Android puro

Os fãs viscerais do Android defendem dois dogmas inquestionáveis: 1) o Android é melhor que o iOS; 2) Quanto mais parecido com o Android Stock (AOSP), melhor.

Os principais argumentos dos usuários avançados do Android a favor de uma experiência pura passam pela estética das ROMs customizadas, os bloatwares, a queda de desempenho do smartphone, uso inconsistente do Material Design, a lentidão nas atualizações, consumo maior de bateria, entre outros.

Todos são pontos válidos, mas ao longo dos anos os fabricantes foram melhorando suas interfaces, já que os telefones são mais potentes. Logo, as vantagens do Android puro já não são tão claras, certo?

Ou são?

 

 

Tomemos como exemplo clássico a TouchWiz UI da Samsung, Samsung Experience.

No passado, essa interface entregava uma experiência de uso simplesmente horrorosa, com um certo lag por conta da grande quantidade de funções e aplicativos adicionais que incorporava.

Porém, isso mudou nos últimos anos, e a Samsung melhorou muito essa interface. Utilizei o Galaxy S7 e o Galaxy S8, e não senti mais sinais de lentidão. Até porque esses smartphones contam com processadores mais potentes do que o que encontramos em alguns computadores.

O mesmo acontece com o Huawei P10, com a capa de personalização da Huawei, que também não apresenta lentidões. Talvez o Google Pixel XL seja ainda mais fluído, mas a diferença para a maioria é algo imperceptível.

Outro argumento a favor do Android puro está nas atualizações de segurança e salto de versões mais rapidamente. Mesmo este sendo um argumento correto, algumas marcas utilizam versões quase stock, e não atualizam os dispositivos rapidamente.

 

 

A LG foi o fabricante que mais rápido atualizou para o Android Nougat (88 dias), e não usa um Android stock, e também não tem uma interface das mais pesadas. A Motorola, com uma capa de personalização quase stock, também levou 88 dias.

A OnePlus, que utiliza a sua própria versão do Android, a Oxygen OS, levou 131 dias para atualizar para o Nougat, e deixou o OnePlus 2 de fora no processo.

A maioria dos fabricantes usam um Android personalizado para adicionar novas funções, que permitem diferenciá-los da competência.

Apesar do Android apresentar uma grande evolução ao longo dos anos, há muitas coisas que não podemos fazer sem root, e que os fabricantes devem adicionar na sua interface de usuário.

Por exemplo, um indicador de nível de bateria para fones Bluetooth. É um recurso que não vem de série no Android, mas alguns fabricantes já adotaram a algum tempo.

 

 

Por fim, é importante lembrar que o Android puro, nesse momento, é uma raridade.

Os dispositivos Nexus são o melhor exemplo de Android puro. Os modelos Google Pixel já oferecem funcionalidades que não estão no Android, como o software de câmera, o esquema de cores e o launcher Pixel.

Dito isso, eu prefiro o Android puro do que uma capa de personalização ruim. Muitos smartphones chegam com software de baixa qualidade, cheio de falhas e lento, alterando para pior a aparência do Android.

Porém, Samsung, LG, Huawei, Sony, ASUS, HTC e outras grandes marcas já contam com interfaces de usuário amadurecidas de bem funcionais.

Logo, a melhor personalização do Android é a que melhor funciona para você e, obviamente, você sempre poderá trocá-la por uma ROM que se adapte melhor à nossas necessidades.