Nessa semana, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) fez o leilão das faixas de frequências das novas redes de transmissão de dados. As redes 4G devem atender as zonas urbana e rural em pé de igualdade, e devem estar completamente implementadas até o final de 2016. Mas vale ficar atento para alguns detalhes que, ao meu ver, não deixam as coisas tão felizes e vantajosas para o consumidor. Vejamos…

As grandes vencedoras do leitão, ops… quero dizer, do leilão da Anatel foram Claro e Vivo. E isso já era esperado. Com duas empresas multinacionais muito interessadas em investir no mercado de telecomunicações do Brasil (Carlos Slim já deixou isso muito claro – sem trocadilhos – e a Portugal Telecom fez até a finada Telefonica a mudar de nome, só para limpar a sua imagem por aqui), e entendem que o mercado das redes 4G pode ser um excelente negócio a longo prazo. E olha que estamos falando do Brasil, um país onde os smartphones são caros, e a grande maioria vai ter que trocar de aparelho para usufruir das novas velocidades.

Porém, pensando a curto prazo, com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos batendo na porta, as empresas que ficaram com as melhores cotas poderão explorar o potencial comercial dessa nova rede de forma mais imediata, obtendo lucros mais imediatos. Acordos podem ser fechados com o peso do “nós somos capazes de oferecer a conexão com melhor qualidade”, e nesse jogo, as operadoras de telefonia estão de olho nos milhões que podem entrar através dos governos estaduais, dos patrocinadores dos eventos esportivos, e até do Governo Federal.

E para você, que deseja navegar em uma velocidade próxima à banda larga que você tem na sua casa? Quando poderá usar a conexão 4G?

A melhor resposta para isso é: puxe uma cadeira. Melhor, busque a cama mais próxima. Não vai ser tão cedo.

Assim como o processo de migração do sinal de TV analógico para digital (aqui em Araçatuba não existe o sinal de TV digital… sim, eu vivo no fim do mundo), o processo de adoção das redes 4G no Brasil será algo lento. Muito lento. Mais lento que o Rubinho Barrichello. A prioridade está nas cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, mesmo porque essa é uma das exigências da FIFA (conexão de alta velocidade e qualidade). As cidades adjacentes também devem se beneficiar dessa primeira fase da implantação do 4G no Brasil, mas não criem muitas esperanças sobre isso. É apenas uma tendência, mas nada confirmado.

Outro detalhe importante que o consumidor deve ficar atento: Claro e Vivo compraram as melhores frequências oferecidas pela Anatel (2.5 GHz). Isso não quer dizer que elas vão oferecer o melhor serviço, porém, já largam na frente em relação à TIM e Oi, que ficarão com frequências mais fracas. Esse é um fator que deve ser levado em consideração na hora da contratação do serviço.

Por outro lado, fique atento. Procure ouvir o feedback de outros usuários sobre a qualidade do serviço que a operadora oferece. E isso não vale só para quando o 4G chegar. Utilizar uma rede 3G no Brasil pode ser, em muitos casos, um tiro no escuro, e para muitos, é um investimento relativamente caro demais para ficar arriscando em operadoras que não entregam o serviço prometido, ou que ficam com uma qualidade de serviço e atendimento abaixo do esperado.

Quanto ao 4G no Brasil, eu tenho muito mais fé do que certezas. Tenho fé que o serviço prometido será entregue de acordo com as expectativas dos usuários brasileiros. Tenho fé que operadoras e fabricantes serão no mínimo coerentes para oferecerem smartphones com preços pelo menos razoáveis (não dá pra pedir preços justos, pois essa realidade ainda não existe). Alguns modelos de smartphones que serão compatíveis com as redes 4G já estão circulando pelo mercado nacional. Com preços elevados, é verdade. Mas o tempo passa. Quem sabe lá na frente.

O mais importante: tenho fé que todo esse processo de adoção das redes 4G no Brasil será a menos traumática possível, e que até mesmo as redes 3G melhorem, ou fiquem mais baratas. Mas, repetindo: fé é acreditar em algo que você não tem certeza se existe, ou que vai acontecer. Todos nós sabemos que, no Brasil, a realidade é bem diferente dos nossos sonhos, e esse é um pequeno “obstáculo” no cenário ideal que cada um de nós imaginamos.

Mas, enfim… daqui a quatro anos, vamos voltar a falar nesse assunto.