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A cada confirmação de evento da Apple, sempre nos perguntamos quais serão os produtos que eles vão apresentar. Dessa vez, não foi diferente: para o evento do dia 10 de setembro, muitas possibilidades foram levantadas, e todos nos sabíamos que os novos iPhones seriam anunciados. Porém, um grupo de usuários ainda esperava que novos iPods aparecessem, ou ao menos uma atualização dos modelos existentes. E isso não aconteceu.

Mais uma vez, levantamos a importante questão: ainda existe espaço no mercado para esse tipo de dispositivo?

O primeiro iPod foi apresentado ao mundo em 22 de outubro de 2001, e muito do que a Apple é hoje no mercado de tecnologia e eletrônicos de consumo está relacionado diretamente com esse lançamento. Seus players portáteis foram um sucesso sem precedentes, se transformando na porta de entrada do ecossistema da empresa para muitos.

Na época, os produtos da Apple não eram tão “mainstream” como são hoje, com alguns produtos dominando seus respectivos setores. O iPod colocou a empresa de Cupertino em um novo patamar, introduzindo milhões de pessoas ao seu modo de fazer as coisas: combinar hardware e software para oferecer a melhor experiência possível.

Porém, a pergunta persiste: o iPod, assim como outras formas de ouvir música portátil… morreu?

Vejamos…

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Na década de 1970, a Sony apresentou ao mundo o Walkman, um produto que os mais velhos guardam na lembrança com muito carinho. Foi o companheiro de jornada de muita gente, e se valia da popularidade das fitas cassete. Era algo incrível. Eu mesmo me vali muitas vezes do Walkman para me isolar do mundo, e ouvir as minhas músicas preferidas.

Na década de 1980, a mesma Sony lançou o Discman, com o mesmo conceito do Walkman, mas aproveitando a emergente tecnologia dos CDs. Em 1984, eles apresentaram o D-50, e a partir daí, uma nova forma de ouvir música em movimento foi apresentada. Muita gente passou a levar na cintura o tal Discman (mesmo sofrendo com as faixas que saltavam com um movimento mais brusco).

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Na década de 1990, veio o MiniDisc, que não teve muito sucesso com o grande público, mas encontrou um espaço no segmento profissional. Oferecia uma grande qualidade de som, e a possibilidade de gravar várias vezes as músicas no dispositivo, sem perder a sua qualidade.

O MP3 apareceu na mesma época do MiniDisc, e foi nesse momento que tudo mudou em definitivo. As pessoas começaram a converter os seus CDs em MP3, e os pequenos players compatíveis nesse formato começaram a aparecer. A música estava se tornando cada vez mais portátil.

Aos poucos, os fabricantes começaram a oferecer MP3 players com mais e mais espaço de armazenamento, além de um hardware melhor, e com preços mais competitivos.

Aí, veio a Apple, e lança o primeiro iPod em outubro de 2001, criando um ponto de “antes” e “depois” na linha do tempo da música portátil. O primeiro iPod era capaz de armazenar 1000 músicas, uma forma mais rápida de navegar pela biblioteca musical (e olha, que nem era a click wheel do jeito que todos nós conhecemos hoje) e a proposta de ser aquele produto que vai acompanhar você aonde você for. E foi. Depois disso, versões icônicas do iPod apareceram: iPod Classic, iPod Shuffle e iPod Nano. Ou seja, é um produto que já está com o seu nome registrado na história do mundo tecnológico.

Porém, nos dias de hoje, quase todo mundo tem um smartphone no bolso. Será que ainda existe espaço para um iPod (ou qualquer outro player musical)?

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Hoje, a maioria das pessoas contam com um smartphone, e em muitos casos, esse produto substitui até mesmo o computador. Que dirá um player portátil?

Você pode hoje usar o smartphone para fazer e receber chamadas, acesso à internet, câmera, games, etc. Dentro desse grande “etc”, incluímos a reprodução de músicas, já que a maioria dos dispositivos contam com um software dedicado para essa finalidade.

Na prática, uma atualização da linha iPod é algo muito menor que os demais produtos oferecidos pela Apple hoje, e é isso que me leva a perguntar se um iPod ainda vale a pena nos dias atuais. Se o nosso smartphone já oferece a possibilidade de ouvir músicas (combinada com outras atividades), por que eu quero carregar um dispositivo extra comigo?

Bom, cada caso é um caso. Certamente existem muitas pessoas que vão entender que o iPod Touch é indispensável em suas vidas. Porém, acredito que o iPod ainda é um produto perfeito para, basicamente, amantes da música, esportistas e, acredite, as crianças e pré-adolescentes.

– iPod Classic: é o produto de culto. É para os amantes da música que querem carregar consigo toda a sua biblioteca musical, por contar com uma grande capacidade de armazenamento. Perfeito para quem quer ouvir música o dia inteiro, sem se preocupar se a bateria do seu smartphone é consumida no processo.

– iPod Touch: perfeito para crianças e pré-adolescentes que não podem ter um iPhone (evitando assim que os seus pais enlouqueçam com as tarifas de dados), mas querem ter um produto com uma experiência de uso muito similar.

– iPod Shuffle: perfeito para os esportistas, que querem exercer as suas atividades físicas sem precisar carregar o celular por aí.

Nos próximos eventos da Apple, vamos descobrir quais são os planos da empresa para os iPods. Repito: cada um é cada um, e entendo que tem muita gente que acha o iPod um produto indispensável, e segue utilizando esses players, independentemente do fato de ter um smartphone. Na minha opinião, apesar de gostar dos iPods, eu entendo que, assim como outros produtos da história, está fadado ao fim do seu ciclo de vida. Até porque esse é um produto que só registra quedas de vendas nos relatórios trimestrais da Apple.

Com os smartphones com mais e mais funcionalidades, não vejo futuro para os palyers portáteis. E aí nos lembraremos do iPod com o saudosismo peculiar de qualquer produto que foi importante em nossas vidas.