violação do Código de Negócios e Profissões da Califórnia 17200. Essa legislação protege consumidores contra práticas ilegais, injustas e fraudulentas.

Klein sustenta que a Microsoft está deliberadamente forçando a substituição de computadores para concentrar poder no setor de IA. Para ele, isso expõe milhões de usuários a riscos desnecessários.

Ele alega que muitas empresas manterão o Windows 10 por mais tempo, inclusive com dados sensíveis. Essa permanência aumentaria a vulnerabilidade a ataques cibernéticos, com danos que podem ser permanentes e em larga escala para o coletivo.

Segundo o processo, a própria Microsoft tem consciência desses riscos. Ainda assim, a empresa segue com seu cronograma de encerramento do suporte, com o objetivo principal de maximizar os lucros e expandir a nova versão do Windows, atendendo aos seus interesses comerciais.

 

Pedido inusitado

Diferente de ações por danos, Klein não pede indenização pessoal. Seu objetivo é que a Justiça obrigue a Microsoft a manter o suporte gratuito, em nome da segurança dos equipamentos que ficarão vulneráveis

Ele sugere que a extensão continue até que a participação do Windows 10 no mercado caia para menos de 10%. O valor financeiro pedido cobre apenas custos legais, abrindo mão de eventuais lucros com o processo.

O argumento chama atenção, mas enfrenta barreiras práticas. Estatísticas indicam que o Windows 10 perde cerca de 5% de mercado por mês, em um teórico movimento natural de transição para o novo sistema.

Se a tendência continuar, o sistema cairá abaixo de 10% em menos de sete meses. Isso significa que o pedido de Klein poderia se tornar irrelevante rapidamente, passando a ser uma retórica vazia ou inconformidade por se sentir obrigado a pagar para ter o Windows 10 atualizado pela Microsoft por mais um ano.

A Microsoft oferece o programa ESU, que estende o suporte por um ano mediante taxa. Isso poderia cumprir a meta de tempo de Klein, mas com custo ao consumidor. E é exatamente isso o que o demandante quer evitar.

A grande questão é se a Microsoft abriria mão da taxa de US$ 30 para usuários finais. Essa decisão pode definir o desfecho dessa disputa jurídica e comercial.

Particularmente, eu duvido que Klein vai vencer o processo pelos argumentos apresentados. Mas não podemos culpa-lo por tentar, pois muitos de nos faríamos a mesma coisa caso se sentissem prejudicados financeiramente.

Não há nada na lei norte-americana que impeça a Microsoft de cobrar por um suporte que, antes, era gratuito. E é a gigante de Redmond que tem que se explicar sobre isso, pois os danos à imagem da empresa já vieram.

Por outro lado, é de se questionar se a própria Microsoft se importa com isso, pois o dinheiro está entrando do mesmo jeito.

Vamos acompanhar os próximos acontecimentos, só para ver onde esse processo vai parar. O precedente jurídico desse caso pode determinar o que vai acontecer no futuro com essa ideia de suporte pago da Microsoft para o Windows 10.

 


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@oEduardoMoreira