Ao longo de 2011, muitos dos que escrevem sobre tecnologia (inclusive esse mancebo que aqui vos fala) falaram aos sete ventos que o Natal desse ano seria o “Natal dos tablets”, onde as ofertas de opções seriam fartas, com preços reduzidos por causa dos incentivos fiscais. O fim de ano chegou, e o que vemos é um cenário que nos mostram duas alternativas: ou todos nós mentimos para vocês, ou todos nós fomos ligeiramente enganados pelos fabricantes, e até por nosso “otimismo”.

Vou me explicar. Os tablets entraram na “MP do Bem” no segundo semestre. Na época, tudo era lindo e maravilhoso (no papel, evidentemente), com isenções fiscais para empresas que optassem em produzir os seus produtos em território nacional. Alguns fabricantes se inscreveram, e outros até promoveram redução de preços de seus produtos. Mas, na prática, a mudança não foi nada maravilhosa, e os preços praticados no mercado nessa importante época do ano para o comércio são muito próximos a aqueles que eram divulgados nos meses de agosto e setembro. Logo, mais uma vez, o Brasil “não fecha a conta”.

Alguns exemplos que mostram essa teoria. Um dos tablets mais procurados do mercado (pelo fator preço) é o Life, da Multilaser. O modelo inicialmente custava R$ 799,00, mas agora, pode ser encontrado por R$ 499,00. Seja para estimular as vendas, ou porque efetivamente recebe os benefícios fiscais, a sua queda de preço é significativa. Já um modelo de uma marca mais conhecida, como a Samsung, teve o preço o seu Galaxy Tab 10.1 reduzido em uma margem bem menor. O tablet chegou ao mercado custando mais caro que o iPad 2, mas hoje, custa em torno de R$ 1.500,00. Da mesma forma, a Motorola não reduziu muito o preço do seu tablet Xoom. Em compensação, lançou o Xoom 2 Media Edition, opção com uma configuração de hardware robusta e preço relativamente competitivo (R$ 1.299,00).

Já o tablet Ypy, da Positivo, tem uma proposta diferenciada, voltada para o usuário brasileiro que quer um produto totalmente adaptado para o seu idioma. Mas, mesmo assim, o valor sugerido de R$ 999,00 (algumas lojas de e-commerce oferecem o produto por R$ 849,00) acaba espantando boa parte do público-alvo do produto. Alguns até podem pagar um valor um pouco maior para ter um modelo com uma maior gama de recursos.

Outros modelos com mais tempo de mercado não tiveram seus preços reduzidos de forma satisfatória. O Samsung Galaxy Tab de 7 polegadas (a primeira versão) custa algo em torno de R$ 1.000,00, um preço elevado para um produto que está estacionado no Android 2.2. E olha que nem falamos no iPad 2, que vai ficar com o preço “padrão” da Apple (a Foxconn alega não ter recebido todos os benefícios fiscais do Governo Federal e do Estado de São Paulo para começar a produção nacional do tablet da Apple a tempo para as vendas de Natal), e depois do caso “preço do iPhone 4S da Apple – a.k.a algo totalmente fora da nossa realidade”, não creio que devemos ter muitas esperanças em preços competitivos vindos da empresa de Cupertino. Afinal de contas, ficou muito claro para todos que a briga agora é para obter lucros, e não oferecer preços para estimular a disseminação dos tablets.

Enfim, o “Natal dos tablets” ficou só na conversa. É claro que em janeiro os números podem mostrar que eu estou errado, e podem registrar recordes de vendas entre os brasileiros (e é muito provável que isso aconteça). Mas que está longe do prometido, isso é fato. Nem mesmo uma competição entre os principais fabricantes aconteceu. Um final de ano decepcionante (ou não: muitos já esperavam que muito pouco mudaria), depois de tantas promessas, especulações, e falatórios (dos fabricantes e de nós, bobocas que embarcamos nessa).

Quem sabe no ano que vem… (olha aí… eu, de novo, alimentando minha mente com ilusões).