
Mesmo sendo um grupo historicamente alvo de ataques e discriminação, ainda existe aquele perfil de nerd que se incomoda com certas mudanças e tenta impor suas visões de forma excludente.
É o nerd contraditório, que precisa ser criticado e combatido pela própria comunidade nerd. É o idiota que não entendeu que “A Vingança dos Nerds” é apenas um filme.
Por terem enfrentado piadas, brincadeiras de mau gosto e situações desrespeitosas ao longo da história, os nerds “red pill” deveriam compreender melhor o impacto negativo de ataques e xingamentos.
Mas… não.
Usam os avanços conquistados pela comunidade para serem tóxicos nos mais diferentes espaços, principalmente aqueles que promovem a diversidade.
Preconceitos ainda dominam fóruns online
O machismo escancarado, racismo, homofobia e outros tipos de preconceito continuam reinando em certos fóruns, seções de comentários e interações nas redes sociais.
É uma realidade contradiz os valores que a comunidade nerd deveria defender após suas próprias experiências de exclusão.
De que adianta ter o Dia do Orgulho Nerd se algumas pessoas não fazem uma reflexão crítica sobre os rumos dessa comunidade. Perde-se uma ótima oportunidade para a evolução do próprio grupo, agregando peso positivo às discussões culturais e até mesmo despertando a empatia em quem não se considera nerd.
Se bem que… quem é “red pill” não se importa com isso. O que vale é o mundinho dele, o próprio umbigo, e sua redutiva masculinidade de homem adulto insuportável, que não se relaciona com mulher de jeito nenhum.
Porque mulher DE VERDADE não aguenta três minutos de conversa com o nerd “red pill”.
União em prol de espaços acolhedores
A atitude do “nerd chato” diante dessas questões sociais não contribui para o crescimento da comunidade.
Vale a pena lembrar que muitas dessas pessoas que hoje expressam esse ódio ao diferente já sofreram discriminação similar dentro dos próprios espaços nerds.
E nem mesmo o coletivo de iguais fala sobre o assunto.
Neste caso, a união deveria prevalecer em uma causa maior: construir um ambiente nerd mais acolhedor e representativo para todos.
Não se trata de competir por inteligência ou conhecimento, mas sim de agregar valor e respeito ao universo cultural compartilhado por milhões de pessoas.
Quem sabe se todo mundo deixar o ego de lado e parar de perder tempo sobre quem compreende melhor a essência dos X-Men e começar a discutir esses temas que podem alcançar reflexões mais edificantes?
Portas abertas para novos integrantes
As portas sempre devem estar abertas, permitindo que mais pessoas se juntem à comunidade nerd. Nas duas pontas do processo, existem pessoas que querem aprender com o outro, tanto pela experiência em viver esse estilo de vida quanto aqueles que, por algum motivo, querem fazer parte desse grupo.
A comunidade nerd precisa tornar-se cada vez mais receptiva aos newcomers. Mesmo com melhorias observadas nos últimos anos, ainda existe muito trabalho a ser feito para eliminar barreiras de entrada e comportamentos excludentes que afastam potenciais novos membros.
É sempre muito bom compartilhar paixões de forma entusiasmada com outras pessoas. Além da maior identidade com o outro, desenvolvemos o verdadeiro espírito de celebração da cultura pop.
Sempre há lugar para mais gente dentro desse coletivo.
No lugar de excluir, lembrar o quanto já foi excluído socialmente para avançar e conquistar no engajamento e na empatia.
A possibilidade de discutir livremente sobre diversos temas de forma tranquila e construtiva é um sinal claro do progresso alcançado pela comunidade nerd ao longo das décadas.
E os nerds não podem perder isso. De jeito nenhum.
É um ótimo momento para se declarar nerd. A cultura de mainstream está totalmente voltada para esse grupo. Deseja conversar com esse coletivo.
Tem muita gente por aí apaixonada pelos universos fantásticos de Tolkien, pela complexidade social de George R.R. Martin, pela criatividade de Stan Lee e pela aventura fantástica criada por George Lucas.
Ser nerd é reconhecer a genialidade de Ursula K. Le Guin, a visão futurística de Isaac Asimov e tantos outros nomes importantes que moldaram a imaginação de gerações inteiras.
Ser geek é compreender e aprender com gênios e criadores que estabeleceram as bases para uma cultura rica e diversificada, que merece ser celebrada em ambiente digno, diverso e menos tóxico.
Sei que o artigo vai incomodar aos adeptos do red pill, mas agradeço perder um público que eu não quero como audiência.
