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Não é de hoje que venho falando sobre a falta de fôlego da Microsoft com o Windows 10 Mobile. Ter menos de 2% do mercado mobile pode ser considerado um grande fracasso para uma empresa que tem 90% do mercado de desktops. Eu sei, são mercados diferentes. Mesmo assim, não falta dinheiro e estrutura para eles obterem números melhores com o seu sistema operacional. Talvez falte boa vontade.

A própria Microsoft confirmou que não está em seus planos lançar novidades na linha Lumia, e o Windows 10 Mobile vai sobreviver por conta de eventuais atualizações e correções críticas. Relegar a segundo plano o segmento móvel é uma mostra clara de falta de compromisso da gigante de Redmond com esse segmento. Aliás, isso ficou bem claro quando a empresa decidiu não cumprir o que prometeu, deixando sem o update para a versão atualizada do seu software vários dispositivos da linha Lumia que teoricamente são compatíveis com o sistema operacional.

Agora, com o rumor sobre uma possível venda da Nokia (ou de toda a sua estrutura) para a Foxconn, temos um balde de gasolina em uma fogueira que já estava acesa a algum tempo, e alimentada pela própria Microsoft. Muito provavelmente a empresa comandada por Satya Nadella efetuou a compra para fazer valer os direitos sobre as patentes oferecidas pelos finlandeses, para depois passar adiante os direitos de utilização de marcas e eventuais projetos em desenvolvimento para seguir capitalizando pela lei do menor esforço.

Também é importante lembrar que, sem a Nokia, a Microsoft pode obter a confiança dos seus eventuais parceiros e interessados em desenvolver smartphones com o Windows 10 Mobile, deixando um único Surface Phone como eventual modelo de referência. Não ser concorrência para os amiguinhos, ainda mais com uma marca tão forte como a da Nokia, pode ser uma solução viável, que se converte em crescimento no mercado a curto e médio prazo.

Por outro lado, a impressão que me passa é que a Microsoft, na realidade, deu uma bela arregada. A empresa sabe que será muito difícil reverter o quadro no mercado mobile, e antes de passar pelo mesmo problema enfrentado hoje pela BlackBerry (que não sabe quando parar), pode passar para frente uma divisão que não traz o retorno imaginado por eles. Quem sabe a Foxconn consegue fazer algum dinheiro com os produtos e a força laboral. No caso dos asiáticos, qualquer lucro é lucro.

Confesso que quem gostava da Nokia a essa hora se pergunta ‘por que deu essa volta toda, Microsoft?’. Só para tirar os finlandeses do mercado? Começo a ter dúvidas… quem sabe sozinha a Nokia não se daria melhor?