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Mulher pelada e pornografia está disponível a dois cliques de qualquer pessoa. QUALQUER UM. Até a sua avó está vendo homem pelado com o pinto de fora na internet enquanto você inocentemente lê esse texto. Logo, a decisão da Playboy em remover as mulheres nuas de sua revista é uma decisão que beira o óbvio. Demorou para acontecer.

Com o advento da internet, só não vê mulher pelada quem não quer. Pelo menos 60% do tráfego de dados da web no planeta está relacionado com algum conteúdo sexual. Os outros 39% são os downloads de pornografia, e 1% restantes é a galera que baixa novos episódios de Game of Thrones. Ou seja, por que a Playboy ia ficar batendo nessa tecla quando qualquer pessoa, em qualquer lugar, pode ter acesso ao entretenimento adulto?

Não faz mais sentido.

Foi-se o tempo que a gente “escondia” revistas de mulher pelada embaixo da cama (como a gente era burro… nossas mães sempre sabiam onde estava, pois elas sempre arrumavam o quarto…). De folhear na banca de jornal com os amigos. De deixar páginas grudadas. Isso ficou no passado. Um passado não muito distante. E a Playboy até que resistiu por muito tempo na tradição de oferecer a nudez como chamariz de sua publicação mensal.

A própria Playboy fez um “teste” no mundo online, e verificou que o comportamento do seu leitor mudou, e se permitiu a alcançar novos públicos com essas mudanças. Em 2014, eles decidiram remover todo o conteúdo de nudez total do Playboy.com, e o resultado foi uma queda na faixa etária dos visitantes do site (de 47 para 30 anos), quadruplicando o volume de visitantes únicos (de 4 milhões para 16 milhões por mês).

Ou seja, um público-alvo com maior potencial de consumo, e uma audiência muito maior, já que o site se adaptou para a faixa de “a partir dos 13 anos de idade”. E a revista vai basicamente fazer o mesmo movimento.

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A revolução sexual criada por Hugh Hefner em 1953 e iniciada por essa capa, com Marilyn Monroe tem um capítulo final, mas no formato tradicional. Sem a Playboy, o mundo seria mais chato, sem sombra de dúvida. O “The Playboy Club” não apenas colocou Carla Perez pelada na nossa frente, ou Adriane Galisteu dando um novo uso para o aparelho de barbear (ou infelizmente as curvas da Hortência e da Marina Lima). Foi além.

Ofereceu um novo estilo de vida. Um estilo de vida exclusivo, sofisticado, premium. Foi um dos primeiros formatos de mídia e de entretenimento a oferecer um padrão top, para públicos que se consideravam selecionados. Isso se massificou, tornando-se referência para outras publicações mundialmente conhecidas. E é claro para as revistas bagaceiras que custam R$ 4,99 nos postos fuleiras das estradas brasileiras.

A internet venceu mais uma. Venceu a MTV, a mídia impressa, a Daniella Cicarelli e agora venceu a Playboy.

Não dá para acabar com a internet, ao contrário do que algumas mentes mais irritadas acreditam. A melhor coisa a se fazer e tentar trabalhar com ela da melhor forma possível. Usar a web como aliada é o caminho. A solução.

E finalmente a desculpa do “comprei a Playboy por causa das matérias” vai fazer algum sentido! :)