
A Seleção Brasileira vive um momento de transição. Seja ela forçada, obrigatória ou planejada, precisa se transformar em algo novo, e com uma certa urgência. Faltam apenas quatro jogos para o final das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, e ainda não temos uma vaga garantida.
A necessidade de renovação é evidente, e uma nova geração talentosa surge com força no cenário internacional. Vinícius Júnior, Rodrygo e Endrick simbolizam essa mudança e apontam para um futebol mais coletivo, versátil e dinâmico, menos dependente da genialidade de um único craque.
Uma coisa parece ser consenso: não podemos mais depender de Neymar para conduzir a Seleção Brasileira. Por outro lado, o jogador do Santos passa bem longe de ser um dos únicos pontos de mudança nesse time.
O que mais a CBF precisa fazer?

Para que essa transformação se concretize, a autonomia da comissão técnica é algo fundamental. Na verdade, seria o mundo perfeito.
Seja Jorge Jesus ou outro treinador, o comando precisa de liberdade para impor uma filosofia baseada em critérios técnicos, sem interferências externas ou privilégios a jogadores específicos, por mais estrelados que sejam.
A escolha do novo técnico será decisiva para os novos rumos da Seleção Brasileira. Um perfil disciplinador e focado no trabalho coletivo, como o de Jesus, pode inaugurar uma nova dinâmica.
O problema é pensar que Ednaldo Rodrigues, atual presidente da CBF, pode trabalhar para ir justamente na direção contrária, apenas e tão somente para agradar Neymar e, eventualmente, seguir contando com ele na Seleção Brasileira.
Se as especulações sobre a resistência de Neymar à sua contratação forem reais, isso expõe um problema maior: o peso da influência individual sobre um processo que deveria priorizar o coletivo.
Será que o Ednaldo tem coragem?

A CBF precisa garantir que o projeto esportivo esteja acima de interesses pessoais ou egos inflados. O futuro da Seleção depende de uma base sólida, construída sobre meritocracia e visão de longo prazo.
Os novos protagonistas precisam de espaço para brilhar sem serem sufocados por uma hierarquia ultrapassada, que insiste em se sustentar pelo passado glorioso. Chega de ver jogador batendo no peito e afirmando que o Brasil é pentacampeão mundial, especialmente em um grupo cuja geração não venceu nada pelo país.
Além de ser um discurso arrogante, ele passa bem longe de uma realidade prática. Quando nenhum deles não venceu um título mundial (e vários na Argentina podem afirmar isso, por exemplo), a melhor resposta é mesmo jogando bola e trabalhando duro.
O futebol, como um todo, exige uma evolução das equipes e de seleções. E a Seleção Brasileira precisa seguir em frente.
Neymar foi um talento geracional, mas se quiser continuar relevante, precisará se reinventar e liderar pelo exemplo. Algo que, sinceramente, tenho sérias dúvidas de que ele é capaz de fazer.
Caso contrário, a Seleção seguirá presa a uma dependência que já mostra sinais de esgotamento, comprometendo suas chances em um cenário internacional cada vez mais competitivo.
Ficar agarrado ao fracasso pode custar a primeira ausência do Brasil em uma Copa do Mundo em toda a sua história. E isso, porque eu considero esse cenário um tanto quanto improvável.
A hora da mudança chegou. E não há mais tempo a perder.
Pelo contrário: já estamos atrasados.

