No mês passado, eu escrevi aqui no blog que a HTC estava na beira do abismo no mercado mobile, e que poderia ser a próxima gigante do setor a sucumbir diante de um cenário que não mostrava nenhuma perspectiva de melhora ou recuperação. E os números recentes da empresa mostram que o que eu escrevi não era algo tão absurdo assim.

Eu não dei uma de profeta do apocalipse. Basicamente fiz uma análise de como as coisas estavam acontecendo com a HTC, e pelo histórico apresentado por várias outras que eram enormes no passado (Motorola, Palm, Nokia, BlackBerry, etc), entendi que o mesmo vai acontecer com os asiáticos. Estamos falando de uma empresa que chegou a bater de frente com a Samsung no início da atual década, mas que hoje não consegue levantar a cabeça do atoleiro.

A HTC fechou o mês de fevereiro com um novo recorde negativo. Mas não foi um recorde qualquer. Foi um baita tombo: o pior resultado financeiro dos últimos 13 anos. A queda nas receitas foi de 23% em relação ao mês de janeiro de 2018, e 44% em comparação com o mês de fevereiro de 2017.

De novo: a HTC tem distribuição limitada. A empresa decidiu assim. Insisto que sair de vários mercados globais (do Brasil, inclusive) foi um grande erro, reduzindo o alcance da marca para mercados que já contavam com players consolidados. Para piorar, a marca lança produtos caros, com preços de um iPhone da Apple ou um Galaxy S da Samsung, muito mais mediáticos.

E, se é para pagar o que a HTC está pedindo, é melhor buscar logo um produto das duas marcas mais populares do mercado.

A salvação da HTC? O mercado de dispositivos para realidade virtual. O HTC Vive tem potencial para ser referência em um setor que ainda está se consolidando, sem ter um líder destacado, e com enorme potencial de crescimento.

Ou seja, ou se agarra à realidade virtual e desiste de vez do mercado mobile, ou vai sucumbir. E não vai demorar muito.