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O Android perdeu sua identidade visual?

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A falta de originalidade combinada com essa mania insuportável de os fabricantes de smartphones Android em copiar tudo o que a Apple faz resulta em um efeito colateral ainda mais indigesto do que seria em 2025, e esse é o principal motivador para escrever esse artigo.

O lançamento do iOS 26 trouxe o conceito “Liquid Glass”, um design com transparências que redefiniu a aparência do iPhone. Sua recepção dividiu opiniões, mas rapidamente influenciou fabricantes de Android, que começaram a aplicar elementos semelhantes em suas interfaces.

O comportamento é visto em marcas como Realme e Xiaomi, que alteraram suas camadas de personalização para se parecer com o novo visual da Apple. A Realme UI 7 é um exemplo claro do quanto a estética própria de cada fabricante vem sendo diluída pela tentativa de imitar o iPhone.

E essa falta de identidade e originalidade estão me irritando profundamente.

 

Fim da identidade própria do Android?

Sou um usuário de longa data do Android, e me sinto profundamente decepcionado com essa tendência. O sistema operacional sempre teve forças próprias e estilos variados, o que fazia parte da sua essência e popularidade.

Com suas diferentes propostas de interfaces, cada fabricante conseguia interpretar e expressar a sua visão objetiva sobre o sistema operacional. E até mesmo com o Android Stock, a ideia era ficar um pouco à margem do iOS, mesmo apostando em uma maior simplicidade de funcionalidades.

Cópias entre iOS e Android não são novidade, mas antes elas ocorriam em funções, não no design. Desta vez, a influência da Apple atinge diretamente a identidade visual do sistema do Google, o que preocupa fãs mais puristas.

A “Dynamic Island”, outro recurso do iPhone, foi replicada por várias fabricantes Android, evidenciando uma falta de direção criativa, pois recursos são incluídos nos dispositivos sem qualquer tipo de propósito ou funcionalidade real.

Até o painel de controle do iPhone inspirou mudanças em marcas como OPPO e Samsung, o que reforça o padrão de cópia. É como se o iOS estivesse em qualquer lugar, o que cansa aos usuários que sempre querem ver propostas novas.

 

Existe uma salvação para isso?

Felizmente, sim. Mas é correto dizer que apenas algumas marcas – que são enormes exceções de regra – que estão olhando para o design do Android de forma diferenciada, colocando sua identidade na estética.

Apesar da tendência, empresas como Nothing ainda defendem uma identidade diferenciada. O Nothing OS e o Material 3 Expressive da Google mostram que ainda é possível inovar mantendo autenticidade no ecossistema Android.

E isso acontece porque as duas propostas de interface estão diretamente conectadas aos respectivos conceitos gerais dos seus produtos, tal e como sempre aconteceu ao longo da história do Android, e que não deveria mudar em nome de uma aproximação estética com o iOS.

O Android ainda tem chances de preservar sua essência se os fabricantes valorizarem o design próprio. A personalização, símbolo do sistema, precisa continuar sendo seu diferencial frente à uniformização que ameaça o setor.

O mesmo mal de copiar o iPhone em tudo deixou como efeito colateral smartphones que ficaram com o mesmo formato, algo que só mudou quando os telefones dobráveis ganharam popularidade.

Não é possível que os fabricantes vão querer que o mesmo aconteça no sistema operacional embarcado nos dispositivos.

Ninguém merece esse mais do mesmo.


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@oEduardoMoreira