Press "Enter" to skip to content

Minimal Phone 2: o celular que promete te salvar do vício (e cobra caro por isso)

Confesso que, quando ouvi falar do primeiro Minimal Phone, fiquei cético. Mas ceticismo virou parte da minha personalidade depois de tantos anos escrevendo sobre tecnologia na internet. E até por isso volto aqui para falar sobre o Minimal Phone 2.

Um celular com tela de tinta eletrônica e teclado físico para combater a dependência digital? Parecia mais uma peça de nostalgia do que uma solução real.

Mas como isso virou “moda”, com vários dispositivos no mercado fazendo basicamente a mesma coisa, entendi que existe aqui um conceito validado. Pena que, em alguns casos, estamos diante de produtos caros e um tanto quanto limitados para a maioria das pessoas que estão mais do que acostumadas com o mundo conectado.

Agora, com o anúncio do segundo modelo, vejo que a empresa resolveu investir a sério na proposta. Mas com algumas atualizações um tanto quanto controversas para os mais puristas.

Vou explicar a partir de agora onde o Minimal Phone 2 acerta em cheio, e onde ele entrega narrativas para algumas reclamações pontuais.

 

Um equilíbrio delicado entre minimalismo e praticidade

E a primeira coisa que me chama a atenção é a troca radical: abandonaram a tela e-ink por um painel OLED de 3,92 polegadas com taxa de 90 Hz. Isso foi feito com o claro objetivo de alcançar um público maior, entregando uma experiência de uso mais plena.

Penso que essa mudança é uma faca de dois gumes.

Por um lado, entendo a necessidade. Usar um celular só com tinta eletrônica para ler QR codes ou usar mapas deve ser um pesadelo.

A conectividade 5G e o processador Dimensity 8300 mostram que eles querem que este aparelho seja, de fato, usável no dia a dia. Ele pode ser minimalista, sem sombra de dúvida. Mas não precisa ser limitado.

Mas, ao mesmo tempo, me pergunto: com uma tela tão bonita e colorida, será que não vão recriar o problema que prometem resolver? A tentação de rolar o feed infinito numa tela OLED é bem maior do que numa e-ink, não acham?

Veremos como os usuários (de todos os grupos) vão responder diante dessa contradição.

A bateria de 3000 mAh também me parece pequena para um celular 5G, mesmo com tela OLED que, em teoria, é pequena.

O produto corre risco de ser um devorador de bateria por causa da conectividade e potência combinados com o módulo energético reduzido.

 

O preço da tranquilidade (e a conta que vem junto)

A proposta do Minimal OS, com seu “Hub” de notificações estilo BlackBerry, parece interessante para filtrar o caos informacional. Isso ainda se alinha com a proposta do Minimal Phone 2 que, em regra, tenta ser um produto minimalista.

Mas o que me deixa com o pé atrás é o preço. Sempre ele.

E ainda tento entender por que produtos que, em teoria, fazem o básico, acabam custando tão caros para o consumidor final.

Quando vejo que a versão base custa 599 dólares, e a edição “Founders” chega a 899 dólares, confesso que dou uma gargalhada amarga. É um valor salgado por um hardware que, convenhamos, não chega aos pés de um topo de linha tradicional pelo mesmo preço.

 

Vale a pena?

Penso que o Minimal Phone 2 me parece uma tentativa corajosa de produto minimalista e com conceito bem definitivo, mas arriscada.

Ele quer ser o “celular antidistrações” sem abrir mão de ser um smartphone funcional. Gostava da proposta do Minimal Phone original, justamente por reduzir as distrações dos telefones modernos “na base da força”, por causa da tela e-ink.

Com uma tela OLED, parte desse conceito vai embora, naturalmente. E mesmo que você deixe tudo em preto e branco na interface, não é exatamente a mesma coisa.

Só vou saber se a fórmula deu certo quando os primeiros usuários colocarem as mãos nele em dezembro. Até lá, fico na torcida para que o teclado físico e o software sejam tão bons quanto prometem, e que o preço não seja o maior fator de distração para quem pensa em comprá-lo.

Até me interessaria pela compra do Minimal Phone 2. Mas o preço, combinado com a ideia central da proposta, me afastam completamente do produto.

Não consigo entender por que o minimalismo precisa ser tão caro. E pelo visto, vou continuar na ignorância por mais algum tempo, já que dificilmente vou chegar perto desse produto para testar e compreender a proposta na íntegra.

Quando custar 25% do valor proposto, aí sim paro para conversar a sério sobre o Minimal Phone 2.

Pelo menos apresentei o produto, cumprindo com a minha parte do acordo.

 

Via MinimalCompany.com