MotoX_Black

Ontem (01), de forma bem discreta (uma vez que nem streaming do evento de lançamento teve), a Motorola apresentou de forma oficial o Motorola Moto X, o seu primeiro smartphone “com cara de Googlephone” desde que foi comprada pela Google no ano passado (mais ou menos nessa época do ano). Depois de tantos vazamentos publicados pelos bons veículos que cobrem o mundo da tecnologia, quase não restaram surpresas. Mesmo assim, aqui estão minhas primeiras impressões sobre o produto, vendo o mesmo de longe.

No começo, muita gente esperava que o novo Moto X seria “O” smartphone da Motorola, aquele que abalaria as estruturas de Bangu, Belford Roxo e adjacências, que viria para ditar regras em termos de hardware. Com o passar das semanas, fui percebendo que a coisa não era bem assim. Pense comigo: quando falamos de dispositivos da Google, qual é a premissa básica deles? Oferecer um hardware decente, com um preço reduzido, certo?

Se esse smartphone da Motorola é o primeiro a contar com o “conceito Google”, por que então esperar por um processador quad-core, por exemplo? Vide os casos dos produtos da linha Nexus: possuem um hardware muito bem ajustado para funcionar com o software, e pronto. Nada além disso.

E foi exatamente isso o que aconteceu. Os próprios sites de tecnologia que vazaram a presença de um processador Qualcomm Snapdragon S4 Pro dual-core de 1.7 GHz alertavam que isso poderia acontecer (incluindo o TargetHD, que fique claro). Na verdade, não é tanto pela presença do processador. Acho que esse é um dos pontos “negativos” (e “entre aspas” mesmo, pois não chega a ser um problema – se pensarmos no que o produto está se propondo) que podem ter desapontado os geeks mais convictos. Porém, para a grande massa de usuários (que é o público que a Google quer alcançar), o Moto X pode cair sim como uma luva.

Tem um processador mais que suficiente para que a maioria dos usuários realize BEM as tarefas mais básicas. Vem com 2 GB de RAM, uma boa tela de 4.7 polegadas (com resolução 720p), uma boa bateria de 2.200 mAh, e ainda pode ser personalizado em vários níveis? E tudo isso a partir de US$ 199 nos EUA (versão 16 GB)?

Um ponto curioso é a presença do Android 4.2.2 Jelly Bean no Moto X. Imaginava-se que o modelo já contaria com a versão mais atualizada do sistema (4.3), mas imagino que a Google aqui quer manter a sua política de priorizar inicialmente a oferta de suas versões mais atualizadas para os modelos da linha Nexus.

Mas a grande pergunta que fica para todos é: a quanto vai chegar essa brincadeira no Brasil? Nos Estados Unidos, nós já sabemos que ele é uma opção bem tentadora (ainda resta saber se, na prática, o smartphone desenvolve esse desempenho todo, principalmente as tais 24 horas de autonomia de bateria prometida). E no Brasil? Será que o preço dele será igualmente competitivo para mexer um pouco com as estruturas do mercado?

Se a gente tomar por base que o tablet Nexus 7 (primeira versão, 2012), que nos EUA custa os mesmos US$ 199, mas que é um produto importado, custou (sendo distribuído apenas no Walmart) R$ 999, podemos ficar animados para chutar que o Moto X, fabricado no Brasil, vai custar, pelo menos, a mesma coisa?

E eu disse “pelo menos”. Espero que o hype do lançamento não force o preço para cima, pois se a Motorola quer realmente dar uma provocada na concorrência, tem que seguir o mesmo conceito de bom e barato da sua dona (Google). Nesse caso, não tem a desculpinha que o produto é importado, que a Google não quer dar subsídios e o escambau. Pode deixar o preço abaixo dos R$ 1.000 sem muitas dificuldades.

Bom, sobre o fator monetário, vamos ter que esperar a Motorola Brasil se pronunciar oficialmente sobre o produto. Até lá, só podemos especular, ver os reviews de blogs internacionais no YouTube, discutir no Twiter sobre o produto, entre outras efemeridades.

Pra resumir: gostei do Motorola Moto X, mesmo ele não sendo aquele smartphone todo que muitos sonhavam. Se a Motorola souber trabalhar direito no marketing do produto e, principalmente, no fator preço, ele pode ser um sucesso de vendas. Lá fora, e aqui no Brasil.