Eu fui um dos primeiros a divulgar essa notícia no Brasil, quando me deparei com a propaganda das Lojas MM no meu e-mail. E rapidamente publiquei a chegada do Nexus 7 nas lojas nacionais no TargetHD. Mas publiquei apenas porque sabia porque era notícia. Mas não uma boa notícia. Antigamente, eu aceitava o preço caro de tudo, porque tem o “efeito Brasil”, os impostos e toda aquela palhaçada que já estamos acostumados. Mas com o tempo, vamos aprendendo, ficando mais calejados, conhecendo importadores e a galera do Mercado Livre e… enfim, começamos a rir de certas coisas que acontecem no nosso pequeno mundo de tecnologia. Rir, porque é, no mínimo, ridículo.

Me pergunto se a filosofia de preços competitivos dos fabricantes só valem para os Estados Unidos e para a Europa. Se for isso, eu me calo (ou melhor, chamo eles de egoístas, e depois me calo). Mas, se não for, volto a perguntar: será que é só o “fator Brasil” que influencia nos preços cobrados? Vou pegar um exemplo simples antes de chegar ao caso do Nexus 7. Um exemplo mais próximo de nossa realidade: panetones.

No final do ano passado, um supermercado vizinho de casa vendia panetones de marcas famosas por preços simplesmente absurdos e ridículos. Por que? Porque era Natal, oras, e todo mundo gosta de comer panetone no Natal. Alguns produtos chegaram a custar R$ 24.90. Ok, passou o Natal, chegamos em 2013, e um monte de panetones ficaram encalhados nas lojas. Eis que, não mais que de repente, me deparo com aquele mesmo panetone de R$ 24.90 estava sendo oferecido por apenas R$ 7.90 (o que deduzo ser o seu preço de custo). Resultado: estou comendo panetone nesse momento.

Não são só os impostos. Não é só o Brasil que age errado com os produtos importados. Tem boa dose de ganância de fabricantes e do comércio em geral, porque sabe que são produtos cobiçados. Ok, que o Nexus 7 não custe US$ 199 aqui no Brasil. Mas… existe mesmo quase R$ 600 de imposto em cima do tablet? Oras, se você comprar o produto nos Estados Unidos, pagando US$ 199 (vamos colocar a cota de US$ 1 = R$ 2.20), você paga R$ 438. Mais os tais 60% de imposto para declarar o produto ao chegar no Brasil, você tem um tablet de R$ 700. Preço justo, honesto, bacana.

Também vale perguntar para a dona Google por que diabos o Nexus 7 não vai receber os tais subsídios que são prometidos para o Nexus 4? Ah, porque o mercado de tablets no Brasil ainda está em expansão, logo, vamos aproveitar dos trouxas que estão doidos para comprar um tablet, e que podem pagar o valor que nós queremos comprar e… não, caro leitor. Não caia nessa.

Não acredito que com o iPad Mini vai ser diferente. Aliás, não dá para esperar algo diferente da Apple. Mas no caso do Nexus 7, eles até tinham a opção de subsidiar o produto, como devem fazer com o Nexus 4. Por mais que o tablet do Google seja tentador nas suas especificações técnicas, ele custa a mesma coisa que um Galaxy Tab 2 de 7 polegadas com Wi-Fi + 3G, R$ 100 a mais que um Motorola Xoom 2 Media Edition com WiFi + 3G (se você procurar um pouco, encontra esse tablet por bem menos) e R$ 700 a mais que o Galaxy Tab 2 7 com Wi-Fi.

Um produto que tem como filosofia lá fora de ser um dispositivo potente, mas com preço competitivo para o segmento de tablets de 7 polegadas simplesmente muda a sua filosofia por completo quando chega ao Brasil. Tá certo, o governo brasileiro tem uma filosofia meio burra (mesmo assim, compreensível) de protecionismo à produção nacional, o que afugenta as marcas internacionais do nosso mercado (a não ser que produzam aqui, o que requer um elevado investimento, algo que nem todas as empresas querem fazer). Mas o Nexus 7 custando R$ 1.299 é uma piada de tão mau gosto, que chega a desanimar os entusiastas de tecnologia.

O que resta mesmo é contar com aquela tia-avó que vai para Miami, aquele amigo muambeiro que mora nos Estados Unidos… ou comprar no Mercado Livre mesmo. Nexus 7, no Brasil a R$ 1.299? Só rindo mesmo!