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Algumas coisas mudaram no mundo da tecnologia. Se em 2009, a Microsoft ditava regras ditatoriais para os fabricantes de PCs, em um mercado que eles dominavam em 90% nos sistemas operacionais, hoje, mesmo sendo ainda a plataforma dominante, eles se deparam com um cenário de queda de vendas de PCs de 10% no último ano, sem falar na concorrência com os tablets, e na baixa adesão ao Windows 8.

Com tudo isso, a Microsoft se vê obrigada a ter um discurso mais polido com os fabricantes, o que pode indicar que o império do Windows pode estar chegando ao fim.

Como disse antes, o Windows ainda conta com uma grande fatia de mercado. Porém, os fabricantes decidiram trair a Microsoft em massa nos últimos 12 meses. As provas dessa infidelidade? Ok: a ASUS lançando notebook com dual boot (Windows + Android), a Intel dando suporte para equipamentos dual boot, empresas como LG, HP, Dell e Acer apostando nos Chromebooks, e até a Lenovo lançando desktops Android.

As opções se abrem, e os fabricantes buscam cobrir dois flancos: encontrar propostas que freiem a queda de vendas, e diversificar o cenário de computadores, mostrando que a Microsoft não está mais sozinha nesse setor. Sem falar que o Windows 8 não é bem visto pela maioria dos consumidores. A ponto da HP voltar a vender computadores com o Windows 7.

O Windows 8 foi o sistema mais inovador e atrevido que a Microsoft lançou em décadas, na minha opinião. Mas é inegável que muita gente torceu o nariz para a nova interface, e esse é um dos motivos que está atrapalhando o Windows nesse momento. Muita gente sequer pensou em atualizar, e outros tantos estão imediatamente pedindo o direito para voltar ao Windows 7, para se tornarem mais produtivos.

Mas a nova versão do Windows não pode ser considerada a culpada pela queda de vendas dos PCs. Isso está muito mais relacionado aos hábitos do usuário, e com a ideia do PC ou notebook ser hoje um produto para trabalhar, e a maioria dos usuários domésticos apenas consome conteúdos, e não produzem. Para aqueles que fazem um pouco de tudo, os equipamentos híbridos podem ser a solução, mas ainda é uma proposta que precisa amadurecer.

O Windows 8.1 corrige alguns dos pontos mais criticados pelos usuários nas recentes mudanças. E eu não me lembro da Microsoft ter atualizado tão rapidamente o seu sistema, e mais: oferecendo o update de graça.

De qualquer forma, o maior desafio da Microsoft hoje é encontrar novas maneiras de se manter na liderança do mercado de sistemas operacionais para desktops. Não existe hoje uma fórmula mágica para isso: o usuário de tecnologia (o bom, não o xiita radical babaca) é um ser que usa múltiplos sistemas, transitando entre eles com certa facilidade. E querem fazer isso da forma mais cômoda possível.

Resta para a Microsoft seguir arriscando com produtos que sejam inovadores e diferenciados (e o Windows 8 e o Windows Phone são filhos dessa ideia), e assumindo que a máxima “a Microsoft sempre chega e se impõe”, que fez parte das entrelinhas do mercado de tecnologia há 30 anos, não existe mais nesse exato momento.


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