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O grande problema do Galaxy Z TriFold

O Samsung Galaxy Z TriFold é uma realidade. E é exatamente do jeito que todo mundo viu em todos os vazamentos.

Ao menos sabemos que o produto possui uma boa dose de engenharia integrada, confirmando inclusive que o Galaxy S25 Edge não era apenas uma tendência de ultrafino, mas um preview do que seria o TriFold.

A comparação com o Huawei Mate XT Ultimate Design é inevitável, mas a Samsung escolheu um caminho focado na durabilidade estrutural em detrimento da versatilidade.

Traduzindo o que eu escrevi no parágrafo anterior: a Huawei oferece três modos de uso, e a Samsung limita o usuário a duas opções.

Mas o grande problema do Galaxy Z TriFold nem é esse. É a sua bateria com ridículos 5.600 mAh, uma decisão infeliz que a Huawei também tomou.

Parece que essas marcas não fizeram as contas direito: são TRÊS TELAS para um telefone com bateria de um Galaxy S25 Ultra.

O que aconteceu aqui?

 

Design e engenharia

A Samsung priorizou a integridade física do display flexível ao projetar o mecanismo de dobra do Z TriFold.

Diferente da abordagem da Huawei no Mate XT, onde a tela envolve o aparelho e fica suscetível a riscos e impactos externos (o que também é uma decisão de gosto duvidoso), o modelo da Samsung dobra-se sobre si mesmo.

Isso garante que, ao ser transportado no bolso ou em bolsas, a tela sensível esteja protegida pelo corpo de titânio e fibra de vidro do smartphone, delegando a interação rápida a uma tela externa robusta e convencional.

Olhando única e exclusivamente para este aspecto, a escolha da Samsung resulta em uma proposta mais longeva para a tela, o que é resultado da maior maturidade industrial que a marca possui em comparação com a Huawei, que apostou pela primeira vez nesse tipo de dispositivo.

A construção utiliza materiais nobres e certificação de resistência IP48, o que oferece proteção contra água, algo impressionante para um dispositivo com tantas partes móveis.

O problema aqui é aquele velho ditado:

“Cada escolha, uma renúncia”.

A proteção adicional do Galaxy Z TriFold resulta também em uma espessura maior quando fechado, transformando o dispositivo em um bloco denso e pesado no bolso.

Não deve ser a coisa mais confortável do mundo para se transportar naquela calça skinny que você tanto gosta de usar nas baladas noturnas.

A dobradiça foi completamente reestruturada para permitir esse fechamento em três partes sem criar vãos excessivos. E temos que respeitar o esforço da Samsung neste aspecto.

A engenharia aplicada aqui é uma evolução direta do que foi visto no Galaxy Z Fold 7 e no modelo Edge, permitindo que o aparelho seja incrivelmente fino quando aberto.

Ótimo. Perfeito. Maravilha. Só tem mais um problema. Ou melhor, o maior problema do Galaxy Z TriFold.

A espessura reduzida limitou o espaço interno físico, o que impactou diretamente outros componentes vitais, como o sistema de resfriamento e, crucialmente, os módulos de bateria.

Vamos falar da bateria mais adiante, pois tal aspecto merece um segmento só dele (de tão ruim que é).

 

As limitações de usabilidade

É frustrante pensar que um smartphone como o Galaxy Z TriFold (que, muito provavelmente, vai custar bem caro no Brasil) seja um dispositivo binário.

Eu explico.

Ou ele é um telefone comum, ou é um tablet gigante. Ele não pode ser um tablet intermediário ou um smartphone com uma tela um pouco maior.

Não existe um “meio-termo” viável via software ou mecânica para usar apenas duas das três telas, algo que é possível com o Huawei Mate XT.

Isso obriga o usuário a desdobrar todo o conjunto mesmo que queira apenas um pouco mais de área visual, tornando o uso em ambientes apertados ou em movimento menos prático.

Não é possível que a Samsung tenha dedicado tempo e recursos financeiros enormes para chegar neste resultado limitante.

E, muito provavelmente, porque não patenteou a solução da Huawei. Ou optou seguir por um caminho diferente para não romper com sua filosofia de design ou proposta funcional.

É muito conservadorismo por parte da Samsung…

A ausência de um modo intermediário faz com que o aparelho perca parte do apelo de “três dispositivos em um”, o que ajudaria a vender (e muito) a ideia do telefone.

Ele só é Tri por ter dois pontos de dobra e três telas, e não por ter três modos de uso.

Lamentável…

O software, embora fluido e adaptado para a tela cheia de 10 polegadas, não parece reconhecer ou aproveitar as nuances que a dobradiça dupla poderia oferecer.

A experiência parece ser um tanto quanto incompleta, sugerindo que o hardware avançou mais rápido do que a capacidade da Samsung de adaptar a interface One UI para esse novo formato de tela expansível.

O que deixa a péssima impressão de que o Galaxy Z TriFold ainda é um produto “beta” neste aspecto. E os primeiros compradores que lidem com isso.

Confesso que admiro a coragem dos early adopters nesses cenários…

Além disso, a falta de suporte para a S Pen nesta primeira geração reforça a sensação de um produto experimental.

Para um dispositivo que se transforma em um tablet e foca em produtividade, a ausência da caneta stylus é uma omissão que considero absurda e incompreensível.

Um smartphone que vira um tablet de 10 polegadas GRITA por produtividade e criatividade. Mas deixa de lado um acessório que melhora a experiência de uso nesses dois aspectos.

Isso coloca o Z TriFold em uma posição estranha de ser o maior e mais caro dispositivo da marca, mas oferecer menos recursos de produtividade prática do que a linha Z Fold tradicional ou a linha Galaxy S Ultra.

Me ajuda a te ajudar, Samsung, pois te entender se tornou uma missão muito complexa para o meu cérebro.

 

Hardware e câmeras “de elite”

Apesar das críticas estruturais, o Z TriFold é um monstro em especificações técnicas de processamento e captura de imagem.

É o mínimo que se pede de um smartphone que pode custar o seu rim e o seu pâncreas.

Equipado com o Snapdragon 8 Elite e 16 GB de RAM, o desempenho é comparável a computadores de alta performance, realizando tarefas complexas como compactação de arquivos e edição de vídeo com velocidade absurda.

De novo: é obrigação do Galaxy Z TriFold ser potente. Ainda mais com a quantidade de recursos de inteligência artificial que ele vai abrigar.

A Samsung conseguiu integrar sensores de câmera de altíssima qualidade, incluindo um sensor principal de 200 MP, sem criar lombadas excessivas na traseira do aparelho.

Mais um resultado de toda a pesquisa e desenvolvimento que a Samsung fez para chegar neste resultado… e do Galaxy S25 Edge, que é fruto direto desse modelo dobrável.

A qualidade fotográfica é um ponto alto do telefone, mostrando que a Samsung superou barreiras técnicas importantes na miniaturização de lentes e sensores.

Ter um dispositivo que se desdobra em um tablet e ainda é capaz de tirar fotos de nível profissional é um feito de engenharia louvável, posicionando o TriFold como uma ferramenta poderosa para criadores de conteúdo que precisam de uma tela grande para edição (viewfinder) e captura de alta fidelidade no mesmo pacote.

Aqui, continuamos na narrativa de um dispositivo pensado no público profissional, mas que peca em alguns aspectos relevantes para esses usuários.

É só pensar um pouco: poder editar as fotos em uma tela de 10 polegadas com a ajuda da S-Pen… não seria algo perfeito para você?

Mas… não. A Samsung não conseguiu entregar o mundo perfeito nesse telefone. Ou não se esforçou para isso.

E o principal indício dessa escolha de gosto duvidoso está no seu principal problema: a bateria.

Antes de chegar no grande problema do Galaxy Z TriFold, vale o registro que o uso intenso dessas câmeras e do processador poderoso em conjunto com a tela LTPO de 120Hz CERTAMENTE devem drenar a energia da bateria rapidamente.

E isso, porque a Samsung deu uma aliviada no brilho da tela do Galaxy Z TriFold.

Seu pico máximo de 1600 nits está abaixo dos 4000 nits da concorrência, na tentativa de equilibrar o consumo energético com tantos recursos exigentes.

O hardware é impecável em potência bruta, não resta dúvidas disso. Mas parece estar “preso” por uma fonte de energia que não consegue sustentá-lo por longos períodos de uso intenso.

E finalmente chegamos no grande problema do Galaxy Z TriFold.

 

Uma bateria ridícula

A bateria de 5600 mAh é, sem dúvida, o “Calcanhar de Aquiles” do Galaxy Z TriFold. Pior: é o que pode invalidar o produto para muitas pessoas.

Para colocar em perspectiva, tablets da própria Samsung com telas de tamanho similar possuem baterias que partem de 8000 mAh.

Oferecer apenas 5600 mAh para alimentar três painéis OLED e um processador de elite resulta em uma autonomia que tem tudo para insuficiente até para usuários moderados, relembrando os tempos sombrios das primeiras gerações de smartphones que exigiam recargas constantes.

Tudo bem, eu sei o que você vai falar:

“Mas a maioria dos usuários não vai usar esse smartphone com as três telas ativas o tempo todo…”

Eu concordo. Mesmo assim…

São tantos recursos embarcados que são mais potentes que a média, que a demanda tende a ser maior do que a que normalmente encontramos na grande maioria dos smartphones.

Processador premium, sensor de câmera poderoso, o usuário passando mais tempo com esses recursos em funcionamento, as soluções de inteligência artificial…

Coloque tudo isso na balança e, no final, o Galaxy Z TriFold tem boas chances de se tornar um caro e prepotente telefone fixo.

A Samsung foi extremamente cautelosa e conservadora na escolha da bateria do Galaxy Z TriFold. E aqui, não sabemos se foi pelo trauma (dos problemas do Galaxy Note 7) ou por uma escolha obrigatória (por causa do design ultrafino).

E, mesmo assim… é difícil de entender essa escolha.

Marcas chinesas já adotam baterias de silício-carbono com densidades muito maiores, enquanto a Samsung mantém uma tecnologia que não acompanha a demanda energética do dispositivo.

Temos aqui um um paradoxo: o aparelho convida ao consumo de mídia e multitarefa, mas a bateria tira a chance de um uso prolongado dessas funções.

Diante disso, o Galaxy Z TriFold não pode ser recomendado para os usuários corporativos ou os chamados “power users”, que são justamente os dois públicos-alvo desse nicho de dispositivo (os smartphones dobráveis em formato Fold).

Depender de carregamento rápido (45W) várias vezes ao dia anula a portabilidade que o formato dobrável tenta vender.

Se o dispositivo tivesse mantido a espessura de modelos anteriores para acomodar uma bateria de 7000 mAh ou mais, a aceitação do público provavelmente seria muito maior, mesmo com o peso extra.

E eu duvido que o design ficaria muito mais espesso do que temos no Galaxy Z TriFold neste momento. Era só a Samsung redistribuir os mAh a mais nas três partes do corpo do telefone, e pronto: problema resolvido.

Mas como eu não sou pago pela Samsung para oferecer soluções…

 

Vale a pena?

No momento em que estou escrevendo este artigo, o Galaxy Z TriFold ainda não tem preço definido no Brasil. Mas há quem diga que ele pode custar pelo menos R$ 20 mil (aposto em um valor mais alto).

Dito isso, é um artigo de luxo extremo, onde a racionalidade da compra cede espaço à exclusividade do dispositivo.

Só os early adopters e aqueles que gostam de esfregar na cara do mundo que contam com dinheiro infinito vão investir o dinheiro no Galaxy Z TriFold nos primeiros meses de lançamento.

Ele é mais caro que um Galaxy S25 Ultra e um Galaxy Tab S10 e, mesmo assim, não oferece a mesma usabilidade, bateria e produtividade.

Não faz sentido.

Mas nem tudo é desgraça aqui.

A existência do TriFold é importante para o avanço da indústria, forçando a concorrência a se mover e a tecnologia a evoluir.

Estamos falando de uma tendência que está consolidada. Os smartphones dobráveis são uma realidade, e o Galaxy Z TriFold é uma evolução desse conceito de alguma forma.

A Samsung não está sozinha nessa (a Huawei cometeu erros similares, diga-se de passagem), e é preciso dar tempo ao tempo de qualquer maneira para entender melhor como será a percepção do público à nova proposta.

No entanto, como produto de consumo, ele é classificado como uma “demonstração técnica” vendida ao público, e não um conceito que está devidamente amadurecido.

E o que é pior (para nós, brasileiros, inclusive): é bem provável que a Samsung domine o novo segmento, mesmo entregando produtos com problemas conceituais nas primeiras gerações.

A ausência de concorrentes globais (já que marcas como Huawei, Oppo e Vivo têm presença limitada no ocidente) permite que a Samsung lance um produto imperfeito e ainda domine o segmento, uma situação que deixa o consumidor sem alternativas reais fora do ecossistema de importação.

É correto interpretar e encarar o Galaxy Z TriFold como uma vitória da engenharia de display e dobradiças. Mas também é justo reconhecer que estamos diante de uma grande derrota na gestão de energia e versatilidade prática.

É o único de sua espécie disponível globalmente, o que o torna a única opção para quem deseja essa tecnologia agora.

E, mesmo assim, pelos motivos apresentados, eu recomendo que você pense umas dez vezes antes de comprar. E só invista o dinheiro se estiver bem consciente de que esse conceito ainda precisa evoluir.

Você está comprando um experimento com cara de produto final. Tal e como os primeiros compradores do Galaxy Z Fold fizeram lá atrás.

É um dispositivo para entusiastas com orçamento ilimitado que aceitam ser “testadores beta” de um futuro que, embora brilhante, ainda não está totalmente pronto para o presente.

Agora, se pergunte se vale a pena pagar caro para testar um conceito da Samsung de graça.

Espero ter ajudado de alguma forma.