
Vamos desconstruir logo de cara a ideia de que a Coca-Cola teria criado a versão do Papai Noel mais popular, tal e como conhecemos hoje (barba branca, vestes vermelhas e trenó).
Na verdade, a imagem foi sendo construída gradualmente ao longo dos anos, desde a primeira menção do nome em 1773, derivado do termo holandês “Sinterklaas”. Histórias e poemas que vieram depois moldaram o personagem que originalmente era menor e vestia verde, para o padrão icônico que conhecemos hoje.
É claro que a Coca-Cola colaborou pare refinar a imagem atual, deixando o Papai Noel gordinho, barbudo como algodão doce na cara e rosto sorridente. Mas não criou o conceito.
A partir de agora, você passa a conhecer cinco verdades sobre o Papai Noel nos cinemas que você não conhecia.
O primeiro filme com o Papai Noel

A existência de filmes do Papai Noel quase desde o nascimento do cinema é uma prova dessa evolução do personagem pré-Coca-Cola.
Em 1897, apenas dois anos após a invenção do cinema como o conhecemos, surgiu o primeiro filme natalino, um curta-metragem hoje perdido chamado “Santa Claus Filling Stockings”.
Produzido pela American Mutoscope Company e filmado em Nova York, este filme marcou a estreia do personagem de Papai Noel na história do cinema.
A trama era simples e direta, refletindo o fascínio inicial do público com o próprio cinema: Papai Noel desce a lareira, enche meias de presentes e sobe novamente pela chaminé.
Ou seja, nem mesmo a forma de entregar presentes nas casas foi criada pela Coca-Cola, e isso permite que qualquer um crie histórias com o mesmo conceito.
O filme era bem básico, mas já mostrou a essência do personagem Papai Noel logo de cara.
Papai Noel protagonizou outras histórias
Após o filme inaugural de 1897, outros curtas-metragens no início do século XX exploraram o personagem Papai Noel, como “Papai Noel e as Crianças” e “Papai Noel” (1898), dirigido por George Albert Smith.
Eram filmes igualmente simples na narrativa, mas sempre focando no Papai Noel entregando presentes. A representação do personagem no final do século XIX, apesar de algumas diferenças como a falta de uma barriga avantajada e um saco menos cheio, já se assemelhava à imagem que temos hoje.
Por um longo período, a aparição de Papai Noel no cinema se restringiu a essa premissa básica: lareira, crianças, presentes e alegria.
A inovação técnica do Papai Noel no cinema

O filme “Papai Noel” de 1898, dirigido por George Albert Smith, foi o primeiro a introduzir nos cinemas a técnica de ação paralela.
Em apenas um minuto e quinze segundos, o filme mostrava simultaneamente as crianças dormindo e Papai Noel descendo pela chaminé. Para alcançar este efeito, Smith utilizou a técnica de dupla exposição, considerada inovadora e um “prodígio técnico” para a época, mesmo que hoje possa parecer rudimentar.
A mudança de tom do personagem

Em 1909, D.W. Griffith, um dos diretores mais influentes do cinema mudo, expandiu a temática natalina com o curta-metragem “Uma Armadilha para o Papai Noel”.
Este filme de 15 minutos introduziu uma narrativa mais complexa e dramática, contrastando com os filmes anteriores, até mesmo para criar uma maior empatia junto ao público.
A história focava em um pai alcoólatra e desempregado e sua família em dificuldades financeiras no Natal. Após uma reviravolta em que a família enriquece subitamente, os filhos tentam armar uma armadilha para Papai Noel, mas acabam capturando o pai, que, sem saber da mudança de sorte da família, tenta assaltar a mansão.
Foi, de alguma forma, uma evolução nas histórias natalinas. Mas também um reflexo das mudanças sociais da época.
Como chegamos ao Papai Noel da Coca-Cola

Outros dois filmes são bons exemplos para ilustrar a evolução do personagem na cultura popular.
“Santa Claus” (1912) apresentou um Papai Noel com uma aparência distinta, quase “designer”, com um traje cheio de pontos brancos, coroa e barba longa e árida, além de expandir seu universo, mostrando sua oficina e até mesmo viagens com gnomos e interação com figuras mitológicas como Netuno.
Já “Papai Noel” (1925), dirigido por Frank E. Kleinschmidt, foi filmado no Pólo Norte, buscando expandir o imaginário coletivo sobre o personagem, mostrando suas atividades durante o ano além da entrega de presentes.
E foi nesta época que a Coca-Cola começou suas campanhas publicitárias, solidificando a imagem do Papai Noel gordinho de barba fofa que conhecemos hoje.
E o resto? É história, muito marketing e dinheiro gasto em presentes para as crianças (e alguns adultos) ao redor do mundo.
Via Xataka

