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Nico Hülkenberg… FINALMENTE!

239 corridas depois e 15 anos de atividades na Fórmula 1 foram os números que marcaram a trajetória de Nico Hülkenberg até agora.

O piloto alemão foi ridicularizado, estigmatizado, criticado, questionado. Até que veio, finalmente, o seu primeiro pódio na F1.

Eu vivi para testemunhar essa história. Acompanhei-a ao longo de todo esse tempo. Fui um daqueles que já não acreditava mais que Hülkenberg poderia, algum dia, conquistar esse pódio, alcançar essa posição de honra entre os que disputam a elite do automobilismo mundial. Mas aconteceu.

 

A história sendo escrita diante dos nossos olhos

O que Hülkenberg fez no GP da Inglaterra de 2025 foi escrever parte da história da própria categoria. E, ainda que eu não esteja com os números em mãos — confesso que estou gravando este vídeo apenas para comentar algo histórico —, não me lembro de um piloto que tenha demorado tanto tempo assim para alcançar o primeiro pódio.

Hülkenberg talvez seja o que mais esperou por esse momento. Se colocarmos em perspectiva todos os pilotos que passaram pela F1 ao longo de 75 anos, em uma temporada marcante, temos agora mais uma grande história para contar.

A grande maioria sequer chegou perto dessa conquista — incluindo diversos pilotos brasileiros que jamais flertaram com o pódio, como Ricardo Rosset, Pedro Paulo Diniz, Tarso Marques. Muitos nem tiveram, em alguns casos, a competência, qualidade e capacidade para alcançá-lo.

Olhando para trás, penso que fomos muito críticos com Hülkenberg. E, talvez, injustos.

Ele é um bom piloto: competente, rápido, técnico. Nesta temporada, a Kick Sauber, equipe em processo de recuperação, aparece surpreendentemente em sexto lugar no Mundial de Construtores.

Isso mostra o quanto Hülkenberg contribui para o desenvolvimento de qualquer equipe, por sua experiência e capacidade de entender e desenvolver carros de corrida.

Nós fomos historicamente duros com ele. E esse terceiro lugar, celebrado como uma vitória, não foi comemorado apenas por Hülkenberg, mas por boa parte do grid da F1. Seus colegas de pista se manifestaram, tanto no site da Fórmula 1 quanto na imprensa em diferentes mídias.

A felicidade pelo feito de Hülkenberg mostra o respeito que ele conquistou ao longo desses 15 anos na categoria.

Não sei se ele vai se aposentar no fim de 2025. Acredito que continue na Kick Sauber, já que seu contrato prevê dois anos, 2025 e 2026 — assim como o de Gabriel Bortoleto.

Mas uma coisa é certa: tal como um guerreiro que enfrentou inúmeras batalhas e dificuldades, Hülkenberg pode, agora, descansar em paz. Não que eu deseje sua partida, mas é uma analogia válida: depois de tanta luta, persistência e insistência, ele finalmente alcançou sua recompensa.

Sua vitória pessoal.

 

Uma carreira digna

Hülkenberg é um piloto que conduziu a própria carreira com dignidade. Não vou entrar no mérito da ética, pois não conhecemos todos os detalhes, e há visões divergentes sobre sua personalidade. Mas sua trajetória foi digna.

Ele parece ser — e demonstra nos resultados — um profissional dedicado, alguém que respeita seu ofício, entrega o melhor de si e busca evolução contínua, tanto pessoal quanto para aqueles à sua volta.

Para Gabriel Bortoleto, é uma dádiva ter um companheiro de equipe como Hülkenberg. Segundo o brasileiro, o alemão é generoso ao compartilhar dicas e atalhos para o desenvolvimento do novato.

Mesmo com um grande “gap” geracional entre eles, Hülkenberg abraça essa diferença como uma oportunidade de crescimento mútuo.

Acredito profundamente que a convivência entre diferentes gerações é uma das melhores formas de promover o desenvolvimento coletivo. Nesse aspecto, Gabriel tem muito a ganhar.

E, como lição para todos nós — porque, nessas horas, esporte e vida se fundem —, Hülkenberg nos mostra o valor de não desistir. Se amamos o que fazemos, se acreditamos que o caminho nos levará a algum lugar melhor, a uma evolução técnica, moral e conceitual, então não devemos desistir.

Pense em todas as frustrações que Hülkenberg enfrentou até esse momento. Em todas as possíveis humilhações vindas da imprensa, dos torcedores, de críticos ácidos. Ele esteve, por muito tempo, na equipe com o pior carro do grid — e mesmo isso ele enfrentou com dignidade.

E não é mais o pior carro. Se alguém dissesse, meses atrás, que a Kick Sauber estaria na sexta posição no campeonato de construtores, seria chamada de lunática. Mas é exatamente o que está acontecendo.

 

Uma grande história para um campeonato histórico

Foram 15 anos de altos e baixos, incluindo períodos afastado da F1. Ele foi resgatado para conduzir a Haas, e mesmo com esse histórico tão fragmentado, o terceiro lugar conquistado no GP da Inglaterra é uma vitória indiscutível. Uma conquista fruto de paciência, resiliência, renúncia e reconstrução constante.

É uma vitória para a Fórmula 1. Em sua 75ª temporada, a categoria ganha mais uma história incrível — em um campeonato que começou morno, mas que agora se revela promissor.

Temos uma disputa de título entre Lando Norris e Oscar Piastri, narrativas alimentadas por rumores sobre a possível saída de Max Verstappen da Red Bull, e agora temos histórias pontuais como a de Nico Hülkenberg.

Talvez esta seja uma das mais bonitas, interessantes e emblemáticas da temporada. Uma história que nos faz refletir: vale a pena continuar trabalhando duro? Vale a pena insistir e acreditar em nós mesmos?

Vale a pena manter um trabalho ético e digno, que nos orgulhe não apenas pelo mérito, mas pelo respeito conquistado — o respeito dos colegas, do público, da imprensa. Hülkenberg venceu. E a Fórmula 1 também venceu. Todos nós vencemos, por tabela, por termos testemunhado uma das grandes histórias de resiliência do esporte.

Até eu fiquei muito feliz com tudo o que aconteceu. Dá até vontade de deixar um agradecimento indireto ao próprio Hülkenberg — por não ter desistido de si mesmo, por não ter desistido da Fórmula 1.

Porque testemunhar seu terceiro lugar no GP da Inglaterra foi, sem dúvida, o ponto alto da corrida. Uma prova interessante, com boas alternativas, mas nada se compara à alegria de ver a felicidade alheia. E essa foi genuína.