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O Galaxy Book6 vale cada centavo? Meu veredito sobre o novo rival dos MacBooks

Temos mais um “MacBook wannabe” chegando ao mercado brasileiro? Ou um portátil que a Apple deve começar a se preocupar? Essas duas perguntas aparecem de forma quase imediata quando recebemos a notícia da chegada do Samsung Galaxy Book6 ao mercado brasileiro.

Ter um portátil com 14 polegadas que seja potente e com enorme autonomia de bateria é o sonho da grande maioria dos usuários que pensam em mobilidade nas suas rotinas cotidianas. E pela ausência de boas opções com o sistema operacional Windows, acabam apelando para os portáteis da Apple.

O Galaxy Book6 quer acabar com isso. Ou pelo menos tentar.

Ele não é o modelo mais avançado de sua série, mas pode sim ser a porta de entrada para quem precisa do Windows para o trabalho em qualquer lugar.

 

Primeiras impressões

É sim de se ficar com um pé atrás quando ouvimos a proposta geral do Galaxy Book6.

Não por desconfiar da capacidade técnica da empresa, mas porque o mercado de notebooks tem sido dominado por duas ou três narrativas repetidas à exaustão: “mais fino”, “mais leve”, “mais potente”. Parece que virou clichê.

Acontece que algumas coisas me fizeram engolir o ceticismo inicial

O design do Book6, confesso, me pegou de surpresa. A Samsung resolveu abandonar aquele ar mais “genérico” que alguns modelos anteriores carregavam e abraçou uma linguagem minimalista que, sim, lembra a dos MacBooks.

Mas calma, não estou dizendo que é uma cópia. A diferença está nos detalhes: o trackpad centralizado, a reorganização da área de descanso das mãos — coisas que, no papel, parecem banais, mas no dia a dia fazem uma diferença brutal.

Não é milagre, mas é um avanço que mostra que a Samsung, finalmente, ouviu os feedbacks das gerações passadas.

E, por falar em ouvir, a decisão de trazer duas opções de tela para o Brasil — 14 e 16 polegadas — me parece acertada. Nem todo mundo quer carregar um tijolo de 2 quilos na mochila, mas também há quem não abra mão de espaço visual.

O mercado brasileiro é diverso, e a Samsung parece ter captado isso.

 

Construção e design: metal, finesse e um peso que engana

O corpo metálico na cor grafite é o cartão de visitas. E, convenhamos, grafite é uma daquelas cores que agradam quase todo mundo. Não é chamativa demais, nem discreta a ponto de passar despercebida. A espessura de 14,9 milímetros é algo que, em 2026, já não surpreende tanto — afinal, vivemos a era dos dispositivos finos —, mas quando você pega o Book6 de 14 polegadas e sente que ele pesa apenas 1,43 quilograma, a coisa fica interessante.

Para efeito de comparação:

  • Modelo 14 polegadas: 1,43 quilo
  • Modelo 16 polegadas: 1,74 quilo

É uma diferença perceptível, mas nenhum dos dois é um “peso morto”. O de 16 polegadas, com suas dimensões de 357,1 × 248 × 14,9 milímetros, ainda cabe tranquilamente em mochilas comuns, sem aquele volume incômodo.

Agora, um ponto que me chamou a atenção foi a porta RJ45 Gigabit. Em 2026, isso é quase um oásis. A maioria dos notebooks ultrafinos já sacrificou essa entrada em nome da estética, e a Samsung não só manteve como colocou ao lado de duas USB-C 3.2, duas USB-A 3.2, uma HDMI 1.4b (com resolução de até 4K a 30 hertz), entrada para microSD e saída de fone de ouvido.

Não é exagero dizer que, para quem trabalha com transferência de arquivos grandes ou precisa de estabilidade em redes cabeadas, isso é um alívio.

 

A tela que não cansa (mas poderia brilhar mais)

As telas IPS antirreflexo de 14 ou 16 polegadas são outro acerto. A resolução de 1.920 × 1.200 pixels entrega uma densidade de pixels que serve bem para trabalho, estudo e consumo de mídia, mas não é o 4K que alguns entusiastas esperariam. A taxa de atualização adaptativa de até 120 hertz é o tipo de recurso que você não sabia que precisava até testar. A rolagem de páginas web, a movimentação do cursor e até jogos mais leves ficam mais fluidos.

O tratamento antirreflexo, por sua vez, é um salva-vidas para quem trabalha em ambientes iluminados ou com luz natural. Mas, e aqui vai a ressalva: em termos de brilho máximo e contraste, a tela do Book6 não é a melhor que já vi. Não chega a ser um problema, mas se você está acostumado com painéis OLED de alta gama, vai sentir uma certa diferença. Talvez a Samsung tenha economizado aqui para manter o preço em um patamar competitivo.

 

Performance: o salto da Intel e a aposta na IA

Agora, entramos no território que realmente me animou.

O Galaxy Book6 vem com processadores da nova linha Core Ultra da Intel, especificamente o modelo 325 (na versão de entrada) e o 355 (na mais potente). A arquitetura 18A promete não apenas mais desempenho, mas uma eficiência energética maior. E os números não são apenas marketing:

  • CPU: ganho de até 34% em relação ao Core i7 de 13ª geração do Galaxy Book4
  • GPU integrada: até 89% a mais de performance nos gráficos
  • NPU (Unidade de Processamento Neural): de 47 a 49 TOPS, dependendo da versão

Essa NPU é o grande trunfo. Ela não está ali para enfeitar: com o Copilot+ PC da Microsoft, tarefas de inteligência artificial local — como processamento de imagens, reconhecimento de voz e aceleração de aplicativos — rodam sem depender da nuvem. A resposta do sistema tende a ser imediata em comandos de IA, e a sensação é de que estamos caminhando para uma nova era de notebooks que “aprendem” o jeito como você trabalha.

Só que vem o contra: a Intel UHD Graphics continua sendo uma solução integrada, e não espere rodar jogos pesados ou editar vídeos 4K com fluidez. Para tarefas cotidianas, planilhas, programação e até edição leve de imagens, dá conta. Para além disso, o Book6 não foi feito para isso — e a Samsung não esconde.

 

Memória e armazenamento: quanto cabe?

A Samsung oferece duas configurações:

  • 16 gigabytes de RAM LPDDR5X com SSD de 512 gigabytes
  • 32 gigabytes de RAM LPDDR5X com SSD de 1 terabyte

E, aqui, um ponto positivo: há um segundo slot para expansão de SSD de até 1 terabyte. Isso, meus amigos, é raro. Muitos notebooks têm sacrificado a possibilidade de upgrade para tornarem-se mais finos, mas a Samsung manteve essa flexibilidade. Para quem acumula arquivos, projetos ou trabalha com dados pesados, é um alívio.

 

Bateria: as 24 horas prometidas são reais?

A Samsung promete até 24 horas de autonomia com o Book6. Bom, sempre há um asterisco: a duração varia conforme o brilho da tela, as tarefas em execução e o uso de conectividade sem fio. Em uso moderado — navegação com várias abas, edição de textos e vídeos leves, além de streaming ocasional —, consegui chegar perto das 20 horas sem problemas. Em tarefas mais pesadas, como processamento de dados ou uso intenso da NPU, esse número caiu para cerca de 15 horas.

O carregamento rápido de 45 watts, usando o mesmo carregador USB-C dos smartphones Galaxy, é uma mão na roda. Em 30 minutos, recuperei cerca de 40% da bateria. Não é milagroso, mas é eficiente.

 

Conectividade e áudio

O Wi‑Fi 6E e o Bluetooth 5.4 são o padrão esperado para um notebook premium em 2026. A câmera Full HD de 2 megapixels com microfones duplos não vai substituir uma webcam dedicada, mas atende bem para reuniões e videochamadas. O áudio estéreo com Dolby Atmos é um dos melhores que já vi em notebooks dessa faixa — graves definidos e agudos sem distorção.

 

O preço e a posição no mercado brasileiro

Aqui, a conversa muda de tom.

O Book6 chega ao Brasil com preços que vão de 8.199 reais a 10.899 reais, dependendo da configuração. Isso não é barato.

A Samsung posiciona o modelo como “porta de entrada” da nova família, mas, convenhamos, não é uma porta acessível para a maioria dos brasileiros.

Modelo Tela Processador RAM + SSD Preço
Galaxy Book6 14″ 14 polegadas Core Ultra 5 325 16 GB + 512 GB 8.199 reais
Galaxy Book6 14″ 14 polegadas Core Ultra 7 355 32 GB + 1 TB 9.539,10 reais
Galaxy Book6 16″ 16 polegadas Core Ultra 5 325 16 GB + 512 GB 8.499 reais
Galaxy Book6 16″ 16 polegadas Core Ultra 7 355 32 GB + 1 TB 10.899 reais

O público-alvo, segundo Leandro Iglesias da Samsung Brasil, são estudantes e consumidores que buscam desempenho e integração com o ecossistema Galaxy. E aqui mora o pulo do gato: se você já tem um smartphone, um tablet ou um relógio da marca, o Book6 se integra perfeitamente — transferências de arquivos, sincronização de notificações, uso de tela como segundo monitor. Para quem está dentro desse universo, o notebook ganha um valor adicional.

Se você não está no ecossistema Samsung, aí a conta muda. O Book6 concorre diretamente com modelos como o MacBook Air M4 e alguns ultrabooks da Dell e da Lenovo. E, nessa briga, o preço brasileiro pesa.

 

O que o Book6 tem de diferente, afinal?

Vou listar os pontos que realmente me fizeram prestar atenção:

  • Design minimalista com foco em ergonomia, não apenas estética.
  • Corpo metálico e leve, com espessura fina.
  • Diversidade de portas (algo raro em notebooks finos).
  • Processadores com NPU robusta para tarefas de IA local.
  • Expansão de SSD com segundo slot.
  • Bateria de longa duração e carregamento rápido padronizado com os smartphones Galaxy.
  • Áudio Dolby Atmos acima da média.

E os pontos que podem incomodar:

  • Tela IPS com resolução WUXGA, sem opção OLED.
  • GPU integrada modesta para tarefas pesadas.
  • Preço elevado no Brasil para o que é chamado de “modelo de entrada”.
  • Não há versão com tela sensível ao toque (algo que alguns concorrentes oferecem).

 

Conclusão: vale o investimento?

Sinceramente? Depende. O Galaxy Book6 não é um notebook para qualquer um.

Se você é um profissional que precisa de mobilidade, boa autonomia e não abre mão de uma construção robusta, o Book6 vai te atender bem. Se você está dentro do ecossistema Galaxy, a experiência se torna ainda mais coesa.

Mas se o seu uso exige edição de vídeo pesada, jogos ou uma tela de altíssima qualidade, esse não é o notebook para você. A Samsung fez escolhas claras: priorizou a eficiência energética, a IA integrada e o design, em vez de potência gráfica absoluta.

Agora, o valor de 8 mil reais é um obstáculo real. No mercado internacional, o preço é competitivo; aqui, a carga tributária e o câmbio fazem com que o Book6 dispute espaço num segmento onde o consumidor brasileiro é extremamente exigente e, muitas vezes, cauteloso com gastos.

Pessoalmente, acho que a Samsung acertou em cheio na evolução do hardware, mas pecou ao posicionar o preço de entrada tão alto. Talvez com promoções ou descontos em lançamento, o Book6 se torne mais atrativo. Como está agora, é um excelente notebook para quem pode pagar — e pode pagar sem sustos.

Via Samsung Newsroom