Esse post existiria, independente do resultado. OK, o Brasil venceu a Costa Rica por 2-0, e acho que deveríamos agradecer a qualquer coisa sobrenatural que acreditamos por esse resultado. E nem podemos criticar a formação tática, apesar de entender que Tite precisa mudar esse time, uma vez que William e Paulinho definitivamente não funcionam bem no lado direito do ataque brasileiro.

O motivo desse post é um só: Neymar.

Mais: explicar por que Neymar merece uma indicação ao Oscar 2019.

O histórico de encenação de Neymar é longo. Toda a sua carreira como jogador de futebol profissional mostra que, em algum momento, ele demonstrou uma clara inclinação para a dramaturgia. Algumas cenas são quase Shakesperianas, onde também quase nos convencemos com sua atuação.

Hoje, foi mais um dos grandes atos desse ator promissor.

Não apenas os torcedores europeus não suportam essa mania insuportável do “menino maravilha” em se jogar no chão como criança birrenta, simulando faltas. Os árbitros também estão de olho nisso, ainda mais com todo o comitê de arbitragem da FIFA muito pressionados com a questão do VAR.

E foi justamente o VAR que, merecidamente, ferrou com a vida de Neymar hoje.

Antes do polêmico pênalti não marcado, Neymar demonstrava o seu nervosismo que, repito, ao longo da sua carreira, ele sempre demonstrou e que nunca resolveu de forma efetiva. Reclamações constantes com o juiz, a bola sofrendo agressões (para ele mostrar para o mundo que tem brio, que é “comprometido”, e que finge que é hominho) e ofensas verbais aos adversários são claros sintomas de como o comportamento dele nesse aspecto não mudou absolutamente nada.

O que é algo quase impressionante. Afinal de contas, ele já está cabeludo (com cabelo escroto, por sinal) em saber que ele é o jogador mais visado do mundo, que os adversários vão bater nele até dizer chega, e que ele terá que mostrar muito sangue frio para fazer o seu jogo emocional.

Mas… não! De forma quase imbecil, ele não consegue superar nada disso.

E só piora a situação com o seu desejo em atuar. E mal.

É preciso deixar claro que houve sim o pênalti. O contato aconteceu, e o braço do zagueiro da Costa Rica impede a progressão de Neymar no lance.

Porém, dentro das regras do futebol, o pênalti é INTERPRETATIVO, ou seja, a decisão é e sempre será por conta do juiz. E nem mesmo o VAR mudou isso: pela regra não mudar, mesmo com o auxílio eletrônico, é direito do juiz decidir sozinho sobre a subjetividade do pênalti.

Podemos até discutir depois sobre a validade dessa regra que, ao meu ver, é um pouco contraditória. Mas nesse momento, ela existe. E Neymar sabia disso.

A encenação após o contato, com o claro objetivo de ludibriar a arbitragem sobre a relevância do contato, tirou do Brasil o pênalti. O jogo poderia ser muito mais tranquilo com aquele gol. E o que veio depois só piorou as coisas: Neymar e Phillipe Coutinho (este último o melhor jogador do Brasil na Copa e com sobras, e não falo apenas pelos gols) receberam o cartão amarelo, e entram em campo contra a Sérvia pendurados.

Antes da Copa 2018 começar, comentei com amigos e familiares que Neymar ainda é o termômetro emocional da seleção brasileira. Se ele está emocionalmente bem, o time joga bem. Se ele está emocionalmente instável, o time se desequilibra. E isso ficou bem claro no jogo de hoje.

Por mais que o Brasil apresentasse um elevado volume de jogo no segundo tempo, inclusive executando as variações táticas/inversões planejadas por Tite, o emocional e o desespero impediram uma execução racional de tudo o que foi planejado. E o principal termômetro emocional do time é, repito, Neymar.

Antes, havia a desculpa da pouca idade. O que acho uma falácia, uma vez que Pelé foi campeão do mundo aos 18 anos sendo relevante em 1958. Tá, OK, não dá para comparar os dois. Mesmo assim: em 2012 perdemos o ouro olímpico da mesma forma, e em 2014 eu não me esqueço de um Brasil vs Chile que quase matou todo mundo do coração.

Neymar é um jogador de 26 anos de idade. Está no ápice da carreira. Ele não pode chorar no segundo jogo de uma campanha de sete jogos. Não pode mesmo! Ele está proibido de fraquejar. Precisa ser mentalmente forte. Como vários outros jogadores decisivos são.

Enquanto Neymar não parar de pensar na indicação ao Oscar e decidir jogar o jogo como ele é (e não como ele gostaria que fosse), o hexa está consideravelmente ameaçado.

A Copa do Mundo 2018, por si, já não é fácil. E hoje, o Brasil deixou a corrida pelo título ainda mais complicada.