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Confesso que o Apple Watch foi algo que não me seduziu desde o começo. Aliás, a maioria dos relógios inteligentes deixam a desejar, na minha opinião. O único que realmente me interessou foi o Motorola Moto 360 e, mesmo assim, ele ainda parece um “produto inacabado” aos meus olhos. Mas algo me diz que para o resto do mundo applemaníaco, não será assim. Tanto que a Apple aposta alto no produto.

Alto a ponto de oferecer uma versão exclusiva, de luxo e limitada, que custa a ‘bagatela’ de US$ 10 mil. Bom, vamos por partes, como diria o Jack (Bauer… vai por mim, ele fez picadinho de bandido na 8ª temporada de 24 Horas…).

Eu poderia aqui sair berrando “absurdo, a Apple está louca, isso é um preço descabido, só babaca paga esse preço…”. Como eu estou em uma fase da minha vida onde pretendo ser mais calmo, centrado e objetivo, eu não vou dizer isso. Nem mesmo daqueles que podem pagar até US$ 1.100 por um Apple Watch “comum”, apenas por conta das pulseiras com material mais refinado.

Nada disso. A questão não é monetária, ou se alguém vai perder dinheiro nessa. Nem penso nisso.

Dessa vez, não vou criticar a Apple pelo fato de oferecer um produto caro pra caramba, que poucos podem pagar. Afinal, é o que eles querem: que poucos paguem e caro por seus produtos, para que as margens de lucro sejam sólidas e garantidas. Ou seja, a Apple está repetindo a estratégia que vem dando certo nos últimos trimestres.

No caso específico desse Apple Watch de US$ 10 mil, a Apple decidiu “brincar um pouco”. Estamos falando de uma série limitada de um relógio inteligente, que será vendido por um fabricante muito popular, e que certamente vai ser motivo de status e ostentação por aqueles que podem comprar o produto. Sem falar no marketing que essas vendas dos modelos exclusivos devem gerar para a gigante de Cupertino.

Ou seja, a Apple lança um relógio inteligente mais caro que os demais na sua versão comum. E ainda se dá ao luxo de lançar uma versão ‘de luxo’ desse mesmo relógio, que custa US$ 10 mil.

Você concorda que os custos de produção dessa série limitada não deve variar muito em relação ao modelo tradicional do smartwatch, o que fatalmente vai garantir uma margem de lucro no mínimo generosa para a Apple?

Pois é.

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A Apple está “brincando” porque pode fazer isso. Registrou vendas e lucros fantásticos no quarto trimestre de 2014. Tim Cook estava até mais relaxado e sorridente durante o evento de ontem (9). Podem até “testar” novas possibilidades de ampliar os seus lucros a médio prazo, mas principalmente de reforçar a sua imagem no mercado de empresa de tecnologia mais cobiçada, lembrada, amada e odiada do planeta.

De novo: não me vejo com um Apple Watch no pulso. Acho que, tal como a maioria dos relógios inteligentes do mercado, o produto da Apple ainda precisa amadurecer no seu conceito geral. Mas diferente das outras oportunidades (onde critiquei a empresa, e com razão), não vou nem questionar os US$ 10 mil cobrados pelo modelo de luxo, ou os US$ 1.100 que podem pagar pelo modelo ‘normal’ do relógio.

Afinal de contas, a Apple está podendo. E quem vai pagar esse preço pelo produto, simplesmente pode pagar. E não será um relógio inteligente de US$ 1 mil ou US$ 10 mil que vai influenciar tanto assim os valores atuais.

A não ser que a Samsung resolva fazer mais ou menos a mesma coisa. Se é que vocês me entendem.