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Ontem (1) eu falei sobre o ‘mais do mesmo’ que todo mundo gosta sobre o HTC One M9. Hoje (2), eu falo de novo sobre o mais do mesmo, mas que começa a irritar um pouco. Nada contra a decisão da Microsoft em esperar pelo Windows 10 para lançar modelos top de linha com o novo sistema – e eles estão certos nessa estratégia. Mas os novos Lumia 640 e Lumia 640 XL apenas me lembram que só teremos lançamentos de linha média e entrada até a chegada do novo sistema.

E isso pode deixar um fã incondicional de tecnologia um pouco frustrado. Aliás, muito frustrado.

A Microsoft tem nos anos de 2015 e 2016 como cruciais para estabelecer o Windows como uma opção no mercado mobile. Em 2014, a cota de mercado do sistema caiu, e por mais que seja importante entregar produtos atraentes para os mercados de entrada ou em desenvolvimento (como são os casos do Lumia 640 e Lumia 640 XL), é fundamental oferecer os modelos de referência, os chefes da turma, os dispositivos que vão efetivamente mostrar tudo o que o sistema operacional é capaz de fazer.

Mas não veremos isso tão cedo. Stephen Elop, responsável pela divisão móvel da Microsoft, já avisou que só veremos modelos top de linha em 2015 depois do lançamento do Windows 10. Ok, Microsoft. Eu te entendo. Mas não espere muito. O relógio já começa a andar contra as suas aspirações.

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De qualquer forma, os novos Lumia 640 e Lumia 640 XL estão bem ajustados dentro do segmento de linha média de smartphones. São modelos com telas de 5 e 5.7 polegadas respectivamente, pouquíssimas diferenças de hardware (a tela é a principal delas) e opções com single e dual SIM, nas redes 3G e 4G. O sistema operacional Windows Phone 8.1 será o responsável pelo gerenciamento do conjunto, e o modelo ainda conta com a assinatura de design da finada Nokia, algo que não deve mudar tão cedo.

Também é importante observar que os modelos contam com câmeras decentes – ou pelo menos com resoluções que devem agradar aos usuários que não querem passar vergonha na hora de compartilhar aquela foto ou vídeo -, mas em nenhum dos casos temos a presença da tecnologia PureView. Algo também compreensível, já que a ideia é reduzir o custo final do produto para o consumidor.

Aliás, missão completa no quesito preço: os novos smartphones possuem valores que variam entre 139 e 189 euros (mais impostos), algo que coloca esses modelos em posição de destaque em relação aos seus competidores diretos.

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Outra boa notícia aos interessados desses modelos é que ambos já estão prontos para receberem o Windows 10 (quando o mesmo estiver disponível), algo que a Microsoft fez questão de enfatizar em diversas oportunidades durante a apresentação do produto.

Ok. Legal, Microsoft. O produto é bacana. Mas… queremos mesmo os modelos top de linha.

Não me entendam mal. Acho que os usuários/fãs do Windows Phone vão se interessar e muito pelos novos Lumia 640 e Lumia 640 XL. A relação custo/benefício é muito interessante, e o conjunto geral do hardware é promissor. Por outro lado, adia mais uma vez uma possível estreia efetiva da Microsoft nessa nova fase do seu segmento mobile, revelando suas ideias e propostas de design. Mais uma vez temos a equipe vinda da Nokia fazendo o trabalho ‘pesado’ de desenvolver um modelo que é uma evolução dos anteriores, e com 100% do embrião da Nokia.

Que esses lançamentos de hoje alcancem o sucesso de vendas desejado. Mas que eu quero ver a Microsoft Mobile mostrando o que ela é capaz de fazer, isso eu quero. Com ou sem o Windows 10 (de preferência com).