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Pois é, amigo leitor… todo Android Xiita fica se gabando da liberdade que tem para personalizar o sistema do jeito que quiser, de poder alterar vários recursos e características, e ficam trollando os Apple Fanboys, dizendo que eles só conseguem essa liberdade em seus iPhones na base do fórceps (a.k.a. Jailbreak). Pois bem, se você é um desses que, em nome da paixão, se comporta desse jeito, devo dizer que sua paixão te deixa cego a ponto de não perceber que o Android não é tão livre quanto você imagina.

Muitas pessoas que optam por um dispositivo com o sistema Android usa como um dos principais argumentos o ecossistema fechado do iOS, com opções restritas de personalização e utilização de recursos alternativos do sistema, ficando preso aos itens que a Apple deixa disponíveis ao usuário. Mas o que a maioria dos usuários do sistema do Google simplesmente ignoram é que as mesmas restrições técnicas detectadas no iOS são encontradas no Android, graças principalmente pelas operadoras de telefonia móvel.

Isso mesmo, amigo leitor. A mesma operadora que misteriosamente deixa a sua ligação cair, oferece uma internet mais lenta que o Rubinho Barrichello (incrível como essa piada nunca morre…), cobra preços abusivos por serviços que poderiam ser mais baratos, e personalizam os dispositivos com aplicativos que não servem para nada… ainda limitam o seu smartphone de forma semelhante às limitações técnicas encontradas no iOS.

Segundo especialistas, o mais próximo que você vai encontrar de uma experiência de sistema operacional “aberto” e “livre” no Android é justamente nos smartphones da Google, da série Nexus. Mas como ele representa uma pequena fração de todo o universo Android disponível no mercado, não dá para justificar esse modelo como o símbolo de um sistema livre. Mesmo porque até esse modelo acaba recebendo modificações por algumas operadoras quando é ofertado em alguns países.

Por fim, o argumento cabal para que o Android não seja tão livre: a grande maioria dos aparelhos precisam ser rooteados para que algumas das personalizações sejam aplicadas (principalmente as ROMs alternativas). Para muitos, o root do Android é o equivalente do Jailbreak do iOS. Se o sistema fosse tão livre assim, pra que o tal root?

Veja bem, não estamos aqui criticando o rooteamento do Android. Ele abre um mundo de possibilidades para os usuários mais experientes, permitindo várias customizações e ajustes. Assim como o Jailbreak permite ao iOS. Na essência, os dois processos não possuem diferença alguma. Muita gente faz o root para alterar a ROM do Android com o objetivo de otimizar o consumo de bateria do dispositivo, já que com kernels personalizados e customizados, o consumo de recursos da CPU podem ser gerenciados de forma que a bateria não se esvazie rapidamente, como acontece em muitos casos com a ROM original.

E isso porque nem vou falar na fragmentação, que deixa muitos usuários de smartphones Android de linha média presos em uma única versão. Hoje, estamos na versão 4.2 Jelly Bean, mas a maioria dos aparelhos ainda está com a versão 2.3 Gingerbread, e dessa versão não vai sair. Por política de alguns fabricantes, alguns smartphones com potencial técnico para receber a versão 4.0 Ice Cream Sandwich (que já tem 16 meses de idade, caso você não saiba) não serão atualizados, ou para fazer o usuário comprar outro smartphone mais novo, ou até por descaso do fabricante. Isso é liberdade para você?

É evidente que, se você colocar os sistemas Android e iOS lado a lado, você consegue fazer mais coisas com o sistema do Google. Por outro lado, as mesmas restrições técnicas estão presentes nas duas plataformas, e até nas demais (como o Windows Phone e o BlackBerry 10). Logo, a trollagem de alguns Androids Xiitas não se justifica. Para ter uma liberdade mais profunda, nas duas plataformas, algum tipo de “gambiarra” é necessária.

 


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