Ah, por tantas coisas boas…

Porque eu olhava o mundo de forma mais otimista. Eu vivia bem com a ilusão que todos eram meus amigos, ou que todo mundo se dava bem. Era mais ou menos assim, mas a gente não se dava conta disso. Hoje, a gente não consegue mais conversar sem xingar alguém.

Eu não sabia o que era um boleto. Não é preguiça em pagar contas, mas saber o que me custa trabalhar todos os dias para manter as contas em dia. Se bem que ter responsabilidades desde cedo não é um grande problema. Pode ser a solução para quem quer no futuro uma maior consciência sobre o trabalho e as responsabilidades.

Na infância, você não sabe o que é sofrer por amor. E todos que amamos são sinônimo de felicidade. Hoje, você ama alguém e acaba se estrepando lindamente porque a sua visão de amor da infância não pode ser aplicada na vida adulta.

Ou até pode. Afinal de contas, amamos de verdade nossos pais, nossos irmãos, nossos amigos… e essa forma de amar nós aprendemos na infância.

Era melhor porque entendia que futebol era apenas um jogo, e que depois de vencer ou perder estava todo mundo correndo pelas ruas atrás de uma bola. Xingar a mãe na infância é apenas uma provocação que hoje é chamada de bullying e pode resultar em suicídio ou morte. Na infância, era mais fácil lidar com os pequenos grandes problemas, que nem eram grandes. Só eram pequenos porque nós, hoje adultos, antes eram pequenos.

Minha infância era boa porque a minha vida era mais tranquila e otimista. Não que eu tenha me tornado um pessimista por excelência, mas é fato que eu me tornei em alguém que não acredita mais nas palavras das pessoas, e sim nos fatos. Na infância, nos acreditamos mais nas pessoas. Hoje, nos tornamos céticos.

Por que a minha infância era melhor?

Porque ser criança é bem melhor do que ser adulto. E muito melhor do que ser adolescente. E eu agradeço pela minha infância nos anos 80. Eu não me aguentaria como um Millennial.

Nada contra os Millennials, mas eu cresci vendo Michael Jackson e Ayrton Senna, e isso não tem preço.