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Eu bem sabia que o Apple Watch era um relógio ‘de elite, para poucos, todo trabalhado na ostentação’. Eu bem sabia que ele chegaria bem caro no Brasil (até porque ele é caro lá fora). Mas quando vemos isso retratado em números, temos a plena convicção que ele não foi feito para a maioria de nós. E desconfio que até mesmo para os poucos que poderiam comprar o produto por aqui.

Hoje (18), vazou a notícia de que o Apple Watch pode estrear no Brasil em outubro de 2015, com preços iniciais sugeridos de R$ 2.700 (para a versão Apple Watch Sport de 38 mm), e que podem alcançar os inacreditáveis R$ 110 mil para a versão Apple Watch Gold de 38 mm. Tá, é um relógio de ouro 18 quilates, com pulseira toda trabalhada, um produto pensado para ser exclusivo. Mesmo assim… é um relógio inteligente como outro qualquer, sendo até menos completo que outras opções disponíveis no mercado.

Desculpem, fãs da Apple, mas a verdade é essa.

Lá fora, o Apple Watch Gold custa US$ 10 mil. O aumento no preço estabelecido em abril seria de mais de 30%, por conta da forte variação cambial (só em setembro, o dólar já subiu 8%). Tá, vamos supor se são 35% de aumento de lá para cá. Logo, o Apple Watch Gold deveria custar aqui R$ 78,5 mil, um preço bem elevado, mesmo para um produto do seu porte.

Nesse caso, a conta ‘fecha’. Não vou discutir a margem de lucro, pois nesse caso, eu penso que quem for comprar esse relógio aqui é um retardado mental merece ter o seu dinheiro arrancado pela Apple com toda a violência.

Porém, o simples fato do dólar ter variado mais de 30% faz com que essa margem suba de forma assustadora. O que não deveria surpreender, já que é mais ou menos a margem de lucro que a Apple tem para cada iPhone vendido no Brasil (tradução: o brasileiro paga o preço de dois iPhones lá fora para levar um iPhone no mercado doméstico). Tudo isso é apenas uma pequena amostra de como o nosso mercado é desfavorável. E como a situação do Brasil é bizarra.

Aliás, o Apple Watch a R$ 2.700 é ‘bizarro’ (porque, convenhamos, o smartwatch só serve para receber as notificações do smartphone em seu pulso). Mesmo com o dólar a R$ 4, ele sai por R$ 1.400. O preço de um smartwatch da concorrência (ou alguns modelos recém lançados pela concorrência). De novo, é o ‘2 por 1’ da Apple se fazendo presente no Brasil.

Uma das coisas que me afastam dos produtos da Apple é justamente o preço. Os produtos que eu tenho eu comprei ou de segunda mão, ou vindos de fora do Brasil. Comprar aqui é inviável, não só por causa do ‘fator Brasil’, onde o consumidor paga dois para levar um. Mas com a economia do jeito que está, é simplesmente impraticável o investimento local. A não ser que você esteja nadando em dinheiro (e aí, me convide para nadar com você…).

E tudo vai piorar depois de dezembro, quando os impostos para os produtos de tecnologia se farão efetivos.

É, Brasiu…